segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O poder da Comunicação: um olhar sobre o profissional de Administração


(Trabalho acadêmico conceituado com a nota máxima pela Profª Jacqueline Andrade, revisora da Revista de Administração da Universidade Federal da Bahia - UFBA e UNEB - Universidade do Estado da Bahia)


Qualquer administrador que almeja ser considerado apto a gerenciar as empresas contemporâneas deve, antes de mais nada, compreender que seu perfil profissional precisa englobar um somatório de características. Novas configurações de mercado demandam novos preceitos de administração estratégica. Neste sentido, a comunicação se traduz como uma ferramenta poderosíssima, contudo não há vislumbre de sucesso para o profissional de administração que se encontrar em deficiência neste campo, pois segundo Penteado (1990) pode ser atribuída com razoável margem de segurança à maior ou menor capacidade de comunicação entre os povos, o nível de progresso das sociedades humanas e, ainda, Gilbert Highet (apud PENTEADO 1990) afirma que não há uma só atividade humana que não possa ser afetada ou promovida por intermédio da Comunicação.

Um retrocesso às origens da ciência administrativa nos dá uma visão geral da evolução de suas teorias a partir das transformações vividas por aqueles que ocupam o topo da pirâmide corporativa. Taylor e seu conceito do Homo Economicus ergueu à época, o que hoje conhecemos como uma das barreiras na Comunicação. O traço mais marcante da Escola Clássica da Administração era a visão do homem como máquina e liderar se resumia aos esforços de comandar e supervisionar. Posteriormente, a Escola das Relações Humanas trouxe consigo a assertiva de que o homem é um ser social e essa consciência adicionou outras palavras ao “vocabulário administrativo” fazendo com que a motivação fosse vista além do estímulo monetário. As teorias mais modernas apontam que é imprescindível ao sucesso empresarial o comando de um líder excepcional, mas o que toda literatura disponível sobre este tema aborda, por assim dizer, senão uma melhora nas habilidades comunicativas deste indivíduo?

Um estudo realizado pelo IBGE (Instituto Brasileira de Geografia e Estatística) aponta que quase a metade das empresas brasileiras fecha as portas após seu terceiro ano de atividade e que a principal razão do fracasso desses empreendimentos continua sendo a falta de preparo de seus gestores. Desde a segunda Revolução Industrial o mercado tem anunciado que não há mais espaço para trabalhadores superespecializados, bem como o reconhecimento (infelizmente tardio em nosso país) da Administração como profissão veio ratificar que profissionais de outras áreas não estão aptos a seu exercício.

Em certa ocasião, um professor universitário disse a seus alunos do curso de Administração de Empresas, logo em seu primeiro dia de aula que, se alguém dentre os presentes não gostasse de ler, havia escolhido a profissão errada. O motivo que levou o ilustre educador a lançar sobre seus pupilos tais palavras é óbvio: conhecimento é poder e como adquiri-lo sem a prática da leitura? É certo que existem fontes alternativas de informação cujo desfrute não se dá, necessariamente, pelo ato de ler, entretanto são incontestáveis as benesses que acompanham a todo aquele que o pratica: quem lê fica mais informado, melhora seu vocabulário, entende as coisas com mais facilidade, dentre outros.

Como afirmado no parágrafo anterior, conhecimento é poder e, neste sentido, escreveu Torquato Gaudêncio:

Se alguns poderes legitimam a empresa, a comunicação exerce igualmente um certo e grande poder. A propósito lembramos o pensamento de Karl Deustsch, que mostra o poder como a possibilidade de uma pessoa ou entidade gerar influência sobre outrem. A comunicação que, enquanto processo, transfere simbolicamente ideias entre interlocutores, é capaz de, pelo simples fato de existir, gerar influências. E mais: exerce, em sua plenitude, um poder que preferimos designar de poder expressivo, legitimando outros poderes existentes na organização, como o poder remunerativo, o poder normativo e o poder coercitivo [...]. A comunicação como processo e técnica, fundamenta-se nos conteúdos de diversas disciplinas do conhecimento humano, intermedia o discurso organizacional, ajusta interesses, controla os participantes interno e externo, promove, enfim, maior aceitabilidade de ideologia empresarial. Como poder expressivo, exerce uma função-meio perante outras funções-fim da organização. Nesse sentido, chega a contribuir para a maior produtividade, corroborando e reforçando a economia organizacional.

