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terça-feira, 12 de julho de 2016

Primeiro Quinquênio




O mês de junho veio, se foi, porém é válido o registro de que, foi neste dito interstício de tempo que concretizei a ideia de inaugurar este espaço. Lembro-me como se fosse hoje minhas dúvidas, medos e incertezas de como seria a recepção de meu público, aliás, eu não sabia nem se teria um público!

Mas, o que outrora foi um turbilhão de emoções conflitantes, agora é o júbilo de um coração palpitante de alegria e uma alma cheia de gratidão ao Deus dos Céus por ter me concedido esse dom. Deixei-o enterrado por vários anos e quando resolvi exercita-lo novamente cheguei a questionar o que faria com tal coisa, uma vez que vivo em um país onde a maioria da população é analfabeta funcional. Foi daí que alguém me disse: “Escreva!” e assim o fiz, tal como Moisés ouviu o comando do Senhor: “... Diga ao povo que marche”.

Enfim, cinco anos, cinco mil e vinte e três (e contando) visualizações de página. É o Blog Ju Passinho comemorando seu primeiro quinquênio de existência, com a certeza de que ainda há um longo caminho a percorrer e muito ainda para se aprimorar, contudo basta a cada dia o seu mal.


Deixo aqui o meu abraço e o meu muito obrigado a você, querido leitor, sem o qual, esse labor seria vão. Felicidades a nós e que venham mais cinco! 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Alice à janela


Alice serviu-se de uma caneca de café e foi degusta-la á janela. O ocaso era seu momento preferido do dia, não só pelo amarelo-rubro de que se pintava o céu. Era a hora do rush, momento em que as principais vias da cidade se tornariam um imenso lençol de luzes vermelhas. Com um risinho no canto da boca, Alice ponderava ser ela a única pessoa a ver poesia naquilo, mas era o jeito Alice de ser: viver à margem do comportamento urbano. Para ela era prazeroso sentir o cheiro do mar ao cruzar a Avenida Contorno, mesmo com o coletivo lotado.

Terminada a bebida, a mulher depositou a caneca a seus pés e prosseguiu em apreciar a paisagem. Residia em um bairro classe média e àquela hora as cenas mais frequentes eram os pais de família retornando de mais um dia de labuta e a molecada, sempre aos bandos, voltando da padaria. Vislumbrar aquelas embalagens brancas provocava-lhe um sentimento nostálgico – fora criança no tempo em que os sacos de pão eram de papel. Também em sua época, professores eram mais respeitados, dava-se valor à virgindade e não se pensava em transformar sandices em lei. Essa conjectura, tal como outrora, de igual modo a fez recordar-se de que houve um tempo em que a filosofia de alguém se pautava muito mais nas coisas que dizia do que em seu comportamento. E o que dizer do falar?! “Ah, o falar!” – suspirou ela – Arte tão deficiente entre aqueles que formam os atuais grupos de referência. Como seriam tais pessoas aos olhos de Aristóteles, Demóstenes e Cícero, famosos oradores? Verbosidade, aliás, assim pensava Alice, seguindo a mesma linha de raciocínio, era a menor das preocupações da sociedade atual. Carecia-se mais de valores. Importantes pilares da sociedade vêm sendo removidos sob a desculpa de que faz necessária a quebra de paradigmas e os que percebem o embuste vem sendo perseguidos, tachados de retrógrados intolerantes, preconceituosos; jogados aos leões pela mídia.

Um dia, alguém disse que os laços estavam muito apertados e é verdade. É só fazer um pequeno tour pela História e lá constatar que gerações inteiras foram, por assim dizer, “castradas” por causa do advento de ideologias embasadas em distorções da verdade, convenientemente vendidas como modelos de moral e bons costumes. As motivações para tais práticas foram, sobretudo, políticas e algumas delas infelizmente perduram até hoje.

Alice sentia-se indefesa e impotente diante de tal quadro ao passo que pensava se realmente havia o que ser feito, pois o mesmo povo que clama por justiça, tem sede de sangue, o mesmo povo que exige honestidade por parte de seus parlamentares tem por “otário” o seu semelhante que se recusa a participar daquele “negociozinho”, que por mais insignificante que pareça ser, não perde seu cunho escuso.

