“Cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos, não tanto pelo que nos dá, mas pelo que nos revela de nós mesmos.” (Miguel Unamuno)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A Organização na Organização*

O dicionário define o termo organização como sendo a ação ou efeito de organizar, de pôr a funcionar; estado do que se acha organizado; preparação; forma pela qual um Estado, uma administração, um serviço estão constituídos.

A organização vem acompanhando e facilitando a vida do homem desde o primórdio dos tempos. Pitágoras dizia que com organização e tempo acha-se o segredo de fazer tudo e bem feito. Neste aspecto, escreveu Silvia Somenzi[1]:


 

Utilizar-se da organização é mais que uma necessidade, é uma exigência mínima de mercado para que você seja considerando como membro de fato de uma equipe. A organização demonstra que você se preocupa com tudo em que está envolvido e principalmente, se preocupa com os outros, pois quem dela se utiliza:

- Sempre está seguro de que as informações, pelas quais é responsável, estão disponíveis a qualquer tempo;


- Cumpre suas tarefas e sabe onde está;

- Comanda os próprios movimentos sabendo muito bem da onde veio e para onde vai, e por fim,
 

- Tem consciência da importância daquilo que está fazendo e o impacto que tem sobre as atividades dos outros [...].

Quando a pessoa se organiza ou busca se organizar deixa claro para os outros que trabalha para o time e que não apenas está comprometida consigo mesma, e ainda expõe que pensa nos impactos que causa sobre as atividades dos outros.

Quem não entende isso e não se preocupa em se organizar, naturalmente acaba por ser excluído da equipe ou direcionado à execução de tarefas extremamente simples e operacionais, ou seja, de fácil substituição [...].

Atuar de forma organizada é como fazer uma aliança com os outros para crescer e ser percebido como um excelente apoiador do grupo...



Há os que entendem que organizar é seguir a risca um protocolo, o que pode parecer uma tarefa tediosa e excessivamente burocratizada, mas não se pode negar os benefícios de ter um norte a se seguir. O uso de padronizações gera resistência, contudo não haveriam referenciais se estas não existissem. Quero deixar claro, porém, que este relato não tem a intenção de vender a idéia de que organização significa tão somente cumprir a risca uma lista de procedimentos até porque a OSM nos ensina que a eficácia de um processo não se dá pela sua complexidade.


 

A organização, aqui se refererindo à sociedade hierarquizada, legalmente constituida, preocupada em agregar à sua missão e valores, as virtudes da clareza e da transparência, deve se preocupar em iniciar tal composição por sua hierarquia - uma clara exposição de seus níveis de escalonamento distribuídos em um modelo simples de organograma de modo que, tanto aos olhos do douto, quanto do leigo, transpareça, indubitavelmente o "quem é quem" e o "quem manda em quem". Tal realização é, na opinião desta bacharelanda, o ponto primaz para o alcance da excelência. Neste sentido, não se pode deixar de citar a participação da comunicação. É imperioso que os organizadores (leia-se também fundadores, gestores, gerentes, supervisores e afins) sejam bons comunicadores. Manuais, guias, esquemas e cartilhas são bem-vindos e tem cada um sua hora e lugar, por conseguinte transmissões verbais daquilo que se almeja (o onde, o quando e o como) acontecerão em larga escala. A fala, segundo Aristóteles, tem a finalidade de indicar o conveniente e o nocivo, e portanto também o justo e o injusto. A clareza, a concisão, o interesse e a obtenção do feed-back, constituem os requisitos para uma comunicação eficaz.


