quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Memórias de um dia de prova - Parte 1

Voltei à realidade com a voz do Professor Teixeira me chamando e me perguntando se eu lembrava aonde estava. Não, eu não lembrava. Minha presença ali, por tempo que não me me atrevo nem a especular, foi apenas de corpo. Meu espírito estava lá fora, na ciclovia, de onde se via o mar bem de pertinho, com os cabelos ao vento a todo vapor em minha bike, com Geninho e Beca me acompanhando.

Pedi desculpas ao educador e ele culpou a administração do colégio pela minha distração. Estávamos, dada a uma situação emergencial, instalados em uma sala que não era a nossa, desprovida de persianas e, portanto,  podíamos contemplar tudo o que acontecia lá fora. Era sexta-feira e nos encontrávamos às voltas com uma complicada prova de física. Complicada mais pelo fato de o Professor Teixeira ser o ministrador da disciplina do que pela ciência em si. Ser o melhor amigo de Geninho, neste aspecto, me era por demais recompensador. Ele, que conseguia ficar tão concentrado quanto uma mosca pousada em qualquer superfície, era fera em tudo o que envolvia cálculo.

Voltei a me concentrar na folha de papel semi-preenchida em minha frente e fiz mais umas duas ou três contas, sinalizando meu raciocínio com algumas setas, mas eu não conseguia parar de pensar nas pessoas do outro lado da rua. Oh, como eu as estava invejando! Gente de todas as idades, de roupa esporte, acompanhadas ou não. Algumas senhoras seguravam os seus chapéus de modo que esses não fossem levados pela ventania. E eu ali... Física... O profº Teixeira...

Beca, o amor da minha vida desde a 5ª série, estava sentada duas fileiras depois de mim. Ela mantinha a cabeça apoiada em uma das mãos e seu olhar parecia distante. Imaginei se assim como eu aspirava ela pela liberdade. Resolvi então perguntar: ergui uma das mãos ao tempo em que proferi o nome do Teixeira em alta voz. Ele me lançou um olhar fulminante e depois ralhou comigo pelo chamado em alta voz. Realmente  não havia necessidade de gritar, mas fiz de propósito, pois desejava que Beca olhasse para mim, o que funcionou.

Passado esse momento, Teixeira caminhou até mim bufando a fim de ouvir minha petição. Pus a mão à testa e solicitei que ele me tocasse com vistas a averiguar se eu tinha febre, mas para Beca o meu gesto significava saber como ela estava. Em resposta, minha amada tocou o nariz com a ponta do indicador esquerdo sinalizando que já finalizara a avaliação. Beca tinha paixão por Literatura e Biologia, nunca na galáxia acabaria tão rápido aquela prova sem ajuda. Estremeci de espanto e Teixeira julgou que eu havia tido um espasmo. Controlei-me para não sorrir satisfeito pelo sucesso do meu teatro e em resposta fiz cara de coitadinho. Pender o pescoço me deu a oportunidade de voltar minha atenção, ainda que por um breve momento, para beca que, esticando uma das pernas, deu-me a entender que a pessoa a sua frente era uma "mina", ou seja, alguém que entendia do assunto. Para meu revés a mina não era o Geninho e sim meu maior desafeto, o Fernando.

Estava claro que ele a tinha ajudado para me provocar, pois sabia que Beca era meu ponto fraco, principalmente porque seus pais eram contra o nosso namoro.


quarta-feira, 14 de junho de 2017

A subversão da ordem institucional e a segurança jurídica

Para quem não está familiarizado com a expressão subversão da ordem institucional, talvez a conheça como golpe de Estado. Este, por sua vez, pode ser conceituado como o ato de depor um governo legitimamente instalado, ou como uma ruptura institucional repentina e, para ficar mais claro, vamos apresentar o conceito de subversão, de acordo com o Aurélio: Ato ou efeito de subverter. Insubordinação; revolta; ruína; perversão; destruição.

Feitas estas considerações iniciais, vamos a uma rápida aula de história: desde o início de nossa trajetória como República em 1889, registramos nove episódios, aos quais os historiadores, contempladas as respectivas características, consideraram como espécies de golpes de Estado. O primeiro deles ocorreu em 1823, e é denominado como “Noite da Agonia”.

