"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

sábado, 10 de março de 2012

Quem sou eu?




Sou aquele que por vezes se intima diante da folha branca;
Que se desconecta e se emociona
Com a vermelhidão do ocaso na fenda do céu,
Cujo eu é coberto de fel.

Sou o que lamenta pela não exatidão da realidade
Em contraste com meu universo, verso e reverso,

Sou aquele que conta uma história com o tilintar das horas
Que vê as figuras na sala vazia de gente, ou no sufoco do leito.

Sou o que se manifesta no escrito, que ouve a música
Orquestrada pelo vento na copa das árvores,
Que pinta na expressão da personagem
Aquilo de que está cheio seu coração.

Sou o que faz emanar do peito arfante da virgem o amor,
Sou aquele que faz graça com o menino que passa
Com a vizinha paroleira e a senhora desocupada.

Sou aquele que vê no social o problema,
Embutido o mal, vidas a tragar, travestido está.
Sou eu especial indivíduo, nascido pra arte e para a arte viver.

Sou eu abençaodo e “maldito”, sempre em atrito
Contrito semeador e cefeiro de minhas próprias escolhas;
Sou eu ainda o cercado de amigos, bem vindo aos domingos,
Mas alma sem gêmea, incompleto, abstrato,
A metade porção, ferida, fendida
Cuja história se escreve pela pena do Criador,
Afina, quem sou?

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