O poder expressivo das empresas viabiliza o processo burocrático, adicionando elementos expressivos emotivos e inferências ás rígidas posturas hierárquicas, e tornando o ato de administrar não apenas uma relação mecânica entre posições do organograma, mas uma relação social positiva dentro da visão de que o trabalho é um bem dignificante e de que a Economia e a Administração não são ciências exatas mas, sobremodo, ciências humanas [...].



Diante do exposto, conclui-se que as palavras de Gilbert Highet citadas no primeiro parágrafo somadas às afirmações tão bem embasadas por Torquato Gaudêncio na citação acima ratifica o quão poderosa a Comunicação é e que esta se encontra presente em níveis muito mais significantes do que se imagina, tanto na teoria administrativa quanto na figura/perfil do administrador que, quanto mais comunicativo for, mais poderoso e mais bem sucedido será em suas empreitadas. Dito isso, vale a pena reproduzir aqui um princípio considerado chave por Torquato no que tange ao amálgama da Comunicação: “Os bons administradores são aqueles que conseguem produzir significações, tanto quanto dinheiro”.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


RÊGO, Francisco Gaudêncio Torquato do. Comunicação Empresarial/Comunicação Institucional: conceitos, estratégias, sistemas, estrutura, planejamento e técnicas, Summus, 1986.

PENTEADO, J. R. Whitaker. A Técnica da Comunicação Humana,Thomson Pioneira,14ª Edição, 1990.


Casa Vazia

A casa está vazia porque o amor não mora mais nela. Ele levou os móveis, mas deixou as cortinas. Elas balançam ao sabor do vento denunciando quão grande é aquele lugar, quão estreita é a habitação de um coração partido, que não sabe agora o que fazer com o tempo.

Pobre casa repudiada que um dia já foi tão amada. Seu destino agora é vagar. Que lhe importa o sol escaldante ou a chuva fina, que deixa a grama mais verde; que lhe importa o ocaso, o breve instante em que o céu se torna rubro para depois revelar o fundo escuro que se adorna de estrelas, astros estes que, na solidão, perdem a luz. Olhos daltônicos incapazes de ver as cores; lábios insípidos, fenda tão profunda em uma alma em trevas.

Lembranças dos dias felizes lhe cortam a carne, intensos açoites de algo que um dia foi e agora simplesmente não mais é: partiu, se perdeu, esvaiu-se como fumaça. A fidelidade é trapaceira, maléfica senhora, nômade, inconstante, mentirosa e manipuladora no coração que sangra com valores distorcidos, que expõe o que lhe abunda, tal como escrito está no livro do Rei, que comporta milhares de folhas e oxalá ajuntarmos  nós tão excelente tesouro para que vivamos.

Vida - formosa expressão; Biologia, Divino fôlego; conceitos. A casa vazia não sabe o que quer, pois morta deambula. Seu choro lhe retém as palavras cala seu grito na garganta, mas não lhe priva dos sentidos e tampouco dos ruídos; seus membros são pesadas correntes; seus instantes de paz, fugazes. Em torpor, seu eu se biparte. Futuro não há.


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A Organização na Organização*

O dicionário define o termo organização como sendo a ação ou efeito de organizar, de pôr a funcionar; estado do que se acha organizado; preparação; forma pela qual um Estado, uma administração, um serviço estão constituídos.

A organização vem acompanhando e facilitando a vida do homem desde o primórdio dos tempos. Pitágoras dizia que com organização e tempo acha-se o segredo de fazer tudo e bem feito. Neste aspecto, escreveu Silvia Somenzi[1]:


 

Utilizar-se da organização é mais que uma necessidade, é uma exigência mínima de mercado para que você seja considerando como membro de fato de uma equipe. A organização demonstra que você se preocupa com tudo em que está envolvido e principalmente, se preocupa com os outros, pois quem dela se utiliza:

- Sempre está seguro de que as informações, pelas quais é responsável, estão disponíveis a qualquer tempo;


- Cumpre suas tarefas e sabe onde está;

- Comanda os próprios movimentos sabendo muito bem da onde veio e para onde vai, e por fim,
 

- Tem consciência da importância daquilo que está fazendo e o impacto que tem sobre as atividades dos outros [...].