A organização na organização também pode ser obtida pela monta de um time coezo a começar pela própria gestão. Jim Collins [2], em sua obra intitulada Empresas Feitas Para Vencer, discorre sobre a importância de ter as pessoas certas no barco antes mesmo de saber que rumo tomar e  acredito eu estar implícita aí a formação de uma equipe onde todos falem a mesma língua.  Já James C. Hunter [3], autor de O Monge e o Executivo, provavelmente se oporia a tal questão por entender que homegeneidade demais atrapalha o desenvolvimento do grupo, contudo não se pode negar as benesses de um relacionamento com nossos "iguais". Os exemplos mais comuns de barreiras na comunicação praticamente não existiriam. Além disso, outros fatores essenciais devem ser levados em conta tais como a estratégia, os recursos, habilidades e a cultura organizacional, merecendo esta especial atenção já que consiste na reunião das convicções, valores, atitudes e regras compartilhadas entre os individuos de uma corporação, moldando seu comportamento e expectativas. Um administrador deve zelar pela sanidade da cultura que rege sua corporação tanto quanto preocupa-se com sua saúde financeira.  Qualquer sinal de enfermidade deve ser arrancado pela raiz. Existem empresas relativamente prósperas, porém presas a uma cultura que negligencia o fator humano, atingindo principalmente os colaboradores que ocupam as partes mais baixas da escala hierárquica. Outras são fundadas já com base neste mesmo mal e sequer sobrevivem ao seu primeiro ano. Muitos primam pelo foco nas ameaças e oprtunidades, pela análise do micro e macro ambiente, em neutralizar ou restringir a concorrência, entretanto poucos se importam com o que se comunica aos níveis hierárquicos inferiores e aqui digo comunicar não no sentido de tornar comum; informar e sim no que se comunica aos colaboradores de forma não verbal, acerca de seu valor; importância. Desqualificações podem transformar o ambiente profissional em verdadeiras "selvas" onde impera a lei do mais forte, culminando em combates psicólogicos desgastantes em prol da sobrevivência e em detrimento das metas/objetivos organizacionais. Uma empresa que almeja um patamar de organização excelente e inteligente deve ter em mente que esta propicia um ambiente favorável a seu desenvolvimento, juntamente com seus colaboradores, justificando assim sua importância na formulação das estratégias empresariais. O processo exige paciência e perseverança, bem como, a depender do contexto, até uma dose de parcimônia.




  

Referências:


 

[1] http://www.baguete.com.br/colunistas/colunas/50/silvia-somenzi/25/06/2007/por-que-e-importante-ser-organizado acesso em 03/09/2012.


 

[2] COLLINS, Jim. Empresas Feitas Para vencer, Campus. 2001


 

[3] HUNTER, James C. O Monge e o Executivo, Sextante. 2004


 

*Agradeço especialmente às Adm. Daniela Cardoso e Evelim Sousa pela colaboração neste trabalho.


 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Crentes fariseus

Dois homens subiram ao templo, a orar; um fariseu,  e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! (Lc 18-10;13)

Sentiu a diferença? Se continuássemos a leitura, veríamos no verso 14 Cristo nos dizendo que quem desceu justificado para sua casa foi o publicano. Alguém aí do outro lado, poderia parar e me perguntar: "Ei, Ju, porque estas coisas acontecem? Por que os crentes não são todos iguais?" Boa pergunta, mas a resposta está na própria Palavra de Deus. Veja o que está escrito em Mt. 13-18;23:

Escutai vós, pois, a parábola do semeador. Ouvindo alguém a palavra do reino e não a entendendo, vem o maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho; porém o que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo; antes é de pouca duração; e, chegada a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo se ofende; e o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra e fica infrutífera; mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro, sessenta, e outro, trinta.

Esta passagem, em minha opinião, é a que melhor responde a questão acima. Há outras citações bíblicas que podem servir de ilustração para tal fato, porém esta é o que mais chama a atenção porque no verso 22, já no finalzinho, olha que interessante, Cristo diz: "... sufocam a palavra e fica infrutífera..."  Entenderam? Se não, aqui vai uma ajudinha: note que toda a parábola se norteia, não só no tipo de terreno em a semente cai, mas também em quão profunda foi a recepção. Matheus 7 nos ensina que o homem que edificou a sua casa na rocha sobreviveu aos que contra ela combateram. O contrário acontece com o homem que edificou a sua sobre a areia. Assim sendo, os tipos de terreno ilustram o contexto, as circunstâncias em que o evangelho chega até nós. O diabo, o inimigo de nossas almas, já está condenado e ele não tem mais nada a fazer, além de trabalhar a fim de levar o maior número de pessoas consigo à condenação eterna. A pessoa que escolhe seguir a Cristo será alvo de inúmeras investidas malignas com o intuito de faze-la desistir. O sucesso ou fracasso do inimigo nesta empreitada vai depender apenas de nós. "... Se alguém quer vir após mim, negue-se a  si mesmo, e tome a cada dia sua cruz, e siga-me." - disse Jesus em Lc. 9-23. Que ninguém vos engane, meus amigos, evangelho é cruz! Cruz significa sofrimento. Mole é Maria Mole! Tem gente por aí que acha que os cristãos, pela sua forma pacífica de viver, são frouxos, contudo mal sabem estes que as boas novas de Cristo não são para covardes.

