“Cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos, não tanto pelo que nos dá, mas pelo que nos revela de nós mesmos.” (Miguel Unamuno)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Crentes fariseus

Dois homens subiram ao templo, a orar; um fariseu,  e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! (Lc 18-10;13)

Sentiu a diferença? Se continuássemos a leitura, veríamos no verso 14 Cristo nos dizendo que quem desceu justificado para sua casa foi o publicano. Alguém aí do outro lado, poderia parar e me perguntar: "Ei, Ju, porque estas coisas acontecem? Por que os crentes não são todos iguais?" Boa pergunta, mas a resposta está na própria Palavra de Deus. Veja o que está escrito em Mt. 13-18;23:

Escutai vós, pois, a parábola do semeador. Ouvindo alguém a palavra do reino e não a entendendo, vem o maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho; porém o que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo; antes é de pouca duração; e, chegada a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo se ofende; e o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra e fica infrutífera; mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro, sessenta, e outro, trinta.

Esta passagem, em minha opinião, é a que melhor responde a questão acima. Há outras citações bíblicas que podem servir de ilustração para tal fato, porém esta é o que mais chama a atenção porque no verso 22, já no finalzinho, olha que interessante, Cristo diz: "... sufocam a palavra e fica infrutífera..."  Entenderam? Se não, aqui vai uma ajudinha: note que toda a parábola se norteia, não só no tipo de terreno em a semente cai, mas também em quão profunda foi a recepção. Matheus 7 nos ensina que o homem que edificou a sua casa na rocha sobreviveu aos que contra ela combateram. O contrário acontece com o homem que edificou a sua sobre a areia. Assim sendo, os tipos de terreno ilustram o contexto, as circunstâncias em que o evangelho chega até nós. O diabo, o inimigo de nossas almas, já está condenado e ele não tem mais nada a fazer, além de trabalhar a fim de levar o maior número de pessoas consigo à condenação eterna. A pessoa que escolhe seguir a Cristo será alvo de inúmeras investidas malignas com o intuito de faze-la desistir. O sucesso ou fracasso do inimigo nesta empreitada vai depender apenas de nós. "... Se alguém quer vir após mim, negue-se a  si mesmo, e tome a cada dia sua cruz, e siga-me." - disse Jesus em Lc. 9-23. Que ninguém vos engane, meus amigos, evangelho é cruz! Cruz significa sofrimento. Mole é Maria Mole! Tem gente por aí que acha que os cristãos, pela sua forma pacífica de viver, são frouxos, contudo mal sabem estes que as boas novas de Cristo não são para covardes.

Até aqui, tudo bem, entretanto, alguém poderia sentir-se impelido a me inquirir mais uma vez perguntando: "O que faço então para vencer as astutas ciladas do diabo e impedir que a palavra seja sufocada em mim? Como saber se não estou me tornando um crente fariseu? A resposta a essas duas indagações, da mesma maneira que a primeira, está na bíblia e, novamente, chamo vossa atenção para o destaque a parte final do verso 22 de Mateus 13. O alimento do crente é a palavra de Deus. Por seu intermédio ele nasce (Rm 10-17), é santificado (Jo 17-17), bem como transformado na renovação de seu entendimento. A Palavra não pode ser sufocada em nós, ela tem que frutificar!

Crentes fariseus existem porque muitos deles ainda não entenderam que o pior inimigo de um crente pode ser ele mesmo. Deus não anula nossa personalidade, Ele a molda. Há cristãos que iniciam sua caminhada crescendo em graça e sabedoria, mas depois caem ou estagnam por causa do orgulho. Bastam um ou dois elogios ou até mesmo a ascensão a um cargo na administração eclesiástica para que aquele irmãozinho ou aquela irmãzinha  fique com o "rei na barriga". Outros desenvolvem características farisaicas porque interpretam equivocadamente certos conselhos bíblicos. Quando Deus diz para sermos fortes e termos bom ânimo, isso não quer dizer pintar um "S" no peito e bradar aos quatro ventos que somos super crentes. Não há mal algum chorar ou ficar contristado. Vejamos o exemplo do rei Davi. Na maioria dos salmos que ele compôs, percebemos o quão agoniado se encontrava o seu espírito, contudo sua atitude era a de louvor. Um semblante abatido não é um termômetro para nossa fé. Emoções pertencem a carne, já a fé, por sua vez, é algo do Espírito. A bíblia diz que a carne e o espírito duelam todo o tempo. Vencerá o cachorrinho que melhor for alimentado. Somos iguais, em Cristo aos olhos de Deus; não interessa quem chegou agora ou quem está na fé desde que nasceu. Examinemos Mateus 20-1;16:

Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha.
E, ajustando com os trabalhadores a um dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha.
E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça,
E disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram.
Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo.
E, saindo perto da hora undécima, encontrou outros que estavam ociosos, e perguntou-lhes: Por que estais ociosos todo o dia?
Disseram-lhe eles: Porque ninguém nos assalariou. Diz-lhes ele: Ide vós também para a vinha, e recebereis o que for justo.
E, aproximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o jornal, começando pelos derradeiros, até aos primeiros.
E, chegando os que tinham ido perto da hora undécima, receberam um dinheiro cada um.
Vindo, porém, os primeiros, cuidaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um dinheiro cada um.
E, recebendo-o, murmuravam contra o pai de família,
Dizendo: Estes derradeiros trabalharam só uma hora, e tu os igualaste conosco, que suportamos a fadiga e a calma do dia.
Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço agravo; não ajustaste tu comigo um dinheiro?
Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti.
Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?
Assim os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.

Atitudes farisaicas entre membros de uma congregação e até mesmo entre cristãos de denominações diferentes, não é bíblicamente correto. Encaixa-se neste perfil de semelhante forma, aquele que quer orar por todo mundo, mas não pede oração a ninguém, bem como os que gostam de exortar, mas não querem ser exortados. Não foi isso que Cristo nos ensinou, ao contrário, Ele disse:

Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro; 1 Pedro 1:22

Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor. Gálatas 5:13

O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. João 15:12

Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. Romanos 12:10

Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. João 13:34

Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. João 13:35

Se você é um discípulo de Cristo, ame! Sei que não é fácil "cair de amores" por alguém da noite para o dia, mas o que Jesus ordenou é que esse amor seja praticado. Isso se chama práxis e consiste em um conjunto de atitudes positivas para com os que nos odeiam e perseguem. Agindo assim, o amor virá com o tempo.

Não sei que efeito este estudo terá em você meu leitor, mas caso tenha sido tocado ou incomodado pelo Espírito, meu conselho, ou melhor, minha sugestão é uma só: Palavra! Leia, estude, medite, se alimente, viva a Palavra de Deus! Só instruídos em justiça é que poderemos nos apresentar a Deus como obreiros aprovados. 

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