Quando a pessoa se organiza ou busca se organizar deixa claro para os outros que trabalha para o time e que não apenas está comprometida consigo mesma, e ainda expõe que pensa nos impactos que causa sobre as atividades dos outros.

Quem não entende isso e não se preocupa em se organizar, naturalmente acaba por ser excluído da equipe ou direcionado à execução de tarefas extremamente simples e operacionais, ou seja, de fácil substituição [...].

Atuar de forma organizada é como fazer uma aliança com os outros para crescer e ser percebido como um excelente apoiador do grupo...



Há os que entendem que organizar é seguir a risca um protocolo, o que pode parecer uma tarefa tediosa e excessivamente burocratizada, mas não se pode negar os benefícios de ter um norte a se seguir. O uso de padronizações gera resistência, contudo não haveriam referenciais se estas não existissem. Quero deixar claro, porém, que este relato não tem a intenção de vender a idéia de que organização significa tão somente cumprir a risca uma lista de procedimentos até porque a OSM nos ensina que a eficácia de um processo não se dá pela sua complexidade.


 

A organização, aqui se refererindo à sociedade hierarquizada, legalmente constituida, preocupada em agregar à sua missão e valores, as virtudes da clareza e da transparência, deve se preocupar em iniciar tal composição por sua hierarquia - uma clara exposição de seus níveis de escalonamento distribuídos em um modelo simples de organograma de modo que, tanto aos olhos do douto, quanto do leigo, transpareça, indubitavelmente o "quem é quem" e o "quem manda em quem". Tal realização é, na opinião desta bacharelanda, o ponto primaz para o alcance da excelência. Neste sentido, não se pode deixar de citar a participação da comunicação. É imperioso que os organizadores (leia-se também fundadores, gestores, gerentes, supervisores e afins) sejam bons comunicadores. Manuais, guias, esquemas e cartilhas são bem-vindos e tem cada um sua hora e lugar, por conseguinte transmissões verbais daquilo que se almeja (o onde, o quando e o como) acontecerão em larga escala. A fala, segundo Aristóteles, tem a finalidade de indicar o conveniente e o nocivo, e portanto também o justo e o injusto. A clareza, a concisão, o interesse e a obtenção do feed-back, constituem os requisitos para uma comunicação eficaz.


A organização na organização também pode ser obtida pela monta de um time coezo a começar pela própria gestão. Jim Collins [2], em sua obra intitulada Empresas Feitas Para Vencer, discorre sobre a importância de ter as pessoas certas no barco antes mesmo de saber que rumo tomar e  acredito eu estar implícita aí a formação de uma equipe onde todos falem a mesma língua.  Já James C. Hunter [3], autor de O Monge e o Executivo, provavelmente se oporia a tal questão por entender que homegeneidade demais atrapalha o desenvolvimento do grupo, contudo não se pode negar as benesses de um relacionamento com nossos "iguais". Os exemplos mais comuns de barreiras na comunicação praticamente não existiriam. Além disso, outros fatores essenciais devem ser levados em conta tais como a estratégia, os recursos, habilidades e a cultura organizacional, merecendo esta especial atenção já que consiste na reunião das convicções, valores, atitudes e regras compartilhadas entre os individuos de uma corporação, moldando seu comportamento e expectativas. Um administrador deve zelar pela sanidade da cultura que rege sua corporação tanto quanto preocupa-se com sua saúde financeira.  Qualquer sinal de enfermidade deve ser arrancado pela raiz. Existem empresas relativamente prósperas, porém presas a uma cultura que negligencia o fator humano, atingindo principalmente os colaboradores que ocupam as partes mais baixas da escala hierárquica. Outras são fundadas já com base neste mesmo mal e sequer sobrevivem ao seu primeiro ano. Muitos primam pelo foco nas ameaças e oprtunidades, pela análise do micro e macro ambiente, em neutralizar ou restringir a concorrência, entretanto poucos se importam com o que se comunica aos níveis hierárquicos inferiores e aqui digo comunicar não no sentido de tornar comum; informar e sim no que se comunica aos colaboradores de forma não verbal, acerca de seu valor; importância. Desqualificações podem transformar o ambiente profissional em verdadeiras "selvas" onde impera a lei do mais forte, culminando em combates psicólogicos desgastantes em prol da sobrevivência e em detrimento das metas/objetivos organizacionais. Uma empresa que almeja um patamar de organização excelente e inteligente deve ter em mente que esta propicia um ambiente favorável a seu desenvolvimento, juntamente com seus colaboradores, justificando assim sua importância na formulação das estratégias empresariais. O processo exige paciência e perseverança, bem como, a depender do contexto, até uma dose de parcimônia.