Se Alice desafiada fosse a nomear tal fenômeno e porque não dizer enfermidade que tem empurrado a coletividade ao abismo, não precisaria inventar nenhum vocábulo novo. Tratava-se de hedonismo e nada mais.

Cansada de fazer inferências, a mulher de estatura mediana decidiu deixar a janela, porém deteve-se mais um pouco por conta de escutar alguém gritar o seu nome. Seu rosto irradiou-se ao ver que se tratava de sua vizinha da frente que, após as gentilezas de praxe, perguntou-lhe quais seus planos para aquela noite, entretanto tomar ciência dos mesmos causou-lhe espanto, pois não entendeu o que levou a outra a marcar um compromisso daquela natureza bem na hora da novela.

sábado, 16 de junho de 2012

A Era do Conhecimento e a Emburratização

Na década de oitenta, Peter Drucker previu que entraríamos na era do conhecimento e isso é verdade - estamos vivendo nela, mas percebi também que há uma força trabalhando contra o avanço do saber e aqui a denominaremos de "emburratização".

Há quem possa julgar o que Drucker chamou de era do conhecimento como uma coisa contemporânea, mas a emburratização, (termo a que peço licença ao querido leitor para usa-la sem me valer das aspas tal como fiz no título) não. Ela já vem de longas datas, do tempo em que alguém (diga-se sempre) se ocupou em espalhar que o saber e o conhecer é privilégio de poucos, que a ignorância e a felicidade andam de mãos dadas, que estudar é para quem não nasceu bonito e, portanto, não pode ser artista, essas coisas.

O sabido incomoda. Basta que alguém demonstre ter um pouquinho mais de "tutano" para começar a sofrer bullyng de variadas formas. Diante disso, o geniozinho, coitado, em busca de aceitação, decide emburrecer ou se manter na média.

Como foi dito no segundo parágrafo, não são de agora as astutas manobras a fim de manter o povo na ignorância. O dominador sabe que não pode com cabeças pensantes. Vejam por exemplo o que ocorria em nosso país durante a ditadura. Quem se atrevia a pensar diferente era tachado de subversivo e tornava-se alvo de perseguição. Os estudantes de Filosofia, Sociologia ou de qualquer outra "ia" que ensine a pensar, pior ainda! Chegaram até a criar os cursos de nível médio técnico de modo a ninguém precisar (leia-se impedir, evitar...) ir a faculdade.

Refletir a respeito destas coisas me faz indagar cada vez mais que paradoxo é esse: é a emburratização andando em paralelo à indústria do conhecimento e, diga-se de passagem, que força ela tem! Ao ligar a TV, vemos as mulheres frutas, condimentos e répteis, com seus corpos esculpidos disseminando (ou ressuscitando) a cultura da mulher objeto, novelas, os realities besteiras, besteiras e besteiras e outros programas que atentam, afrontam e ofendem nossa inteligência tendo altos índices de audiência para sorte deles e infortúnio nosso. Essas coisas além de alienar, atrai outra sorte de prejuízos.

Estudar, no entanto, continua sendo pré-requisito pra se arrumar um emprego e, consequentemente, ganhar dinheiro. O mercado de trabalho, hoje mais exigente, sempre requereu de nós a qualificação. Diante disso,  continuando o raciocínio ante ao paradoxo citado no parágrafo três: milhões correm em busca do conhecimento que lhes dará o diferencial a fim de conquistar a tão almejada colocação e, diga-se de passagem, não qualquer colocação, e sim à que o esforço seja mínimo e o retorno máximo. Imagino que alguém aí do outro lado acabou de gargalhar e exclamar: "É assim mesmo!". Que se danem os investimentos a longo prazo! Queremos plantar agora e colher ontem!