Dado pelo próprio imperador, D. Pedro I, contra a primeira Assembleia Geral Constituinte Brasileira. Essa Assembleia, eleita e instalada em 3 de maio de 1823, tinha o objetivo de confeccionar o primeiro texto constitucional. O principal motivo para o golpe foi as disputas políticas internas dos constituintes, que se dividiam entre liberais e conservadores e assim o imperador, à época, optou pela dissolução da Assembleia, o que ocorreu na madrugada do dia 12 de novembro de 1823.

Nosso segundo exemplo aconteceu 17 anos mais tarde em 1840, durante o período regencial. Trata-se do Golpe da Maioridade.

Após a Abdicação de D. Pedro I, em 1831, o herdeiro do trono, D. Pedro II, era apenas uma criança. Dessa forma, a chefia do país teve que ser confiada a regentes, entretanto, esse período perfazia-se complicado, politicamente, vez que a disputa entre liberais e conservadores estava no auge. Um grupo de deputados e senadores, então, juntaram-se e formaram um clube chamado “Clube Maiorista” que, após certo interstício temporal contou com a adesão do próprio Pedro II. Frente a isso, Dom Pedro II ascendeu ao trono em 23 de julho de 1840, antes de atingir a maioridade.

O terceiro golpe foi a Proclamação da República. Datado de 15 de novembro de 1889, foi na verdade um golpe militar que pôs fim ao regime monárquico no Brasil. O movimento republicano no Brasil remontava à época colonial, mas se tornou realmente intenso na época do Segundo Reinado. Mas para que o golpe contra a monarquia fosse bem-sucedido, os republicanos necessitavam do apoio da principal autoridade militar da época: o marechal Deodoro da Fonseca.  

Para convencer Deodoro a “proclamar a República”, os conspiradores tiraram proveito dos prejuízos que as decisões do então ministro de Pedro II, Visconde de Ouro Preto, acarretavam ao Exército. Além disso, disseram ao marechal que, em lugar de Ouro Preto, seria nomeado um antigo inimigo pessoal seu: Gaspar da Silveira Martins.

Diante dessa situação, Deodoro reuniu algumas centenas de soldados e marchou sobre a cidade do Rio de Janeiro com o objetivo de derrubar o ministério de Ouro Preto. Esse gesto, desprovido de participação popular, deu início ao regime republicano no país.

Nosso golpe de nº 04, datou-se de 03 de novembro de 1891.  O monarquista que proclamou a república (!) ficou encarregado de chefiar interinamente a nação até que esta tivesse uma Constituição. Em 14 de fevereiro de 1891, o texto constitucional ficou pronto e Deodoro da Fonseca foi eleito indiretamente o Presidente da República, ficando a vice-presidência sob a égide do também marechal Floriano Peixoto.

Deodoro passou o primeiro ano de seu governo sofrendo pressão dos oposicionistas e, por causa disso ,dissolveu, via decreto, o Congresso Nacional em 3 de novembro de 1891. Em seguida, para completar o golpe, instaurou, com outro decreto, Estado de Sítio no Brasil.

O próximo fato histórico aqui a ser narrado, assim creio eu, provocará sinestesia nos leitores: vinte dias após o golpe de 03 de novembro Deodoro da Fonseca renunciou ao cargo de presidente, diante da reação da marinha brasileira, que ameaçou bombardear a cidade do Rio de Janeiro caso o presidente continuasse no cargo. Essa reação ficou conhecida como Primeira Revolta da Armada.

O assento presidencial foi ocupado pelo vice, Floriano Peixoto, porém, a Constituição da época previa a convocação de novas eleições presidenciais, vez que Deodoro governara por período inferior a um ano. Floriano, no entanto, não convocou as novas eleições com a justificativa de que a Constituição de 1891 determinava a convocação de novas eleições só se o presidente tivesse sido eleito diretamente pelo povo, o que não ocorreu no caso de Deodoro da Fonseca. Essa “brecha” na Lex Mater sustentou Floriano no poder.

Sexto golpe: a Revolução de 1930. De cunho civil-militar, este movimento foi encabeçado por lideranças dos estados da Paraíba, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, que juntas lutaram contra todo o restante do país.