  

Referências:


 

[1] http://www.baguete.com.br/colunistas/colunas/50/silvia-somenzi/25/06/2007/por-que-e-importante-ser-organizado acesso em 03/09/2012.


 

[2] COLLINS, Jim. Empresas Feitas Para vencer, Campus. 2001


 

[3] HUNTER, James C. O Monge e o Executivo, Sextante. 2004


 

*Agradeço especialmente às Adm. Daniela Cardoso e Evelim Sousa pela colaboração neste trabalho.


 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Crentes fariseus

Dois homens subiram ao templo, a orar; um fariseu,  e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo. O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador! (Lc 18-10;13)

Sentiu a diferença? Se continuássemos a leitura, veríamos no verso 14 Cristo nos dizendo que quem desceu justificado para sua casa foi o publicano. Alguém aí do outro lado, poderia parar e me perguntar: "Ei, Ju, porque estas coisas acontecem? Por que os crentes não são todos iguais?" Boa pergunta, mas a resposta está na própria Palavra de Deus. Veja o que está escrito em Mt. 13-18;23:

Escutai vós, pois, a parábola do semeador. Ouvindo alguém a palavra do reino e não a entendendo, vem o maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho; porém o que foi semeado em pedregais é o que ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo; antes é de pouca duração; e, chegada a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo se ofende; e o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra e fica infrutífera; mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro, sessenta, e outro, trinta.

Esta passagem, em minha opinião, é a que melhor responde a questão acima. Há outras citações bíblicas que podem servir de ilustração para tal fato, porém esta é o que mais chama a atenção porque no verso 22, já no finalzinho, olha que interessante, Cristo diz: "... sufocam a palavra e fica infrutífera..."  Entenderam? Se não, aqui vai uma ajudinha: note que toda a parábola se norteia, não só no tipo de terreno em a semente cai, mas também em quão profunda foi a recepção. Matheus 7 nos ensina que o homem que edificou a sua casa na rocha sobreviveu aos que contra ela combateram. O contrário acontece com o homem que edificou a sua sobre a areia. Assim sendo, os tipos de terreno ilustram o contexto, as circunstâncias em que o evangelho chega até nós. O diabo, o inimigo de nossas almas, já está condenado e ele não tem mais nada a fazer, além de trabalhar a fim de levar o maior número de pessoas consigo à condenação eterna. A pessoa que escolhe seguir a Cristo será alvo de inúmeras investidas malignas com o intuito de faze-la desistir. O sucesso ou fracasso do inimigo nesta empreitada vai depender apenas de nós. "... Se alguém quer vir após mim, negue-se a  si mesmo, e tome a cada dia sua cruz, e siga-me." - disse Jesus em Lc. 9-23. Que ninguém vos engane, meus amigos, evangelho é cruz! Cruz significa sofrimento. Mole é Maria Mole! Tem gente por aí que acha que os cristãos, pela sua forma pacífica de viver, são frouxos, contudo mal sabem estes que as boas novas de Cristo não são para covardes.

