“Cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos, não tanto pelo que nos dá, mas pelo que nos revela de nós mesmos.” (Miguel Unamuno)

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Andar até Jesus


Bendito seja o Senhor nas alturas hoje e para todo o sempre, e bendito seja nosso Senhor Jesus Cristo, Seu Filho Amado em quem Ele se compraz e em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência (Cl 2-2;3)!

Regozijo-me em Deus a cada vez que algo novo me salta à mente quando do exame das escrituras e, na manhã deste dia, aprouve ao Pai, por intermédio de Seu Santo Espírito me ensinar essa importante lição, á qual tenho o prazer de dividir com meus leitores: a Bíblia Sagrada é capaz de nos trazer diversas situações com as quais podemos ilustrar a caminhada com Jesus e aqui, neste estudo, apresento uma delas que me atrevi a denomina-la tal e qual se mostra o título deste relato: “Andar até Jesus”.

Antes de tudo, se faz necessário apresentar um conceito para a expressão: “andar até” significa locomover-se; ir ao encontro de. Agora, analisemos juntos três exemplos bíblicos que, em minha opinião, melhor ilustram a temática deste estudo:

Mt. 9-20;22: neste trecho encontramos narrado um dos mais famosos feitos de Cristo durante sua vida terrena: a cura da mulher que padecia do fluxo de sangue. Imaginem como não deveria ser a vida desta pessoa! Pelo que conhecemos das leis e costumes daquele povo e daquela época, ela, no mínimo, deveria ser considerada impura. Atrevo-me também a imaginar o quão solitária e desesperançosa era a sua existência. A parte “B” do verso vinte e um nos conta que ela pensava consigo mesma que bastava que pudesse tocar nas vestes de Cristo para alcançar a cura. O evangelista Marcos relata o episódio com maior riqueza de detalhes, inclusive fazendo menção à grande multidão que apertava o Mestre nos fazendo assim compreender melhor o porquê de a mulher considerar a possibilidade de apenas alcançar as suas vestes. Vê-se que muitas vezes esperamos que Deus nos conceda uma benção de maneira “espetaculosa”, mas veja que exemplo de fé e por que não dizer de perseverança, uma vez que essa pessoa padecia de uma enfermidade que certamente lhe impunha limitações físicas. Seu gesto de tocar as vestes do Salvador foi tão “simples”, entretanto, a graça alcançada, incomensurável.

Mt. 15-21; 28 – A mulher Cananeia: este é mais um caso em que a persistência e a perseverança são de grande valia na vida de um cristão e por que não fazermos um “link” com o que está escrito em Hebreus 11-1? “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se não veem.” Assim sendo, apresento-lhes a razão deste trecho da carta aos Hebreus ter me saltado à mente: o versículo vinte e três da passagem constante do início deste parágrafo nos conta que Cristo não lhe respondeu palavra. Em outros termos, podemos também dizer que ele a ignorou, porém como lemos em Hebreus “... o firme fundamento das coisas que se não veem.” O aparente descaso de Jesus quanto ao seu clamor não a abateu. Ela não se deixou vencer por aquilo que seus olhos viram, mas sim prosseguiu com seu intento a ponto de, aparentemente, incomodar os discípulos. A reação de Jesus à petição feita por seus liderados foi argumentar que, por assim dizer, aquela mulher pretendia gozar de um privilégio que não lhe pertencia, contudo a Cananeia não se fez de rogada e com a célebre frase: “Os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus senhores”, atraiu para si não só a admiração de seu interlocutor mas também o milagre que tinha ido buscar. Reparem que aqui também não houve nenhum acontecimento fora do comum. A fé foi a chave da vitória.

Mc 10-46; 52: aqui o personagem central é Bartimeu, o cego de Jericó. O texto relata que se encontrava ele mendigando junto ao caminho ao perceber que era Jesus quem passava e então passou a bradar em busca de Seu favor e não se calou mesmo diante da pressão dos muitos que o repreendiam (v.48). Ainda bem que ele não ouviu a voz da multidão, senão teria perdido o que talvez fosse sua única chance de mudar sua sorte. Ouvir a multidão, aliás, é algo que geralmente não termina bem, biblicamente falando. Vejam o caso de Arão em Êxodo 32. Parafraseando o Robin, companheiro do Homem-Morcego, “santo coração duro, Batman!”, pois vai ser incrédulo assim lá longe! Toda vez que leio essa passagem fico indignada. Como é que um povo testemunha tão grandes sinais da existência do Senhor, bem como de Seu grande poder e depois tem a coragem de requerer que um deus seja fabricado! E Arão?! Será que ele não parou para arrazoar nem um pouquinho acerca do que lhe pediam?! Moisés era seu irmão e ainda por cima foi ele também um instrumento de Deus ante a faraó. Outro episódio que muito bem ilustra o perigo de se ouvir a multidão está em At. 12-21; 23. Herodes envaideceu-se porque o povo comparava a sua voz com a voz de Deus e terminou sendo fulminado (isso sem contar a parte dos bichos!). Tem muitos crentes que deixam de seguir as orientações do Pai para dar ouvidos á multidão. Quando Deus nos orienta, sabe muito bem o que faz por mais esdrúxula que Sua ordem pareça.

Por fim, andemos até Cristo e, melhor, andemos com Cristo sem esquecer da nossa tarefa de levar outros a fazerem o mesmo até que nossa carreira se complete.


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