“Cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos, não tanto pelo que nos dá, mas pelo que nos revela de nós mesmos.” (Miguel Unamuno)

sábado, 10 de março de 2012

Quem sou eu?




Sou aquele que por vezes se intima diante da folha branca;
Que se desconecta e se emociona
Com a vermelhidão do ocaso na fenda do céu,
Cujo eu é coberto de fel.

Sou o que lamenta pela não exatidão da realidade
Em contraste com meu universo, verso e reverso,

Sou aquele que conta uma história com o tilintar das horas
Que vê as figuras na sala vazia de gente, ou no sufoco do leito.

Sou o que se manifesta no escrito, que ouve a música
Orquestrada pelo vento na copa das árvores,
Que pinta na expressão da personagem
Aquilo de que está cheio seu coração.

Sou o que faz emanar do peito arfante da virgem o amor,
Sou aquele que faz graça com o menino que passa
Com a vizinha paroleira e a senhora desocupada.

Sou aquele que vê no social o problema,
Embutido o mal, vidas a tragar, travestido está.
Sou eu especial indivíduo, nascido pra arte e para a arte viver.

Sou eu abençaodo e “maldito”, sempre em atrito
Contrito semeador e cefeiro de minhas próprias escolhas;
Sou eu ainda o cercado de amigos, bem vindo aos domingos,
Mas alma sem gêmea, incompleto, abstrato,
A metade porção, ferida, fendida
Cuja história se escreve pela pena do Criador,
Afina, quem sou?

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