"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A Timidez


A Timidez ou o Acanhamento pode ser definida como o desconforto e a inibição em situações de interação pessoal que interferem na realização dos objetivos pessoais e profissionais de quem a sofre. Caracteriza-se pela obsessiva preocupação com as atitudes, reações e pensamentos dos outros. A timidez aflora geralmente, mas não exclusivamente, em situações de confronto com a autoridade, interação com algumas pessoas: contato com estranhos e ao falar diante de grupos - e até mesmo em ambiente familiar.
A timidez é um padrão de comportamento em que a pessoa não exprime (ou exprime pouco) seus pensamentos e sentimentos e não interage ativamente. Embora não comprometa de forma significativa a realização pessoal, constitui-se em fator de empobrecimento da qualidade de vida. Deste ponto de vista, a timidez não pode ser considerada um transtorno mental.
Aliás, quando em grau moderado, todos os seres humanos são, em algum momento de suas vidas, afetados pela timidez, que funciona como uma espécie de regulador social, inibidor dos excessos condenados pela sociedade como um todo, ou micro-sociedades.
A timidez funciona ainda como um mecanismo de defesa que permite à pessoa avaliar situações novas através de uma atitude de cautela e buscar a resposta adequada para a situação (Fonte: Wikipédia).
Meus queridos, eu nasci tímida e, nesse instante, não consigo encontrar outra expressão para quantificar o quanto esse mal me afligia senão a popular “bicho do mato”. Quando eu era bem pequena, vivia agarrada à saia de minha mãe. Ela ainda guarda algumas fotos (as que eu não consegui destruir) em que transparecia o meu jeito acanhado de ser. Um ambiente com várias pessoas me constrangia tanto que eu até passava por mal educada ou arrogante, pois me era dificultoso ao extremo abrir a boca para proferir um simples “bom dia”.
As coisas só começaram a mudar quando me conscientizei de que esse acabrunhamento era uma barreira ao meu desenvolvimento. Perdi algumas boas chances no mercado de trabalho porque a timidez me fez falhar na entrevista. Antes desse despertamento, eu  necessitava da influência de terceiros para “funcionar” e, diga-se de passagem, 80% delas foram muito constragedouras e desagradáveis.
Tornar-me uma cristã e, consequentemente, conhecer a Palavra de Deus, foram para mim duas importantes ferramentas para enfrentar esse inimigo (há coisa pior do que lutar consigo mesma?!). A revelação descrita em Ap.21-8, me assustou um pouco, mas depois o Espírito Santo foi me fazendo ver o que é ser tímido aos olhos de Deus. Isso me trouxe conforto, contudo não me fez desistir do intento de melhorar meu tato social.
Esse horizonte ampliado me inspirou a fazer um estudo sobre o assunto e, em 2007, ano em que integrei a diretoria da União de Jovens de minha congregação, como Diretora de Programa, eu o apresentei e a ocasião foi maravilhosa! Ouvi diversos testemunhos, compartilhei experiências e depois apliquei um pequeno, mas muito interessante e revelador teste escrito, a fim de que a audiência pudesse se auto-avaliar nesse quesito.
Ao final dele, li 2Tm.1-7 e lembrei aos presentes quem é e para que serve o Espírito Santo na vida do crente. Eu ainda não me considero uma ex-tímida, mas em compensação sei que fiz progredi bastante e me apego à passagem citada e também a muitas outras da Bíblia Sagrada toda vez que me sinto na iminência de “travar” por vergonha. Ser cristão não é para covardes e tem momentos que tudo parece conspirar contra nós, entretanto é nessas hora que o Espírito entra em ação. A carne milita tentando nos manter estagnados, mas o Espírito de Deus diz: “Vai!” e a gente tem que ir! Com as pernas tremendo, o coração quase saindo pela boca ou com as mãos geladas, não importa, temos que avançar! “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me”(Lc 9-23).
Pode parecer difícil, meus amados, mas não é impossível. Temos Jesus para nos espelhar, temos os amigos e os irmãos para nos ajudar (mesmo que o auxílio “doa” um pouquinho). O que não podemos é deixar o inimigo usar isso contra nós, muitos menos enterrar os talentos que Deus nos deu. Recordemo-nos de que seremos cobrados por isso (Mt 25-16;29).

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