Veja o que escreveu o filósofo Arthur Schopenhauer, na primeira metade do século XIX:


"Quando observamos a quantidade e a variedade dos estabelecimentos de ensino e aprendizado, assim como o grande número de alunos e professores, é possível acreditar que a espécie humana dá muita importância para a instrução e a verdade.
... E os alunos não aprendem para ganhar conhecimento e se instruir, mas para poder tagarelar e ganhar ares de importantes. A cada trinta anos desponta no mundo uma nova geração, pessoas que não sabem nada e agora devoram os resultados do saber humano acumulado durante milênios, de modo sumário e apressado, depois querem ser mais espertas que todo o passado. É com esse objetivo que tal geração frequenta a universidade e se aferra aos livros, sempre aos mais recentes, os de sua época e próprios para sua idade. Só o que é breve e novo! Assim como é nova a geração, que logo passa a emitir seus juízos. - Quanto aos estudos feitos simplesmente para ganhar o pão de cada dia, nem os levei em conta." (A arte de escrever, Schopenhauer, 2005, L&PM Editores, pag 19)

Adaptando a passagem acima ao nosso contexto, veja se não é isso que estamos vivendo? Ainda citando Schopenhauer (2005), o que se tem em mente hoje não é a instrução e sim a informação. Busca-se os títulos. A palavra profissional tem perdido seu sentido etimológico. O bom agora é estudar para ser "doutor". Eles estão errados? Em uma análise superficial, não. Para que um saber profundo, genuíno e de qualidade em um mundo que lhe oferece em troca a massificação e a alienação? Pobre de mim e meus "textos cabeça" e que alegria a minha ter quem me leia!

Disse Jesus: "Entrai pela porta estreita porque larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela". Quem tem ouvidos para ouvir ouça e bem-aventurados são os que leem as entrelinhas. Do contrário, que Deus tenha misericórdia de nós.


terça-feira, 13 de março de 2012

A Síndrome do Super-Herói

Meditando acerca de algumas coisas, descobri que boa parte da população sofre de um mal que denominei de Síndrome do Super-Herói. Essa patologia com certeza tem outro nome e também deve ser algo que Freud explica, mas cheguei a essa conclusão (ou a esse diagnóstico) analisando alguns fatos e notei que estamos sempre esperando que uma pessoa só faça tudo: desejamos que o craque tal ganhe a copa do mundo, elegemos prefeito, governador e presidente e ansiamos que estes, em um ou dois mandatos, dêem jeito em problemas que já estão acumulados há várias gestões e, aliás, neste aspecto, quem eu acho que sofre mais é o Presidente da República. Oh, Deus, que fardo! Imaginem governar um país de 512 anos, que já nasceu endividado, que teve boa parte de suas riquezas naturais sugadas pela metrópole, lutar contra a corrupção, contra a fome, inflação, desemprego, drogas, violência... Ufa! Muitas tarefas para uma pessoa só não acham?

Não estou aqui fazendo apologia a senhor ninguém e, como todo bom cidadão também desejo que meus representantes nas três esferas do governo façam alguma coisa, porém temos que ser razoáveis e entender que por mais bem intencionados que alguns deles estejam isto não lhes deixa imunes ao ataque das forças contrárias ao desenvolvimento socioeconômico de nossa nação - gente interessada em que tudo continue como está.

No meio evangélico, infelizmente, esse mal também assola:. vários crentes lançam mão ao arado e depois olham para trás com a desculpa que o pastor não "abraçou". Afinal que abraçar é esse? Por que Cristo nos ensinou coisas, sobre comunhão, partir do pão e vida em comunidade se, no fundo, no fundo, achamos que o trabalho é só de um? Como estudante de Administração entendo os benefícios da distribuição de tarefas, da descentralização de poder, da cooperação e do trabalho em equipe, entretanto também fico triste ao perceber que tem muita gente que não está nem aí para nada disso.