Até aqui, tudo bem, entretanto, alguém poderia sentir-se impelido a me inquirir mais uma vez perguntando: "O que faço então para vencer as astutas ciladas do diabo e impedir que a palavra seja sufocada em mim? Como saber se não estou me tornando um crente fariseu? A resposta a essas duas indagações, da mesma maneira que a primeira, está na bíblia e, novamente, chamo vossa atenção para o destaque a parte final do verso 22 de Mateus 13. O alimento do crente é a palavra de Deus. Por seu intermédio ele nasce (Rm 10-17), é santificado (Jo 17-17), bem como transformado na renovação de seu entendimento. A Palavra não pode ser sufocada em nós, ela tem que frutificar!

Crentes fariseus existem porque muitos deles ainda não entenderam que o pior inimigo de um crente pode ser ele mesmo. Deus não anula nossa personalidade, Ele a molda. Há cristãos que iniciam sua caminhada crescendo em graça e sabedoria, mas depois caem ou estagnam por causa do orgulho. Bastam um ou dois elogios ou até mesmo a ascensão a um cargo na administração eclesiástica para que aquele irmãozinho ou aquela irmãzinha  fique com o "rei na barriga". Outros desenvolvem características farisaicas porque interpretam equivocadamente certos conselhos bíblicos. Quando Deus diz para sermos fortes e termos bom ânimo, isso não quer dizer pintar um "S" no peito e bradar aos quatro ventos que somos super crentes. Não há mal algum chorar ou ficar contristado. Vejamos o exemplo do rei Davi. Na maioria dos salmos que ele compôs, percebemos o quão agoniado se encontrava o seu espírito, contudo sua atitude era a de louvor. Um semblante abatido não é um termômetro para nossa fé. Emoções pertencem a carne, já a fé, por sua vez, é algo do Espírito. A bíblia diz que a carne e o espírito duelam todo o tempo. Vencerá o cachorrinho que melhor for alimentado. Somos iguais, em Cristo aos olhos de Deus; não interessa quem chegou agora ou quem está na fé desde que nasceu. Examinemos Mateus 20-1;16:

Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha.
E, ajustando com os trabalhadores a um dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha.
E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça,
E disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram.
Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo.
E, saindo perto da hora undécima, encontrou outros que estavam ociosos, e perguntou-lhes: Por que estais ociosos todo o dia?
Disseram-lhe eles: Porque ninguém nos assalariou. Diz-lhes ele: Ide vós também para a vinha, e recebereis o que for justo.
E, aproximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o jornal, começando pelos derradeiros, até aos primeiros.
E, chegando os que tinham ido perto da hora undécima, receberam um dinheiro cada um.
Vindo, porém, os primeiros, cuidaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um dinheiro cada um.
E, recebendo-o, murmuravam contra o pai de família,
Dizendo: Estes derradeiros trabalharam só uma hora, e tu os igualaste conosco, que suportamos a fadiga e a calma do dia.
Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço agravo; não ajustaste tu comigo um dinheiro?
Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti.
Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?
Assim os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.

Atitudes farisaicas entre membros de uma congregação e até mesmo entre cristãos de denominações diferentes, não é bíblicamente correto. Encaixa-se neste perfil de semelhante forma, aquele que quer orar por todo mundo, mas não pede oração a ninguém, bem como os que gostam de exortar, mas não querem ser exortados. Não foi isso que Cristo nos ensinou, ao contrário, Ele disse:

Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro; 1 Pedro 1:22

Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor. Gálatas 5:13

O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. João 15:12

Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. Romanos 12:10

Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. João 13:34

Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. João 13:35

Se você é um discípulo de Cristo, ame! Sei que não é fácil "cair de amores" por alguém da noite para o dia, mas o que Jesus ordenou é que esse amor seja praticado. Isso se chama práxis e consiste em um conjunto de atitudes positivas para com os que nos odeiam e perseguem. Agindo assim, o amor virá com o tempo.

