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quarta-feira, 22 de junho de 2016

Pensamento do dia

A sabedoria alcança àqueles que a buscam, no entanto a estrada tem de ser ladrilhada pela perseverança e pela abdicação.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Filosofia da fé


A filosofia da fé é por ela mesma viver e não por vista. É o firme fundamento daquilo que se espera e a certeza das coisas que não se veem porque, ora, pois, esperança acerca daquilo que se vê não é esperança.

Por seu intermédio, alcança-se testemunho e por suas obras, justiça. Pela fé, de Deus o crente torna-se amigo e, por consequência, galardoado. A fé origina o temor, que por sua vez, o arrependimento e este, a novidade de vida; a fé nasce do ouvir e o ouvir, a Palavra.

A fé é uma vitória e a vitória que vence o mundo; virtude poderosa, mas não maior do que o amor, seu companheiro, parceiro de longa jornada. Suas qualidades se confundem com as do primeiro, uma vez que é de igual maneira paciente, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. Seu tamanho não se mensura, é abstrata; concreta; eficaz. Se do grão de mostarda é a sua dimensão, pode lançar montes ao mar. É a lógica do Criador e loucura para o mundo, sabedoria de Deus com vistas a confundir os sábios cujo deus é o próprio ventre.

A verdadeira fé instrui em justiça, prepara para a boa obra. Sobre ela, já discorreram os doutos, alguns em reconhecimento, outros para sua própria condenação. A fé não tem lógica, haja vista ser ela a própria lógica; racional, com entendimento, onde cinco mais dois é igual a cinco mil, onde a virtude se libera por um toque. A fé chama o morto para fora e por ela a glória se revela, a tudo tornando possível.
Pela fé se sabe que tudo quanto foi feito, pelo logos se fez e houve descanso ao sétimo dia. Pela fé, enxerga-se de longe as promessas, com abraço e confissão. Pela fé, o crédulo se mantém de pé diante do invisível.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Filosofia de amar

O pensador refletia em meio a penumbra. Julgava ele que a escuridão lhe potencializava o processo cognitivo. Barriga para cima, braços cruzados sobre o peito, olhos fixos no teto. Pensava nela. Vez por outra um prolongado suspiro lhe aliviava o enfado da alma. Curtia a dor da saudade. A solidão, deitada a seu lado, procurava chamar-lhe a atenção, mas o Pensador ali deliberava como cientista. Lera em algum lugar que amar o próximo estava condicionado ao amor a si mesmo, entretanto não era isso que se via. Milhares de enamorados atentavam contra a própria vida todos os dias ao passo que outros tentam colher figos de amendoeiras, amarrando sua curta existência à de outros entes calejados de maus costumes.

"Qualquer coisa é melhor do que isso." - sussurrou-lhe a mulher sem face agora deitada de lado a encara-lo.  Pensador ignorou-lhe a assertiva. Nada podia fazer para arranca-la dali, porém reservou-se o completo direito de ignora-la. Estava só porque recusara-se a encarar uma sina pior que a de Prometeu: violentar ele mesmo o seu eu todos os dias com vistas a manter a seu lado a perfeita figura da ingratidão. Aspirava ele àquela hora poder quantificar tão grande paradoxo - o bem de alguém em detrimento de outrem. Tal tarefa era para ele semelhante ao ato de intentar fazer um omelete sem quebrar os ovos.

Sobre o amor está escrito que este é sofredor, é benigno; não invejoso; não leviano, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, Não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta e, partindo dessa premissa, considerava- se aquele homem de meia idade um exímio amante, contudo sua "perfeição" não tinha lugar ou prestígio neste mundo. Sua companheira, tão logo se viu livre, partiu para dedicar-se (para não dizer se condenar) a alguém que nada mais faz senão afligir-lhe dor. É hipócrita qualquer afirmação em contrário. Não se busca mais quem lhe faça o bem ou quem lhe conceda amor e respeito. A moda é amar a quem lhe cospe na face, a quem lhe esmaga o coração com atitudes desqualificadoras, a quem não lhe exalta as virtudes. É hipócrita, de igual forma, a busca pela paz e pela honestidade se a desavença é aquela que se destaca no horário nobre, se a iniquidade, o adultério e a desonestidade mantém cativos milhões de espectadores ávidos em testemunhar suas peraltices e vibrar com suas conquistas. Pensador enojava-se ao passo que apiedava-se de tão enorme gama de indoutos, livres-adictos-cativos-escravos de uma sociedade moribunda, que preconiza a vilania.

