"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

terça-feira, 13 de março de 2012

A Síndrome do Super-Herói

Meditando acerca de algumas coisas, descobri que boa parte da população sofre de um mal que denominei de Síndrome do Super-Herói. Essa patologia com certeza tem outro nome e também deve ser algo que Freud explica, mas cheguei a essa conclusão (ou a esse diagnóstico) analisando alguns fatos e notei que estamos sempre esperando que uma pessoa só faça tudo: desejamos que o craque tal ganhe a copa do mundo, elegemos prefeito, governador e presidente e ansiamos que estes, em um ou dois mandatos, dêem jeito em problemas que já estão acumulados há várias gestões e, aliás, neste aspecto, quem eu acho que sofre mais é o Presidente da República. Oh, Deus, que fardo! Imaginem governar um país de 512 anos, que já nasceu endividado, que teve boa parte de suas riquezas naturais sugadas pela metrópole, lutar contra a corrupção, contra a fome, inflação, desemprego, drogas, violência... Ufa! Muitas tarefas para uma pessoa só não acham?

Não estou aqui fazendo apologia a senhor ninguém e, como todo bom cidadão também desejo que meus representantes nas três esferas do governo façam alguma coisa, porém temos que ser razoáveis e entender que por mais bem intencionados que alguns deles estejam isto não lhes deixa imunes ao ataque das forças contrárias ao desenvolvimento socioeconômico de nossa nação - gente interessada em que tudo continue como está.

No meio evangélico, infelizmente, esse mal também assola:. vários crentes lançam mão ao arado e depois olham para trás com a desculpa que o pastor não "abraçou". Afinal que abraçar é esse? Por que Cristo nos ensinou coisas, sobre comunhão, partir do pão e vida em comunidade se, no fundo, no fundo, achamos que o trabalho é só de um? Como estudante de Administração entendo os benefícios da distribuição de tarefas, da descentralização de poder, da cooperação e do trabalho em equipe, entretanto também fico triste ao perceber que tem muita gente que não está nem aí para nada disso.

Melhor seria então para nós, alguém poderia dizer, se vivessemos no universo do Sr. Lee. Lá, haveria uma diversificada gama de superdotados criados especificamente para pôr fim em nossas mazelas. Contudo ainda teríamos que nos submeter à vontade dos roteiristas. Que Deus nos livre dessa má hora!

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