Seu estopim foram as eleições presidenciais daquele ano. Por intermédio de um resultado fraudulento, o candidato da situação, Júlio Prestes, indicado como sucessor do então presidente Washington Luís, foi eleito o novo presidente, mas, ao contrário do que ocorria antes, nos áureos anos da Primeira República, a oposição não aceitou o ardil e partiu para o enfrentamento físico.

O governo impopular perante as massas sucumbe facilmente e Getúlio, então candidato da Aliança Liberal, assume o poder, em caráter provisório, a 3 de novembro de 1930. Dá-se assim início à “Era Vargas”.

O sétimo lugar de nossa lista vai para o golpe intitulado como “Estado Novo”. Em 1934, Vargas é confirmado no poder elegendo-se, indiretamente, Presidente da República. O estadista lidou com diversos problemas. O principal deles foi a chamada Intentona Comunista, todavia as forças do governo não tiveram dificuldade em sufoca-la.

Esse gesto, no entanto, não afastou os fantasmas do comunismo e do tenentismo a ele associados. Essas duas frentes, por sua vez, eram forças a serem suprimidas, segundo a ótica dos militares e das lideranças civis contrárias a Getúlio.

Em 1937, foi descoberto um suposto plano de uma revolução comunista a ser executado no Brasil, o chamado Plano Cohen. Esse plano teria sido forjado pelo capitão Olímpio Mourão Filho (conhecido membro do Integralismo, grupo que, no início da década, apoiava o então presidente) com o objetivo de provocar alarde na opinião pública e justificar um golpe de Estado e a formação do Estado Novo. Vale salientar que a adesão/simpatia popular ao golpe não ocorreu de forma instantânea, mas de uma ação estatal que perdurava desde 1935. O Governo Federal, por intermédio da propaganda, foi implantando no seio da sociedade (qualquer semelhança...) o quanto era “letal” o comunismo, fazendo com que a sociedade se amedrontasse e o repelisse caso houvesse uma tentativa de implanta-lo no país. Por fim, o Sistema político, de caráter ditatorial, iniciado em 10 de novembro de 1937, conhecido como Estado Novo perduraria até o ano de 1945.

Em penúltimo lugar, está a deposição de Vargas em 1945. O grande paradoxo (ou o engraçado) é que os mesmos militares que facilitaram sua ascensão ao poder providenciaram a sua queda.

O mundo aspirava ao fim da Segunda Guerra Mundial e Vargas, assim dizem as más línguas, era simpatizante do fascismo europeu tendo, inclusive, se aproximado da Alemanha nazista no início do Estado Novo, mas dela afastou-se nos meados do conflito (por pressão dos americanos, segundo alguns historiadores, temendo sermos invadidos por estes) passando a apoiar as potências aliadas, como EUA, Inglaterra e URSS, que foram vencedoras da guerra.

O cenário pós-guerra veio então impregnado de mensagens de paz, democracia e direitos humanos e essa nova roupagem com a qual se guarnecia o mundo fez com que o Estadista se convencesse de que não teria cabimento continuar um regime nos moldes do Estado Novo. Iniciou então um processo de abertura democrática que visava nada mais que sua permanência no poder.

O estadista gaúcho aproximou-se tanto do PCB, bem como das bases operárias urbanas acreditando que ali estava o apoio necessário para conseguir seu intento. Essa aproximação resultou no Queremismo e no aumento do descontentamento das lideranças liberais e militares para com o Chefe de Estado. A “gota d'água” veio com o afastamento do então  chefe de polícia do Distrito Federal João Alberto Lins de Barros. Em resposta, tropas se mobilizaram no Distrito Federal. Gaspar Dutra e outros militares, procurando evitar derramamento de sangue, propuseram a Vargas que assinasse um documento de renúncia ao cargo. Passado esse momento, Getúlio refugiou-se em sua cidade natal, São Borja.

Chegamos então ao final da primeira parte deste postulado apresento-lhes o item derradeiro de nossa lista: O Golpe Militar de 1964. Seus principais fatos são:

João Goulart, nos anos de 1963 e 1964, apresentava uma postura polêmica ao incitar militares de patente baixa, como sargentos, a se insubordinarem contra a hierarquia militar;
Além de apoiar as reivindicações de reformas dentro da estrutura militar, Goulart também tinha propostas de reformas de base em outros setores, como o setor agrário.