"Pobre filosofia de amar essa!" - bradou ele em um misto de revolta e agonia. "Pobre filosofia mundana." - tornou a bradar, mas não com a mesma intensidade do primeiro, pois chorava. Soluços se propagavam ante a ausência de luz, a incompreendida e temida escuridão.




terça-feira, 25 de setembro de 2012

Filosofia de Estréia

Seria muito mais fácil se eu fosse um de meus personagens: poderia viver entre as flores, dormir em meio às estrelas, voar... Consertar o mundo com minha caneta seria uma peripécia e tanto, mas as muitas letras não me foram dadas para meu proveito; minha missão é outra e minha filosofia de vida é prosseguir até em casa, descalça, enquanto os outros vislumbram o par de sandálias em minhas mãos. O que me aconteceu? Nada. Eu cresci, sou gente grande agora deixei para trás as coisas de menino.
Escreverei aqui inspirada por dias felizes, dias tristes ou em dias de sabedoria, como hoje, onde afirmo que vejo e sinto como todo mundo, apesar de o mundo não me tratar como se eu fosse do mundo.
Sou amiga e tenho inimigos, e tem também aqueles que deixei encarcerados num meio termo, porque são tóxicos. Nietzsche disse que quem vive de combater um inimigo tem interesse em deixa-lo com vida, eu não. Meu combate é com o inimigo de minh’alma, que brama a meu redor, como a um leão, procurando a quem tragar. Estou longe de ser boa, só há um bom que é Deus, meu conhecido há uma década e a quem prossigo conhecendo. Ele tem me ensinado a amar e a exercitar a práxis independente do parco número dos que me amam. Não fico triste, pois não creio em sina, creio em escolhas, em chamado, em vocação, em ministério; o meio pressiona, entretanto concordo com o Gabriel: “nenhuma rua é sem saída para quem sabe olhar pra trás”.
Eu não presto. Não presto porque não tenho a “doença do piolho”, porque não tô nem aí para o que vai acontecer na novela. Tenho mais o que fazer. Tenho que viver e me recuso a faze-lo sem filosofar, semelhante a Descartes que comparou tal proceder com o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir.

domingo, 23 de setembro de 2012

Lavagem Cerebral

Na semana passada, tive a rica oportunidade de ouvir da boca de uma pessoa muito querida palavras que expressaram carinho e admiração. Foi algo que me fez muito bem, contudo minha surpresa foi maior quando esta pessoa me revelou que tinha preconceito em relação aos cristãos. Sei que o povo de Deus vem sendo odiado e perseguido há tempos, porém não imaginei que aquele colega padecesse desse mal, levando em conta seu nível intelectual. Alguém aí do outro lado pode argumentar me dizendo que intelectualidade não quer dizer coisa alguma, até porque não existe só um tipo de inteligência. Este relato também não tem a intenção de julgar se está este meu conhecido certo ou errado em cultivar idéias pré-concebidas (pois é essa é a forma como podemos definir, a grosso modo, o que preconceito quer dizer) mas sim ilustrar o que me pôs a pensar em tal fenômeno, mais especificamente, como esse tipo de coisa pode nascer e se propagar e é aí que entra a expressão que dá nome a está postagem: lavagem cerebral .

