"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Meu testemunho

Minha vida com Cristo iniciou-se em 2002. Não lembro exatamente o dia ou o mês. Só sei que tudo começou com uma voz na minha cabeça. De início, achei que a voz vinha de mim mesma, pois eu estava muito frustrada comigo. Desfrutava de galardões que não haviam sido conquistados com o suor de meu rosto. Beirava os trintas anos e ainda não conquistara nada do que havia sonhado. Eu era casada, tinha uma vida relativamente confortável, mãe de uma criança linda que hoje é um rapazola mais lindo ainda e convivia com muitos que invejavam minha posição de "mulher de advogado".

Entretanto, como afirmei no paragráfo anterior, eu gozava do fruto do suor do meu esposo. Não que isso seja uma coisa ruim, é dever do marido sustentar a família, mas eu queria mais; não queria ser uma sombra, eu queria algo para chamar de meu, todavia por mais que eu desse nada vinha em retorno e quando eu me queixava a respeito com a mulher que era minha sacerdotisa ela me dizia que eu já estava casada e que portanto não precisava galgar mais nada. Frente a essas palavras, a voz na minha cabeça começou a falar comigo um pouco mais alto e, posteriormente, além de falar foi me dando provas concretas das afirmações que me fazia. Passei meses em um conflito interior onde estive totalmente só em minhas conjecturas, pois não tinha com quem desabafar: meus irmãos e minha mãe já eram evangélicos e de certa forma eu os via como inimigos. Meu marido não suportava minha crença ou qualquer outro assunto ligado a religião.

Alguns meses antes de minha conversão, um "acidente cosmético" quase me deixou careca. Chorei como se tivesse perdido um braço e acabei indo me consolar com minha gurua (se é que tal palavra existe). Ela me afirmou que o ocorrido fora de ordem espiritual e que era necessário invocar o perdão da deusa à qual, segundo ela, eu pertencia e, para isso, ela se colocou como minha intercessora e clamou ante a entidade pelo dito "perdão" que eu necessitava. Terminada a cerimônia fui deixada em um quartinho sozinha para descansar e a voz veio de novo me atormentar (convencer, na verdade). Um pânico muito grande tomou conta do meu ser e esse medo me fez ver que espiritualmente eu me encontrava em um caminho vazio cujo final era a morte. Por medo de represálias, insisti no erro ainda durante um tempo, porém um dia, depois de uma noite mal dormida, levantei-me muito cedo e fui me exercitar. No caminho para casa fui atraída pelos cânticos que estavam sendo entoados numa igreja católica perto da minha casa e naquele instante minha vontade de sentir paz era tão intensa que entrei em casa correndo, me banhei, troquei de roupa e fui a missa.

Quando adentrei o pequeno santuário foi como se todos os fiéis tivessem se retirado e me deixado a sós com o padre. Em seu sermão ele externou tudo aquilo que agonizava meu ser e eu não consegui fazer outra coisa além de chorar. Um calor vindo do alto começou a me envolver e me conscientizei que o Deus amoroso que me havia sido apresentado em minhas aulas de catecismo era real. Eu não o vi, mas Ele estava ali. Fui para casa flutuando nesta nova dimensão espiritual e chegando a meu lar meu esposo estranhou minha presença, uma vez que, naquela época, eu estava também em tratamento fisioterápico. Nada lhe respondi, apenas me agarrei nele e passei a chorar emocionada e ele aguardou calmamente que meu pranto cessasse e me interrogou a respeito. Contei-lhe a batalha interior que vinha travando todo aquele tempo e culminei na experiência sobrenatural que passei no templo católico. Meu ex-marido nunca foi muito dado a emoções, porém algumas lágrimas escorreram de seus olhos.

Participei também a ele que eu decidira que daquele dia em diante eu nunca mais me prostaria ou adoraria a nenhuma outra entidade que não fosse o único e verdadeiro Deus. Passadas algumas semanas, mais precisamente em 07 de novembro de 2002, meu nome foi escrito no Livro da Vida e creio que de lá jamais será apagado. Um dia eu fui a mulher do advogado, hoje sou FILHA DE DEUS. Frequentei lugares de certa pompa e agora uma rica herança me aguarda no Reino celestial. Fui conhecida como filha de D. Fulana, mas atualmente me orgulho de ser apontada como aquela que foi remida, lavada e justificada pelo Sangue do Cordeiro.

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