Melhor seria então para nós, alguém poderia dizer, se vivessemos no universo do Sr. Lee. Lá, haveria uma diversificada gama de superdotados criados especificamente para pôr fim em nossas mazelas. Contudo ainda teríamos que nos submeter à vontade dos roteiristas. Que Deus nos livre dessa má hora!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A violência oculta

Violência é um comportamento que causa intencionalmente dano ou intimidação moral a outra pessoa, ser vivo ou dano a quaisquer objetos. Tal comportamento pode invadir a autonomia, integridade física ou psicológica e mesmo a vida de outro. É o uso excessivo de força, além do necessário ou esperado.[1] O termo deriva do latim violencia (que por sua vez o amplo, é qualquer comportamento ou conjunto de deriva de vis, força, vigor); aplicação de força, vigor, contra qualquer coisa.
Assim, a violência diferencia-se de força,[2] palavras que costuma estar próximas na língua e pensamento quotidiano. Enquanto que força designa, em sua acepção filosófica, a energia ou "firmeza" de algo, a violência caracteriza-se pela ação corrupta, impaciente e baseada na ira, que convence ou busca convencer o outro, simplesmente o agride.
Existe violência explícita quando há ruptura de normas ou moral sociais estabelecidas a esse respeito: não é um conceito absoluto, variando entre sociedades... (fonte Wikipédia, a enciclopédia livre).

Quem quer que seja que quer o mal da humanidade, mudou de tática. O enunciado acima nos ensina o que é violência e, considerando que este conhecimento está ao alcance de todos, digamos que estamos "vacinados" a esse respeito, porém da violência explícita de que trata o último paragráfo, tenho cá minhas dúvidas.
Os que me conhecem um pouquinho mais sabem que não possuo formação em nenhuma das profissões que tratam da psiquê humana, mas assim como todas as mães do mundo, sou dotada de materno instinto e foi este que me fez perceber que o inimigo mudou de estratégia. Controlamos os passos de nossas crianças, restringimos seus horários e até, se necessário for, fazemos uso do imperativo de nosso pátrio poder a fim de resguarda-los dos perigos externos, todavia bastam dez minutos na frente da TV hoje em dia para que o mesmo sinal de alerta que disparou em meu ser denunciando o mais novo (por assim dizer) tipo de violência ao qual os nossos filhos estão expostos, apite no interior de outros genitores. A clara ruptura nas normas ou moral sociais vem sendo, sem nenhum pudor, vendida  como "modernidade" para os nossos jovens e crianças. Programas impregnados de tudo que é atrativo aos olhos, distribuem sua comida estragada envenenando mentes e mandando toda sorte de mensagens subliminares do mal ao subconscientes alheios. O resultado de tudo isso está estampado nas páginas policiais: homicídios, adúlterios, furtos e outros acontecimentos atrozes.
Há quem esteja com sua preocupação voltada para o nível de violência contida nos filmes, quadrinhos e video-games, mas muitas vezes fecham os olhos para o que é nocivo numa escala muito maior. Atentados violentos à nossa integridade psíquica acontecem diariamente, porém ninguém faz nada já que a embalagem afirma se tratar apenas de entretenimento. Foi preciso acontecer um suposto estupro para que aquele programa com três letras começasse a ser visto com outros olhos. Pena que isso só aconteceu depois de sermos ocular e auricularmente molestados com 12 edições daquele lixo. Mesmo quem não perde seu tempo, muito menos, "queima" seus neurônios com todo aquele besteirol, padece sendo forçado a ouvir os comentários dentro do elevador, no ônibus ou na pausa para o cafezinho durante o expediente.
Queremos que as autoridades tomem medidas mais drásticas naquilo em que consideramos como violência propriamente dita, entretanto carecemos de quem reprima aquilo que aparentemente não "arranca pedaço". 
Portanto pais, cuidado! Cuidado com o mal travestido, bem vestido e maquiado, que tem aparecido na mídia ensinando a seus filhos que legal é namorar com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, respeitar os mais velhos, professores e demais autoridades não está com nada, que rebeldia é sinômino de ousadia, que estudar é coisa pra "gente feia" e por aí vai.
É tarefa nossa ensinar nossas crianças o caminho pelo qual elas devem andar. Filhos disciplinados hoje não sofrerão sanção do judiciário amanhã.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A Timidez