Não me recordo como e nem quando esta passou a fazer parte do meu vocabulário. Lembro-me entretanto de que era algo que me assustava ao extremo, pois eu imaginava que se tratava de uma sessão de tortura, algo do tipo: trancar uma pessoa em um cômodo, ata-la e depois submeter o seu entendimento a qualquer composto químico (ou até mesmo a hipnose) que no final a tornaria adepta de alguma seita ou simpatizante de alguma outra ideologia esdrúxula. Só anos mais tarde é que li em algum lugar que lavagem cerebral é um esforço que visa premir as atitudes e crenças de outrem. Nasci em um lar católico e antes da luz do Evangelho de Jesus Cristo entrar em minha vida, eu julgava que os crentes em geral haviam sofrido tal procedimento e era por isso que não eram católicos. Graças a Deus, hoje eu sei o que igreja significa e, de semelhante maneira, compreendo que Cristo não voltará para buscar esta ou aquela denominação, mas sim, a nação santa, o sacerdócio real, o povo escolhido.

Quanto ao que se pensa dos cristãos, a coisa não mudou de figura e muitos ainda julgam a sua diferente maneira de viver como uma reprogramação patrocinada pelos espertalhões interessados em aproveitar-se da fé alheia - leia-se financeiramente. É claro que esse tipo de gente existe, mas não se pode generalizar. Nesse sentido, muitos do que tem essa opinião, acredito eu, nunca pararam para refletir se também não foram "programados" a pensar dessa maneira.  É fato: todo sistema influencia e é influenciado. O perigo está   em quem ou o que vem exercendo influência no meio em que vive. Certa feita, um grupo de conhecidos meus discutiam acerca de uma suposta declaração de um famoso pregador do evangelho sobre o dízimo. É claro que os ânimos estavam exaltados, pois é um "absurdo" qualquer fiel ofertar um real para mantimento da casa de Deus, contudo estas mesmas pessoas não admitem críticas sobre o quanto gastaram em álcool em um único fim de semana, sob a alegação de que "o dinheiro é meu, faço dele o que bem entender" (?!). Ouvi tudo o que eles diziam, à princípio, sem me meter, porém em um dado momento, pedi permissão e desculpas por me intrometer na conversa e lhes exortei a mudar de tática. O homem de quem falavam é alguém de grande relevância, não só no Brasil e, assim sendo, aconselhei-os a lerem a palavra de Deus se interessados estivessem em combate-lo, pois só na bíblia eles encontrariam os argumentos certos a fim de condenar suas atitudes, uma vez que as palavras que vinham saindo de sua boca, até então, vinham sendo inspiradas pela avareza. Sabe o que eles me responderam? Nada!! Silêncio total! Não sou melhor que nenhum deles, todavia é sabido que contra fatos, não há argumentos.

A maioria da população não aceita a visita de um cristão em sua casa, porque temem a tal "lavagem cerebral" mas sentam em frente a TV todos os dias e contemplam a teledramaturgia ensinando que ninguém é de ninguém e depois desejam que seus parceiros levem a sério o relacionamento. O velho adágio continua a valer: "pimenta nos olhos dos outros é refresco". É muito engraçado ver na novela das oito, o homem que tem três esposas e gargalhar com o modo pelo qual elas digladiam entre si. Apesar disso, ninguém quer levar "chifre".    O adultério continua desfazendo muitos casamentos.

O que se vê hoje é um sistema de comunicação em massa interessado em difundir uma cultura cancerígena de extermínio e inversão de valores cruciais igualzinha àquela propaganda que visa influenciar o comportamento do consumidor buscando que esse se interesse em consumir o produto anunciado. Que bom seria se a mídia só existisse com tal intuito! Alguém diria: "dos males, o menor." Todavia, tem gente se aproveitando dos analfabetos emocionais, incapazes de ler as entrelinhas. Isso sim é o que pode ser considerado lavagem cerebral ou, até mesmo, mensagens subliminares. A degradação dos valores morais gera violência e isso não sou eu quem digo e sim as ciências sociais. Em Lamentações de Jeremias, no capítulo três, verso vinte e dois está escrito que as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos. Alguém ainda duvida que Deus existe? Glórias a Ele, pois sem Ele a humanidade já teria suicidado.