Em meio a essa ambiência, na madrugada de 31 de março, o general Olímpio Mourão Filho (sim, ele mesmo!) mobilizou suas tropas de Juiz de Fora contra o governo. Ao mesmo tempo, no Rio de Janeiro, Costa e Silva liderou outra ofensiva, independente da de Mourão. Goulart, no dia seguinte a essas ações, não havia ainda se manifestado.

No dia 2 de abril, o Congresso Nacional, pensando que o presidente havia se exilado, declarou a presidência vaga. O presidente do Congresso, Ranieri Mazzili, assumiu o posto. Goulart ainda não havia saído do país, mas já era tarde: a decisão do Congresso estava tomada e, a dos generais, idem. Estes instalaram o Supremo Comando Revolucionário e escolheram, por meio do Ato Institucional nº 1, um novo presidente para o Congresso.

Ante a exposição acima, o que se concluí? O Brasil parece fadado a repetir ciclicamente seus acontecimentos históricos. Recomendo assistirem aos filmes “Mauá – o Imperador e o Rei” e o também brasileiro “Eles não usam Black tie” para depois refletir: mudou alguma coisa em nosso país? E nesse ponto alguém me pergunta: “Juliana, cadê a segurança jurídica?” Afirmo-lhes que a mesma é um princípio constitucionalmente garantido não de maneira expressa, mas implícita e para que a mesma exista pressupõe-se uma ordem jurídica em que se garantam importantes instrumentos para a defesa dos particulares em face do Estado e seu poder de império. Em cenários politicamente instáveis, esta fica ameaçada e sua manutenção comprometida, pois geralmente cometem-se atos travestidos de legalidade com propósitos outros que não o alcance da justiça.

Em Direito, além da adequação da norma ao caso concreto, existe a preocupação com os precedentes, ou em outras palavras com a jurisprudência, entretanto o verbete precedente expressa melhor o entendimento que devemos ter agora e me atrevo a afirmar que uma vez alcançada tal meta, sua profundidade será de cunho paradoxal.  A resposta está na leitura das entrelinhas, contudo nossa mente tenderá a vasculhar a fim de encontrar o porque da construção de um arcabouço jurídico tão voltado a nos proteger das vicissitudes dos perfis ditatoriais e coronelistas se ao final lançar mão das, por assim dizer, ferramentas destes regimes parece mais célere e eficiente.

É triste perceber o abalo que os alicerces trazidos pela Constituição de 1988 vem sofrendo. Ordem e progresso é o que diz a nossa flâmula e não o contrário.


REFERÊNCIAS


FERNANDES, Cláudio. "Quantos golpes de Estado houve no Brasil desde a Independência?"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/historia/quantos-golpes-estado-houve-no-brasil-desde-independencia.htm>. Acesso em 23 de agosto de 2016.


https://dicionariodoaurelio.com/. Acesso em 23/08/2016.



sábado, 16 de julho de 2016

Cristão – quem é você


A palavra de Deus, no livro de Oséias, cap. IV, verso VI, primeira parte, diz: “O meu povo  foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento.” Dessa passagem se depreende o entendimento de que é importante para o cristão crescer também em conhecimento, pois esse é um dos ramos do poder.

Um cristão que bem maneja a Palavra da Verdade (2Tm 2-15) é um cristão mais difícil de ser ludibriado pelo inimigo, não propenso, dentre outras coisas, a dar ouvidos a doutrina de demônios (1Tm 4-1). Desse modo, o presente estudo tem o objetivo de revelar cinco pontos integrantes da identidade cristã, fazendo a ressalva de que tal rol é exemplificativo e não taxativo, uma vez que nosso Deus é fonte inesgotável de sabedoria e tesouros e assim, portanto, fomos agraciados por estas e por muitas outras coisas nas regiões celestiais (Ef 1-3).