Não sei que efeito este estudo terá em você meu leitor, mas caso tenha sido tocado ou incomodado pelo Espírito, meu conselho, ou melhor, minha sugestão é uma só: Palavra! Leia, estude, medite, se alimente, viva a Palavra de Deus! Só instruídos em justiça é que poderemos nos apresentar a Deus como obreiros aprovados. 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Filosofia de Estréia

Seria muito mais fácil se eu fosse um de meus personagens: poderia viver entre as flores, dormir em meio às estrelas, voar... Consertar o mundo com minha caneta seria uma peripécia e tanto, mas as muitas letras não me foram dadas para meu proveito; minha missão é outra e minha filosofia de vida é prosseguir até em casa, descalça, enquanto os outros vislumbram o par de sandálias em minhas mãos. O que me aconteceu? Nada. Eu cresci, sou gente grande agora deixei para trás as coisas de menino.
Escreverei aqui inspirada por dias felizes, dias tristes ou em dias de sabedoria, como hoje, onde afirmo que vejo e sinto como todo mundo, apesar de o mundo não me tratar como se eu fosse do mundo.
Sou amiga e tenho inimigos, e tem também aqueles que deixei encarcerados num meio termo, porque são tóxicos. Nietzsche disse que quem vive de combater um inimigo tem interesse em deixa-lo com vida, eu não. Meu combate é com o inimigo de minh’alma, que brama a meu redor, como a um leão, procurando a quem tragar. Estou longe de ser boa, só há um bom que é Deus, meu conhecido há uma década e a quem prossigo conhecendo. Ele tem me ensinado a amar e a exercitar a práxis independente do parco número dos que me amam. Não fico triste, pois não creio em sina, creio em escolhas, em chamado, em vocação, em ministério; o meio pressiona, entretanto concordo com o Gabriel: “nenhuma rua é sem saída para quem sabe olhar pra trás”.
Eu não presto. Não presto porque não tenho a “doença do piolho”, porque não tô nem aí para o que vai acontecer na novela. Tenho mais o que fazer. Tenho que viver e me recuso a faze-lo sem filosofar, semelhante a Descartes que comparou tal proceder com o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir.

domingo, 23 de setembro de 2012

Lavagem Cerebral

Na semana passada, tive a rica oportunidade de ouvir da boca de uma pessoa muito querida palavras que expressaram carinho e admiração. Foi algo que me fez muito bem, contudo minha surpresa foi maior quando esta pessoa me revelou que tinha preconceito em relação aos cristãos. Sei que o povo de Deus vem sendo odiado e perseguido há tempos, porém não imaginei que aquele colega padecesse desse mal, levando em conta seu nível intelectual. Alguém aí do outro lado pode argumentar me dizendo que intelectualidade não quer dizer coisa alguma, até porque não existe só um tipo de inteligência. Este relato também não tem a intenção de julgar se está este meu conhecido certo ou errado em cultivar idéias pré-concebidas (pois é essa é a forma como podemos definir, a grosso modo, o que preconceito quer dizer) mas sim ilustrar o que me pôs a pensar em tal fenômeno, mais especificamente, como esse tipo de coisa pode nascer e se propagar e é aí que entra a expressão que dá nome a está postagem: lavagem cerebral .

Não me recordo como e nem quando esta passou a fazer parte do meu vocabulário. Lembro-me entretanto de que era algo que me assustava ao extremo, pois eu imaginava que se tratava de uma sessão de tortura, algo do tipo: trancar uma pessoa em um cômodo, ata-la e depois submeter o seu entendimento a qualquer composto químico (ou até mesmo a hipnose) que no final a tornaria adepta de alguma seita ou simpatizante de alguma outra ideologia esdrúxula. Só anos mais tarde é que li em algum lugar que lavagem cerebral é um esforço que visa premir as atitudes e crenças de outrem. Nasci em um lar católico e antes da luz do Evangelho de Jesus Cristo entrar em minha vida, eu julgava que os crentes em geral haviam sofrido tal procedimento e era por isso que não eram católicos. Graças a Deus, hoje eu sei o que igreja significa e, de semelhante maneira, compreendo que Cristo não voltará para buscar esta ou aquela denominação, mas sim, a nação santa, o sacerdócio real, o povo escolhido.

