"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A Organização na Organização*

O dicionário define o termo organização como sendo a ação ou efeito de organizar, de pôr a funcionar; estado do que se acha organizado; preparação; forma pela qual um Estado, uma administração, um serviço estão constituídos.

A organização vem acompanhando e facilitando a vida do homem desde o primórdio dos tempos. Pitágoras dizia que com organização e tempo acha-se o segredo de fazer tudo e bem feito. Neste aspecto, escreveu Silvia Somenzi[1]:


 

Utilizar-se da organização é mais que uma necessidade, é uma exigência mínima de mercado para que você seja considerando como membro de fato de uma equipe. A organização demonstra que você se preocupa com tudo em que está envolvido e principalmente, se preocupa com os outros, pois quem dela se utiliza:

- Sempre está seguro de que as informações, pelas quais é responsável, estão disponíveis a qualquer tempo;


- Cumpre suas tarefas e sabe onde está;

- Comanda os próprios movimentos sabendo muito bem da onde veio e para onde vai, e por fim,
 

- Tem consciência da importância daquilo que está fazendo e o impacto que tem sobre as atividades dos outros [...].

Quando a pessoa se organiza ou busca se organizar deixa claro para os outros que trabalha para o time e que não apenas está comprometida consigo mesma, e ainda expõe que pensa nos impactos que causa sobre as atividades dos outros.

Quem não entende isso e não se preocupa em se organizar, naturalmente acaba por ser excluído da equipe ou direcionado à execução de tarefas extremamente simples e operacionais, ou seja, de fácil substituição [...].

Atuar de forma organizada é como fazer uma aliança com os outros para crescer e ser percebido como um excelente apoiador do grupo...



Há os que entendem que organizar é seguir a risca um protocolo, o que pode parecer uma tarefa tediosa e excessivamente burocratizada, mas não se pode negar os benefícios de ter um norte a se seguir. O uso de padronizações gera resistência, contudo não haveriam referenciais se estas não existissem. Quero deixar claro, porém, que este relato não tem a intenção de vender a idéia de que organização significa tão somente cumprir a risca uma lista de procedimentos até porque a OSM nos ensina que a eficácia de um processo não se dá pela sua complexidade.


 

A organização, aqui se refererindo à sociedade hierarquizada, legalmente constituida, preocupada em agregar à sua missão e valores, as virtudes da clareza e da transparência, deve se preocupar em iniciar tal composição por sua hierarquia - uma clara exposição de seus níveis de escalonamento distribuídos em um modelo simples de organograma de modo que, tanto aos olhos do douto, quanto do leigo, transpareça, indubitavelmente o "quem é quem" e o "quem manda em quem". Tal realização é, na opinião desta bacharelanda, o ponto primaz para o alcance da excelência. Neste sentido, não se pode deixar de citar a participação da comunicação. É imperioso que os organizadores (leia-se também fundadores, gestores, gerentes, supervisores e afins) sejam bons comunicadores. Manuais, guias, esquemas e cartilhas são bem-vindos e tem cada um sua hora e lugar, por conseguinte transmissões verbais daquilo que se almeja (o onde, o quando e o como) acontecerão em larga escala. A fala, segundo Aristóteles, tem a finalidade de indicar o conveniente e o nocivo, e portanto também o justo e o injusto. A clareza, a concisão, o interesse e a obtenção do feed-back, constituem os requisitos para uma comunicação eficaz.


A organização na organização também pode ser obtida pela monta de um time coezo a começar pela própria gestão. Jim Collins [2], em sua obra intitulada Empresas Feitas Para Vencer, discorre sobre a importância de ter as pessoas certas no barco antes mesmo de saber que rumo tomar e  acredito eu estar implícita aí a formação de uma equipe onde todos falem a mesma língua.  Já James C. Hunter [3], autor de O Monge e o Executivo, provavelmente se oporia a tal questão por entender que homegeneidade demais atrapalha o desenvolvimento do grupo, contudo não se pode negar as benesses de um relacionamento com nossos "iguais". Os exemplos mais comuns de barreiras na comunicação praticamente não existiriam. Além disso, outros fatores essenciais devem ser levados em conta tais como a estratégia, os recursos, habilidades e a cultura organizacional, merecendo esta especial atenção já que consiste na reunião das convicções, valores, atitudes e regras compartilhadas entre os individuos de uma corporação, moldando seu comportamento e expectativas. Um administrador deve zelar pela sanidade da cultura que rege sua corporação tanto quanto preocupa-se com sua saúde financeira.  Qualquer sinal de enfermidade deve ser arrancado pela raiz. Existem empresas relativamente prósperas, porém presas a uma cultura que negligencia o fator humano, atingindo principalmente os colaboradores que ocupam as partes mais baixas da escala hierárquica. Outras são fundadas já com base neste mesmo mal e sequer sobrevivem ao seu primeiro ano. Muitos primam pelo foco nas ameaças e oprtunidades, pela análise do micro e macro ambiente, em neutralizar ou restringir a concorrência, entretanto poucos se importam com o que se comunica aos níveis hierárquicos inferiores e aqui digo comunicar não no sentido de tornar comum; informar e sim no que se comunica aos colaboradores de forma não verbal, acerca de seu valor; importância. Desqualificações podem transformar o ambiente profissional em verdadeiras "selvas" onde impera a lei do mais forte, culminando em combates psicólogicos desgastantes em prol da sobrevivência e em detrimento das metas/objetivos organizacionais. Uma empresa que almeja um patamar de organização excelente e inteligente deve ter em mente que esta propicia um ambiente favorável a seu desenvolvimento, juntamente com seus colaboradores, justificando assim sua importância na formulação das estratégias empresariais. O processo exige paciência e perseverança, bem como, a depender do contexto, até uma dose de parcimônia.




  

Referências:


 

[1] http://www.baguete.com.br/colunistas/colunas/50/silvia-somenzi/25/06/2007/por-que-e-importante-ser-organizado acesso em 03/09/2012.


 

[2] COLLINS, Jim. Empresas Feitas Para vencer, Campus. 2001


 

[3] HUNTER, James C. O Monge e o Executivo, Sextante. 2004


 

*Agradeço especialmente às Adm. Daniela Cardoso e Evelim Sousa pela colaboração neste trabalho.


 

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