Primeiro ponto: você é filho de Deus (Jo 1-12). Recebeu, ou melhor, reconheceu Cristo como Salvador e Senhor de sua vida? Parabéns! Você se tornou filho de Deus e olhe o que diz ainda o versículo: “... deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus...”.  Perceba: ser filho de Deus é um direito e também um poder que o próprio Deus nos concede;

Segundo ponto: você é irmão de Jesus (Rm 8-29). A compreensão deste segundo ponto decorre do primeiro. Uma vez feito membro da família de Deus (Ef 2-19), Cristo torna-se seu irmão;

Terceiro ponto: você é coerdeiro com Cristo (Rm 8-17). Este ponto, tal como o anterior, guarda relação com o primeiro. Acompanhe – filhos, logo herdeiros e coerdeiros de Cristo. Em outras eras, apenas o primogênito herdava os bens da família. Na atualidade, todos os filhos são herdeiros, não importando se detentores ou não da primogenitura. Cristo, conforme a Palavra,é o primogênito entre muitos irmãos, porém o que é Dele também é nosso;

Quarto ponto: você tem autoridade sobre as forças do mal (Lc 10-19). Os quatro evangelhos são ricos em passagens que corroboram a divindade de Jesus e, portanto, sua autoridade sobre os espíritos malignos. Nessa passagem, em especial, vemos que Ele revestiu a Sua Igreja com este mesmo poder;

Quinto ponto: Cristo é o dono da casa e você é o doméstico (Mt 10-25). Em algumas traduções bíblicas, ao invés da expressão “dono da casa” encontramos a expressão “pai de família”, mas isso não muda ou sequer atrapalha entendermos que Jesus é Senhor sobre nós, já que Ele é o Cabeça da Igreja (Ef 5-23). Isso significa dizer que estamos suscetíveis a padecer as mesmas aflições, calúnias, injustiças e/ou perseguições pelas quais Ele passou durante Seu ministério terreno. Em outras palavras, ser cristão é ser parecido com Cristo e assim, tal como somos convidados a alcançar a estatura do Varão Perfeito (Ef 4-11;14), imprescindível é que nos conscientizemos que isso implica, inclusive, padecermos por amor de Seu nome (MT 10-22).

Como considerações finais, temos que a pessoa, uma vez feita sua manifestação de fé em Cristo, reconhecendo Seu sacrifício expiatório; investida na família de Deus, e herdeira das coisas do Céu, não é mais a mesma, e muito menos pertence mais a este mundo (Jo 15-18; 19 e 17-14;16).


O viver pelo Espírito (Rm 8-5) e Nele frutificar (Gl 5-22) passam a ser as diretrizes do seu viver, não significando estar apartado, necessariamente, das coisas dessa terra, mas estas se tornam secundárias (Mt 6-33), inclusive, em seu coração (Lc 12-34).

terça-feira, 12 de julho de 2016

Primeiro Quinquênio




O mês de junho veio, se foi, porém é válido o registro de que, foi neste dito interstício de tempo que concretizei a ideia de inaugurar este espaço. Lembro-me como se fosse hoje minhas dúvidas, medos e incertezas de como seria a recepção de meu público, aliás, eu não sabia nem se teria um público!

Mas, o que outrora foi um turbilhão de emoções conflitantes, agora é o júbilo de um coração palpitante de alegria e uma alma cheia de gratidão ao Deus dos Céus por ter me concedido esse dom. Deixei-o enterrado por vários anos e quando resolvi exercita-lo novamente cheguei a questionar o que faria com tal coisa, uma vez que vivo em um país onde a maioria da população é analfabeta funcional. Foi daí que alguém me disse: “Escreva!” e assim o fiz, tal como Moisés ouviu o comando do Senhor: “... Diga ao povo que marche”.

Enfim, cinco anos, cinco mil e vinte e três (e contando) visualizações de página. É o Blog Ju Passinho comemorando seu primeiro quinquênio de existência, com a certeza de que ainda há um longo caminho a percorrer e muito ainda para se aprimorar, contudo basta a cada dia o seu mal.


Deixo aqui o meu abraço e o meu muito obrigado a você, querido leitor, sem o qual, esse labor seria vão. Felicidades a nós e que venham mais cinco! 

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Ideias e Oportunidades de Negócio


Diferentemente do que parece ser, nem toda ideia é uma oportunidade de negócio. As ideias são bastante genéricas. As oportunidades de negócio, não. Para exemplificar, o que você escolher para presentear o seu amor ou até mesmo o que vier a sua mente como cardápio para o jantar, são ideias, porém, em tese, não significa que essas abstrações podem ser transformadas em oportunidades de negócio. Complicado? Então prepare-se, pois a coisa só piora (brincadeirinha): nem toda ideia, aparentemente uma boa oportunidade de negócio, deve ser posta em prática, mas calma! Vamos esclarecer as coisas.