A Timidez ou o Acanhamento pode ser definida como o desconforto e a inibição em situações de interação pessoal que interferem na realização dos objetivos pessoais e profissionais de quem a sofre. Caracteriza-se pela obsessiva preocupação com as atitudes, reações e pensamentos dos outros. A timidez aflora geralmente, mas não exclusivamente, em situações de confronto com a autoridade, interação com algumas pessoas: contato com estranhos e ao falar diante de grupos - e até mesmo em ambiente familiar.
A timidez é um padrão de comportamento em que a pessoa não exprime (ou exprime pouco) seus pensamentos e sentimentos e não interage ativamente. Embora não comprometa de forma significativa a realização pessoal, constitui-se em fator de empobrecimento da qualidade de vida. Deste ponto de vista, a timidez não pode ser considerada um transtorno mental.
Aliás, quando em grau moderado, todos os seres humanos são, em algum momento de suas vidas, afetados pela timidez, que funciona como uma espécie de regulador social, inibidor dos excessos condenados pela sociedade como um todo, ou micro-sociedades.
A timidez funciona ainda como um mecanismo de defesa que permite à pessoa avaliar situações novas através de uma atitude de cautela e buscar a resposta adequada para a situação (Fonte: Wikipédia).
Meus queridos, eu nasci tímida e, nesse instante, não consigo encontrar outra expressão para quantificar o quanto esse mal me afligia senão a popular “bicho do mato”. Quando eu era bem pequena, vivia agarrada à saia de minha mãe. Ela ainda guarda algumas fotos (as que eu não consegui destruir) em que transparecia o meu jeito acanhado de ser. Um ambiente com várias pessoas me constrangia tanto que eu até passava por mal educada ou arrogante, pois me era dificultoso ao extremo abrir a boca para proferir um simples “bom dia”.
As coisas só começaram a mudar quando me conscientizei de que esse acabrunhamento era uma barreira ao meu desenvolvimento. Perdi algumas boas chances no mercado de trabalho porque a timidez me fez falhar na entrevista. Antes desse despertamento, eu  necessitava da influência de terceiros para “funcionar” e, diga-se de passagem, 80% delas foram muito constragedouras e desagradáveis.
Tornar-me uma cristã e, consequentemente, conhecer a Palavra de Deus, foram para mim duas importantes ferramentas para enfrentar esse inimigo (há coisa pior do que lutar consigo mesma?!). A revelação descrita em Ap.21-8, me assustou um pouco, mas depois o Espírito Santo foi me fazendo ver o que é ser tímido aos olhos de Deus. Isso me trouxe conforto, contudo não me fez desistir do intento de melhorar meu tato social.
Esse horizonte ampliado me inspirou a fazer um estudo sobre o assunto e, em 2007, ano em que integrei a diretoria da União de Jovens de minha congregação, como Diretora de Programa, eu o apresentei e a ocasião foi maravilhosa! Ouvi diversos testemunhos, compartilhei experiências e depois apliquei um pequeno, mas muito interessante e revelador teste escrito, a fim de que a audiência pudesse se auto-avaliar nesse quesito.
Ao final dele, li 2Tm.1-7 e lembrei aos presentes quem é e para que serve o Espírito Santo na vida do crente. Eu ainda não me considero uma ex-tímida, mas em compensação sei que fiz progredi bastante e me apego à passagem citada e também a muitas outras da Bíblia Sagrada toda vez que me sinto na iminência de “travar” por vergonha. Ser cristão não é para covardes e tem momentos que tudo parece conspirar contra nós, entretanto é nessas hora que o Espírito entra em ação. A carne milita tentando nos manter estagnados, mas o Espírito de Deus diz: “Vai!” e a gente tem que ir! Com as pernas tremendo, o coração quase saindo pela boca ou com as mãos geladas, não importa, temos que avançar! “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me”(Lc 9-23).
Pode parecer difícil, meus amados, mas não é impossível. Temos Jesus para nos espelhar, temos os amigos e os irmãos para nos ajudar (mesmo que o auxílio “doa” um pouquinho). O que não podemos é deixar o inimigo usar isso contra nós, muitos menos enterrar os talentos que Deus nos deu. Recordemo-nos de que seremos cobrados por isso (Mt 25-16;29).