Ódio aos judeus, aos negros, aos homossexuais, aos cristãos, aos latinos, aos mestiços, ódio, ódio, ódio! Tudo isso começa sempre com um sujeito boa pinta loquaz e persuasivo. De início, parece alguém inofensivo, mas só depois que, parafraseando um amigo meu, o dragãozinho de três olhos está bem cevado e crescido o bastante para causar destruição é que se tem a noção do perigo. Se você leu, aqui mesmo neste blog, um texto que publiquei em fevereiro deste ano intitulado " A violência oculta" vai notar uma certa familiaridade entre os dois escritos. Sutilmente a sociedade tem sido todos os dias "lavada" de modo a disfarçar a presença de quem interessado está na desestruturação familiar, em afastar as pessoas de Deus, na promiscuidade, etc. Teoria da conspiração? Não sei, deixo a seu critério. Mas concluo chamando a atenção para o perigo dos estigmas nascentes nesse contexto: toda loira é burra, todo pastor é ladrão, japonês e chinês é tudo a mesma coisa e por aí vai.

domingo, 1 de abril de 2012

E o pensador...

E o pensador se pôs a pensar. 

Hiper produzir é o que faz de melhor a sua mente privilegiada, para não chamar de poderosa, uma vez que o ilustre analista não se sente a vontade com o adjetivo.

Encontrava-se ele àquela hora do dia em movimento. O coletivo quase vazio se dirigia a uma das partes mais nobres da cidade e o corpo robusto do protagonista se sacudia pelas ruas e avenidas exageradamente marcadas por lombadas. O sacolejar quase que não o incomodava pois, como sempre, sua atenção estava voltada para um impresso. Em seu colo pairava talvez a mais famosa obra de um filósofo francês que, assim como ele, teve sede de saber. Seu humor ao conceber tal relato podia ser comparado ao de Salomão quando da confecção do Livro de Eclesiastes. À medida que passava as páginas ia o peito do quarentão sendo tomado pela compaixão. Teve pena daquele sábio que dispendeu toda a sua existência a procura de uma fonte pura e imaculada de saber e não se deu conta que tal coisa não podia ser encontrada senão naquele que criou todas as coisas, o Deus Todo-Poderoso, a quem o autor conhecera de ouvir falar, mas que infelizmente lhe fora apresentado por uma teologia distorcida, corrompida e prostituída. Pena ter ele se escandalizado e não ter clamado aos céus por sabedoria, pois com certeza a teria recebido. O Livro dos livros nos assegura que o Bom pastor se achega à todo aquele que a ele se achegar e, em seguida, permite ser conhecido face a face.

Ao saltar do veículo tricolor, o pensador se deteve por alguns instantes estudando o cenário a seu redor. Ainda era bem tímido o número de pessoas presentes ali. O céu esboçava um azul intenso sem qualquer mancha de nuvem e o vento trazia as suas narinas um forte cheiro de maresia. 

Sua presença ali tinha um porquê: continuar sua introspectiva viagem; investir em si mesmo sem se preocupar com qualquer retorno financeiro. Era preciso. Era preciso fazer menos inferências e passar às indagações, mas não tinha que inquirir a si mesmo. Poucos eram os seus questionamentos agora. Seu eu cego já não lhe era tão desconhecido. O cientista (caso mereça ele tal título) vinha gozando de certa satisfação pelos degraus que já galgara, porém seu crescimento dependia agora de esclarecer alguns pontos  em seu círculo social composto por criaturas portadoras de suas próprias patologias. Pensador se compadeceu deles por diversas vezes e em várias ocasiões lhes ofereceu os seus préstimos de amigo. Os resultados foram variados e indignos de considerações, contudo o aprendiz de sábio não deixou de aprender algumas lições.

Sua pele hoje exibe o viço da liberdade; da liberdade de alma, da quebra das correntes da opinião alheia. Quão satisfatório vinha sendo não temer o incompreensivo e de tal maneira o que se revoltou com suas virtudes. Ele, que um dia foi menino, agora cresceu e que um dia foi cego, mas agora vê.

Deus Atende Desejos ou Necessidades?