Até aqui, tudo bem, entretanto, alguém poderia sentir-se impelido a me inquirir mais uma vez perguntando: "O que faço então para vencer as astutas ciladas do diabo e impedir que a palavra seja sufocada em mim? Como saber se não estou me tornando um crente fariseu? A resposta a essas duas indagações, da mesma maneira que a primeira, está na bíblia e, novamente, chamo vossa atenção para o destaque a parte final do verso 22 de Mateus 13. O alimento do crente é a palavra de Deus. Por seu intermédio ele nasce (Rm 10-17), é santificado (Jo 17-17), bem como transformado na renovação de seu entendimento. A Palavra não pode ser sufocada em nós, ela tem que frutificar!

Crentes fariseus existem porque muitos deles ainda não entenderam que o pior inimigo de um crente pode ser ele mesmo. Deus não anula nossa personalidade, Ele a molda. Há cristãos que iniciam sua caminhada crescendo em graça e sabedoria, mas depois caem ou estagnam por causa do orgulho. Bastam um ou dois elogios ou até mesmo a ascensão a um cargo na administração eclesiástica para que aquele irmãozinho ou aquela irmãzinha  fique com o "rei na barriga". Outros desenvolvem características farisaicas porque interpretam equivocadamente certos conselhos bíblicos. Quando Deus diz para sermos fortes e termos bom ânimo, isso não quer dizer pintar um "S" no peito e bradar aos quatro ventos que somos super crentes. Não há mal algum chorar ou ficar contristado. Vejamos o exemplo do rei Davi. Na maioria dos salmos que ele compôs, percebemos o quão agoniado se encontrava o seu espírito, contudo sua atitude era a de louvor. Um semblante abatido não é um termômetro para nossa fé. Emoções pertencem a carne, já a fé, por sua vez, é algo do Espírito. A bíblia diz que a carne e o espírito duelam todo o tempo. Vencerá o cachorrinho que melhor for alimentado. Somos iguais, em Cristo aos olhos de Deus; não interessa quem chegou agora ou quem está na fé desde que nasceu. Examinemos Mateus 20-1;16:

Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha.
E, ajustando com os trabalhadores a um dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha.
E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça,
E disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram.
Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo.
E, saindo perto da hora undécima, encontrou outros que estavam ociosos, e perguntou-lhes: Por que estais ociosos todo o dia?
Disseram-lhe eles: Porque ninguém nos assalariou. Diz-lhes ele: Ide vós também para a vinha, e recebereis o que for justo.
E, aproximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o jornal, começando pelos derradeiros, até aos primeiros.
E, chegando os que tinham ido perto da hora undécima, receberam um dinheiro cada um.
Vindo, porém, os primeiros, cuidaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um dinheiro cada um.
E, recebendo-o, murmuravam contra o pai de família,
Dizendo: Estes derradeiros trabalharam só uma hora, e tu os igualaste conosco, que suportamos a fadiga e a calma do dia.
Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço agravo; não ajustaste tu comigo um dinheiro?
Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti.
Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?
Assim os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.

Atitudes farisaicas entre membros de uma congregação e até mesmo entre cristãos de denominações diferentes, não é bíblicamente correto. Encaixa-se neste perfil de semelhante forma, aquele que quer orar por todo mundo, mas não pede oração a ninguém, bem como os que gostam de exortar, mas não querem ser exortados. Não foi isso que Cristo nos ensinou, ao contrário, Ele disse:

Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro; 1 Pedro 1:22

Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor. Gálatas 5:13

O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. João 15:12

Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. Romanos 12:10

Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. João 13:34

Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. João 13:35

Se você é um discípulo de Cristo, ame! Sei que não é fácil "cair de amores" por alguém da noite para o dia, mas o que Jesus ordenou é que esse amor seja praticado. Isso se chama práxis e consiste em um conjunto de atitudes positivas para com os que nos odeiam e perseguem. Agindo assim, o amor virá com o tempo.

Não sei que efeito este estudo terá em você meu leitor, mas caso tenha sido tocado ou incomodado pelo Espírito, meu conselho, ou melhor, minha sugestão é uma só: Palavra! Leia, estude, medite, se alimente, viva a Palavra de Deus! Só instruídos em justiça é que poderemos nos apresentar a Deus como obreiros aprovados.