quinta-feira, 21 de julho de 2011

A Liderança de Neemias

A leitura dos treze capítulos do Livro de Neemias nos revela, primeiramente, o quão determinado este personagem bíblico era. Essa mesma determinação o leva, após ter recebido a permissão do rei para tanto, a iniciar seu regresso a Jerusalém, dando assim o pontapé inicial ao seu projeto.
Como empreendedor, deu exemplos invejáveis de planejamento e organização, fatos que podem ser observados, inicialmente, na vistoria que realizou em companhia de uma parte de seus colaboradores (cap. 2, a partir do verso 11) e mesmo diante do aspecto devastado da cidade não se abateu. Ao invés disso, aplicou um discurso motivador àqueles que o cercavam na ocasião, recebendo em troca o escárnio de alguns, porém permaneceu com o mesmo espírito. Esse mesmo enfoque segue a narrativa até o final do capítulo três onde podemos notar que o profeta mantinha relatórios detalhados de todo o trabalho que vinha sendo executado.
Do capítulo quatro em diante podemos por assim dizer que seus atributos de líder começaram a ser postos a prova diante da reação de seus inimigos por causa da prosperidade do empreendimento. Mais uma vez Neemias lançou mão da fé e da determinação que o motivava e tratou de contagiar os seus com essas poderosas ferramentas para que não desfalecessem. No capítulo cinco, fez uso de um recurso que não deve ser menosprezado por ninguém que almeja liderar com excelência: um colaborador sente-se muito mais empolgado a cumprir zelosamente suas tarefas quando percebe que o seu superior imediato preocupa-se com suas necessidades. Restaurar os muros e reedificar a cidade era o desejo do coração do empreendedor, contudo ele não se esqueceu de que seus liderados também possuíam suas preocupações individuais. Um trabalhador rende muito mais em seu serviço quando tem certeza de que há alguém velando, não só pelos seus interesses, mas também por aqueles que estão sob sua tutela.
Outros percalços se interpuseram no caminho de Neemias ao longo do caminho, entretanto este continuou firme e finalmente o projeto foi concretizado.
Terminada a parte braçal, era hora de colocar em ação a segunda parte do empreendimento que era a manutenção do que fora edificado. Neemias, como todo bom líder, cercou-se dos peritos específicos para cada caso, sem se sentir ameaçado pelos conhecimentos desses profissionais.
Para concluir, podemos afirmar que Neemias foi um administrador eficaz por que adotou um estilo de liderança voltado não só para os interesses da corporação, mas também focado naqueles que a compõem e isso somado aos quatro mais importantes princípios administrativos (planejamento, organização, direção e controle), claramente explicitados em suas ações, o conduziram ao sucesso.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Meu testemunho

Minha vida com Cristo iniciou-se em 2002. Não lembro exatamente o dia ou o mês. Só sei que tudo começou com uma voz na minha cabeça. De início, achei que a voz vinha de mim mesma, pois eu estava muito frustrada comigo. Desfrutava de galardões que não haviam sido conquistados com o suor de meu rosto. Beirava os trintas anos e ainda não conquistara nada do que havia sonhado. Eu era casada, tinha uma vida relativamente confortável, mãe de uma criança linda que hoje é um rapazola mais lindo ainda e convivia com muitos que invejavam minha posição de "mulher de advogado".

Entretanto, como afirmei no paragráfo anterior, eu gozava do fruto do suor do meu esposo. Não que isso seja uma coisa ruim, é dever do marido sustentar a família, mas eu queria mais; não queria ser uma sombra, eu queria algo para chamar de meu, todavia por mais que eu desse nada vinha em retorno e quando eu me queixava a respeito com a mulher que era minha sacerdotisa ela me dizia que eu já estava casada e que portanto não precisava galgar mais nada. Frente a essas palavras, a voz na minha cabeça começou a falar comigo um pouco mais alto e, posteriormente, além de falar foi me dando provas concretas das afirmações que me fazia. Passei meses em um conflito interior onde estive totalmente só em minhas conjecturas, pois não tinha com quem desabafar: meus irmãos e minha mãe já eram evangélicos e de certa forma eu os via como inimigos. Meu marido não suportava minha crença ou qualquer outro assunto ligado a religião.