Quanto ao que se pensa dos cristãos, a coisa não mudou de figura e muitos ainda julgam a sua diferente maneira de viver como uma reprogramação patrocinada pelos espertalhões interessados em aproveitar-se da fé alheia - leia-se financeiramente. É claro que esse tipo de gente existe, mas não se pode generalizar. Nesse sentido, muitos do que tem essa opinião, acredito eu, nunca pararam para refletir se também não foram "programados" a pensar dessa maneira.  É fato: todo sistema influencia e é influenciado. O perigo está   em quem ou o que vem exercendo influência no meio em que vive. Certa feita, um grupo de conhecidos meus discutiam acerca de uma suposta declaração de um famoso pregador do evangelho sobre o dízimo. É claro que os ânimos estavam exaltados, pois é um "absurdo" qualquer fiel ofertar um real para mantimento da casa de Deus, contudo estas mesmas pessoas não admitem críticas sobre o quanto gastaram em álcool em um único fim de semana, sob a alegação de que "o dinheiro é meu, faço dele o que bem entender" (?!). Ouvi tudo o que eles diziam, à princípio, sem me meter, porém em um dado momento, pedi permissão e desculpas por me intrometer na conversa e lhes exortei a mudar de tática. O homem de quem falavam é alguém de grande relevância, não só no Brasil e, assim sendo, aconselhei-os a lerem a palavra de Deus se interessados estivessem em combate-lo, pois só na bíblia eles encontrariam os argumentos certos a fim de condenar suas atitudes, uma vez que as palavras que vinham saindo de sua boca, até então, vinham sendo inspiradas pela avareza. Sabe o que eles me responderam? Nada!! Silêncio total! Não sou melhor que nenhum deles, todavia é sabido que contra fatos, não há argumentos.

A maioria da população não aceita a visita de um cristão em sua casa, porque temem a tal "lavagem cerebral" mas sentam em frente a TV todos os dias e contemplam a teledramaturgia ensinando que ninguém é de ninguém e depois desejam que seus parceiros levem a sério o relacionamento. O velho adágio continua a valer: "pimenta nos olhos dos outros é refresco". É muito engraçado ver na novela das oito, o homem que tem três esposas e gargalhar com o modo pelo qual elas digladiam entre si. Apesar disso, ninguém quer levar "chifre".    O adultério continua desfazendo muitos casamentos.

O que se vê hoje é um sistema de comunicação em massa interessado em difundir uma cultura cancerígena de extermínio e inversão de valores cruciais igualzinha àquela propaganda que visa influenciar o comportamento do consumidor buscando que esse se interesse em consumir o produto anunciado. Que bom seria se a mídia só existisse com tal intuito! Alguém diria: "dos males, o menor." Todavia, tem gente se aproveitando dos analfabetos emocionais, incapazes de ler as entrelinhas. Isso sim é o que pode ser considerado lavagem cerebral ou, até mesmo, mensagens subliminares. A degradação dos valores morais gera violência e isso não sou eu quem digo e sim as ciências sociais. Em Lamentações de Jeremias, no capítulo três, verso vinte e dois está escrito que as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos. Alguém ainda duvida que Deus existe? Glórias a Ele, pois sem Ele a humanidade já teria suicidado.

Ódio aos judeus, aos negros, aos homossexuais, aos cristãos, aos latinos, aos mestiços, ódio, ódio, ódio! Tudo isso começa sempre com um sujeito boa pinta loquaz e persuasivo. De início, parece alguém inofensivo, mas só depois que, parafraseando um amigo meu, o dragãozinho de três olhos está bem cevado e crescido o bastante para causar destruição é que se tem a noção do perigo. Se você leu, aqui mesmo neste blog, um texto que publiquei em fevereiro deste ano intitulado " A violência oculta" vai notar uma certa familiaridade entre os dois escritos. Sutilmente a sociedade tem sido todos os dias "lavada" de modo a disfarçar a presença de quem interessado está na desestruturação familiar, em afastar as pessoas de Deus, na promiscuidade, etc. Teoria da conspiração? Não sei, deixo a seu critério. Mas concluo chamando a atenção para o perigo dos estigmas nascentes nesse contexto: toda loira é burra, todo pastor é ladrão, japonês e chinês é tudo a mesma coisa e por aí vai.

Deus Atende Desejos ou Necessidades?