“Cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos, não tanto pelo que nos dá, mas pelo que nos revela de nós mesmos.” (Miguel Unamuno)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Hinos Tradicionais X Hinos Contemporâneos (texto apreciado e conceituado (nota 9,0) pelo pastor e teólogo Luiz Tarquínio)

As letras dos hinários tradicionais foram compostas em uma época em que a igreja cristã se comportava segundo um padrão mais formal. Percebemos isso pela presença de uma linguagem mais rebuscada, com vocábulos milimetricamente escolhidos para uma rima perfeita, semelhantes às poesias escritas pelos autores de um certo gênero da nossa literatura.
Percebe-se, na maioria deles, uma preocupação maior dos compositores em exaltar a soberania e majestade do Deus Pai e, no mesmo contexto, demonstrar empatia em relação ao sofrimento do Messias por amor de nós. A visão desses cristãos era mais voltada para o porvir, com letras recheadas das coisas que nos aguardam no Reino Celestial. Declarações de amor ao Pai das Luzes e expressões de gratidão ao nosso Salvador, Jesus Cristo, também eram uma constante.

Aquele que conhece um pouco da história da música, teologicamente falando, e sua trajetória na antiga e na nova aliança, sabe que a mesma, quando da criação dos hinários hoje conhecidos como tradicionais, tinham como acompanhamento instrumentos como os harmônicos, órgãos ou pianos.

Atualmente, aqueles que se ocupam em ensinar técnicas vocais, com o intento de preparar cantores, mais especificamente para o meio evangélico, especializando-os no canto lírico ou no popular, muitos deles, utilizam esses hinos como ferramentas bastante eficazes para exemplificar a presença das notas musicais e seus produtos (escalas, arpejos, etc.) em uma canção buscando assim um melhor entendimento, por parte de seus pupilos, do conteúdo passado.
As letras contemporâneas, por sua vez, apesar de terem como fonte de inspiração, a mesma Bíblia Sagrada, tal e qual os tradicionais, caracterizam-se por um verso mais "livre" assemelhando-se ao contexto histórico vivido pela Noiva do Cordeiro neste século. A preocupação em anunciar as verdades espirituais, a exaltação aos atributos do Deus Trino e a consciência em relação ao sacrifício do Messias continuam presentes, contudo tem-se a impressão de que os compositores atuais gozam de uma maior liberdade na hora de conceber suas criações, principalmente pela queda de alguns tabus que durante muito tempo geraram controvérsia em meio ao povo de Deus, acerca do que era ou não lícito no momento da adoração.

Essa dita "liberdade", entretanto não trouxe consigo somente coisas boas. Muitos falsos cristãos têm trazido escândalo para o meio evangélico lançando composições caracterizadas por meia dúzia de jargões gospel e de ritmos bastante apelativos servindo de disfarce para aqueles que querem dar vazão à carne sem necessariamente serem chamados de mundanos.

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