Alguns meses antes de minha conversão, um "acidente cosmético" quase me deixou careca. Chorei como se tivesse perdido um braço e acabei indo me consolar com minha gurua (se é que tal palavra existe). Ela me afirmou que o ocorrido fora de ordem espiritual e que era necessário invocar o perdão da deusa à qual, segundo ela, eu pertencia e, para isso, ela se colocou como minha intercessora e clamou ante a entidade pelo dito "perdão" que eu necessitava. Terminada a cerimônia fui deixada em um quartinho sozinha para descansar e a voz veio de novo me atormentar (convencer, na verdade). Um pânico muito grande tomou conta do meu ser e esse medo me fez ver que espiritualmente eu me encontrava em um caminho vazio cujo final era a morte. Por medo de represálias, insisti no erro ainda durante um tempo, porém um dia, depois de uma noite mal dormida, levantei-me muito cedo e fui me exercitar. No caminho para casa fui atraída pelos cânticos que estavam sendo entoados numa igreja católica perto da minha casa e naquele instante minha vontade de sentir paz era tão intensa que entrei em casa correndo, me banhei, troquei de roupa e fui a missa.

Quando adentrei o pequeno santuário foi como se todos os fiéis tivessem se retirado e me deixado a sós com o padre. Em seu sermão ele externou tudo aquilo que agonizava meu ser e eu não consegui fazer outra coisa além de chorar. Um calor vindo do alto começou a me envolver e me conscientizei que o Deus amoroso que me havia sido apresentado em minhas aulas de catecismo era real. Eu não o vi, mas Ele estava ali. Fui para casa flutuando nesta nova dimensão espiritual e chegando a meu lar meu esposo estranhou minha presença, uma vez que, naquela época, eu estava também em tratamento fisioterápico. Nada lhe respondi, apenas me agarrei nele e passei a chorar emocionada e ele aguardou calmamente que meu pranto cessasse e me interrogou a respeito. Contei-lhe a batalha interior que vinha travando todo aquele tempo e culminei na experiência sobrenatural que passei no templo católico. Meu ex-marido nunca foi muito dado a emoções, porém algumas lágrimas escorreram de seus olhos.

Participei também a ele que eu decidira que daquele dia em diante eu nunca mais me prostaria ou adoraria a nenhuma outra entidade que não fosse o único e verdadeiro Deus. Passadas algumas semanas, mais precisamente em 07 de novembro de 2002, meu nome foi escrito no Livro da Vida e creio que de lá jamais será apagado. Um dia eu fui a mulher do advogado, hoje sou FILHA DE DEUS. Frequentei lugares de certa pompa e agora uma rica herança me aguarda no Reino celestial. Fui conhecida como filha de D. Fulana, mas atualmente me orgulho de ser apontada como aquela que foi remida, lavada e justificada pelo Sangue do Cordeiro.