A priori, destaquemos a diferença entre as duas expressões:

Ideia – existe em maior quantidade. Pode ser uma abstração; intuição; plano. Toda oportunidade de negócio surge através de uma ideia, mas não o inverso.

Oportunidade de negócio – é a ideia economicamente viável, mas cuidado! Negócios, a princípio, economicamente viáveis não são sinônimos de boas oportunidades de negócio. Tem que haver um filtro e, neste caso, a ferramenta ideal é um estudo de mercado, seguido de um bom plano de negócio.

Feitas estas considerações iniciais, aqui vai um importante conselho: não queime etapas, tampouco tenha pressa em concluí-las, principalmente se a etapa em questão for a de planejamento. Tenha em mente que o planejamento será a causa do sucesso ou do fracasso do seu empreendimento, isso sem falar na ingerência, mas isso é assunto para outra hora.

A carga tributária brasileira é muito alta. O Estatuto das Micro e Pequenas Empresas veio para facilitar as coisas, mas mesmo assim o fardo a carregar é pesado para o iniciante. Além disso, é imprescindível que aquele que deseja empreender entenda que, apesar de ter se tornado seu próprio patrão, terá jornadas de trabalho bastante excedentes à que se submete o trabalhador formal e que terá que abdicar, inclusive, de seus finais de semana e feriados. Mesmo que seu capital inicial seja suficiente, até mesmo, para contratação de mão-de-obra, a presença do dono é primordial, pois como diz aquele ditado: “o olho do dono é que engorda o gado”.

Dando continuidade ao presente postulado e, aqui acreditando que a ideia principal do que seja uma ideia e uma oportunidade de negócio foi absorvida, importante salientar que a oportunidade de negócio e o empreendedor não podem estar desarmonia. Significa dizer que a oportunidade deve se ajustar ao empreendedor. Não é recomendável que uma pessoa resolva ingressar em um mercado que não lhe atrai e aqui não estou falando de lucro. Dinheiro não é tudo! Verdade é que a oportunidade pode ser também definida como aquilo que gera lucro, todavia há outras questões envolvidas, tais como perfil individual, know-how e motivação. Geralmente, o que leva um indivíduo a empreender é a possibilidade de trabalhar para si e, principalmente, trabalhar com o que gosta e é sobre este último que versa este parágrafo. De fato, não há nada que proíba uma pessoa a enveredar por certo negócio face ao alto lucro que este venha a render, mas quem assim procede corre o risco de após algum tempo descobrir que não se identifica com aquilo, mas aí não mudará de ramo porque “o aquilo está dando dinheiro” e, a depender da situação, há a possibilidade desse dinheiro ser gasto com terapia e antidepressivos.

Outrossim, e, como já dito em parágrafos anteriores, o que vai separar a ideia da oportunidade de negócio é o estudo de mercado e, posteriormente, a confecção de um plano de negócio. Saliento, contudo que a construção deste último só ocorrerá após o empreendedor decidir qual será o seu produto ou serviço. Com referência ao primeiro, a pesquisa mercadológica pode acompanha-lo, todavia com aquele não se confunde. O estudo de mercado possibilita a identificação da demanda ou a criação desta, como também analisa e antevê problemas conexos. A pesquisa mercadológica, do produto ou serviço, por sua vez, é que irá prover o administrador de dados qualitativos e quantitativos, que podem ser relativos à idade, sexo, hábitos de compra, etc.

Por fim, o uso das ferramentas acima é o que possibilita, como já dito, ao empreendedor diferenciar a ideia da oportunidade de negócio e assim revelar informações importantíssimas tais como a existência ou não de concorrentes, quais as possíveis barreiras para novos entrantes e, sobretudo, a viabilidade do negócio. Frise-se que esta tem que ser entendida como sobrevida (inclusive no aspecto ambiental), pois há determinadas ideias que podem ser rentáveis por certo período e depois sofrerem saturação. O ideal é que o produto ou serviço seja concebido de forma a agregar valor ao cliente e no decorrer de seu ciclo de vida sofra alterações com vistas a não enfadar o consumidor. Alem disso, deve dificultar, ao máximo, a ação da concorrência.

REFERÊNCIAS



Deus Atende Desejos ou Necessidades?