A excelência no servir

Buscando a definição de excelência no dicionário, vemos que este a conceitua como sendo a qualidade de quem é excelente; sobrecomum. A Bíblia Sagrada diz, entre outras coisas, que Deus é Santo, Soberano, Perfeito e que desde a criação do mundo vem proporcionando para suas criaturas o melhor.
Ao se deparar com a questão de como exercer um ministério com excelência, cada crente precisa, antes de mais nada, se conscientizar de que realizar um trabalho excelente para Deus significa retribuir-lhe um pouco do muito que, em Sua infinita bondade, o Eterno tem proporcionado a Sua igreja. Necessário se faz, de semelhante maneira, prosseguir em conhecer a esse Deus, na pessoa de Seu filho Jesus Cristo, compreendendo quem Ele é e qual o sentido de Tê-lo atuando a favor daquele que lhe é querido.
Desenvolver uma carreira excelente na obra do Senhor é reconhecer que Deus merece que seus filhos lhe ofereçam o melhor, tal e qual os levitas na antiga aliança lhe apresentavam aquilo que a Lei descrevia como sacrifício perfeito a fim de que subisse ao Criador como cheiro suave a suas narinas. Contudo é importante frisar que, em se tratando do Reino de Deus, ninguém está apto a galgar degrau algum sem a presença do Espírito Santo. Coisas espirituais se discernem espiritualmente. O espírito do homem conhece as coisas do homem, mas as coisas de Deus só podem ser reveladas pelo Seu Espírito (1Co. 2-11).
Portanto, aquele que almeja a excelência naquilo em que é útil ao Senhor deve buscar Sua presença. Oração, jejum, leitura e estudo da Palavra são ferramentas indispensáveis no processo. Deus se achega a todo aquele que d’Ele se aproxima. Este procedimento conjugado aos quatro princípios administrativos (planejamento, direção, organização e controle), seja o empreendimento individual ou coletivo é a chave para a prosperidade.  Um crente cheio do Espírito também não terá dificuldade em entender que o sucesso de sua empreitada vem do alto e toda glória tem que ser dada ao Eterno porque d’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas (Rm 11-36).

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Hinos Tradicionais X Hinos Contemporâneos (texto apreciado e conceituado (nota 9,0) pelo pastor e teólogo Luiz Tarquínio)

As letras dos hinários tradicionais foram compostas em uma época em que a igreja cristã se comportava segundo um padrão mais formal. Percebemos isso pela presença de uma linguagem mais rebuscada, com vocábulos milimetricamente escolhidos para uma rima perfeita, semelhantes às poesias escritas pelos autores de um certo gênero da nossa literatura.
Percebe-se, na maioria deles, uma preocupação maior dos compositores em exaltar a soberania e majestade do Deus Pai e, no mesmo contexto, demonstrar empatia em relação ao sofrimento do Messias por amor de nós. A visão desses cristãos era mais voltada para o porvir, com letras recheadas das coisas que nos aguardam no Reino Celestial. Declarações de amor ao Pai das Luzes e expressões de gratidão ao nosso Salvador, Jesus Cristo, também eram uma constante.

Aquele que conhece um pouco da história da música, teologicamente falando, e sua trajetória na antiga e na nova aliança, sabe que a mesma, quando da criação dos hinários hoje conhecidos como tradicionais, tinham como acompanhamento instrumentos como os harmônicos, órgãos ou pianos.

Atualmente, aqueles que se ocupam em ensinar técnicas vocais, com o intento de preparar cantores, mais especificamente para o meio evangélico, especializando-os no canto lírico ou no popular, muitos deles, utilizam esses hinos como ferramentas bastante eficazes para exemplificar a presença das notas musicais e seus produtos (escalas, arpejos, etc.) em uma canção buscando assim um melhor entendimento, por parte de seus pupilos, do conteúdo passado.
As letras contemporâneas, por sua vez, apesar de terem como fonte de inspiração, a mesma Bíblia Sagrada, tal e qual os tradicionais, caracterizam-se por um verso mais "livre" assemelhando-se ao contexto histórico vivido pela Noiva do Cordeiro neste século. A preocupação em anunciar as verdades espirituais, a exaltação aos atributos do Deus Trino e a consciência em relação ao sacrifício do Messias continuam presentes, contudo tem-se a impressão de que os compositores atuais gozam de uma maior liberdade na hora de conceber suas criações, principalmente pela queda de alguns tabus que durante muito tempo geraram controvérsia em meio ao povo de Deus, acerca do que era ou não lícito no momento da adoração.

Essa dita "liberdade", entretanto não trouxe consigo somente coisas boas. Muitos falsos cristãos têm trazido escândalo para o meio evangélico lançando composições caracterizadas por meia dúzia de jargões gospel e de ritmos bastante apelativos servindo de disfarce para aqueles que querem dar vazão à carne sem necessariamente serem chamados de mundanos.

Deus Atende Desejos ou Necessidades?