sexta-feira, 10 de maio de 2013

Alice à janela


Alice serviu-se de uma caneca de café e foi degusta-la á janela. O ocaso era seu momento preferido do dia, não só pelo amarelo-rubro de que se pintava o céu. Era a hora do rush, momento em que as principais vias da cidade se tornariam um imenso lençol de luzes vermelhas. Com um risinho no canto da boca, Alice ponderava ser ela a única pessoa a ver poesia naquilo, mas era o jeito Alice de ser: viver à margem do comportamento urbano. Para ela era prazeroso sentir o cheiro do mar ao cruzar a Avenida Contorno, mesmo com o coletivo lotado.

Terminada a bebida, a mulher depositou a caneca a seus pés e prosseguiu em apreciar a paisagem. Residia em um bairro classe média e àquela hora as cenas mais frequentes eram os pais de família retornando de mais um dia de labuta e a molecada, sempre aos bandos, voltando da padaria. Vislumbrar aquelas embalagens brancas provocava-lhe um sentimento nostálgico – fora criança no tempo em que os sacos de pão eram de papel. Também em sua época, professores eram mais respeitados, dava-se valor à virgindade e não se pensava em transformar sandices em lei. Essa conjectura, tal como outrora, de igual modo a fez recordar-se de que houve um tempo em que a filosofia de alguém se pautava muito mais nas coisas que dizia do que em seu comportamento. E o que dizer do falar?! “Ah, o falar!” – suspirou ela – Arte tão deficiente entre aqueles que formam os atuais grupos de referência. Como seriam tais pessoas aos olhos de Aristóteles, Demóstenes e Cícero, famosos oradores? Verbosidade, aliás, assim pensava Alice, seguindo a mesma linha de raciocínio, era a menor das preocupações da sociedade atual. Carecia-se mais de valores. Importantes pilares da sociedade vêm sendo removidos sob a desculpa de que faz necessária a quebra de paradigmas e os que percebem o embuste vem sendo perseguidos, tachados de retrógrados intolerantes, preconceituosos; jogados aos leões pela mídia.

Um dia, alguém disse que os laços estavam muito apertados e é verdade. É só fazer um pequeno tour pela História e lá constatar que gerações inteiras foram, por assim dizer, “castradas” por causa do advento de ideologias embasadas em distorções da verdade, convenientemente vendidas como modelos de moral e bons costumes. As motivações para tais práticas foram, sobretudo, políticas e algumas delas infelizmente perduram até hoje.

Alice sentia-se indefesa e impotente diante de tal quadro ao passo que pensava se realmente havia o que ser feito, pois o mesmo povo que clama por justiça, tem sede de sangue, o mesmo povo que exige honestidade por parte de seus parlamentares tem por “otário” o seu semelhante que se recusa a participar daquele “negociozinho”, que por mais insignificante que pareça ser, não perde seu cunho escuso.

Se Alice desafiada fosse a nomear tal fenômeno e porque não dizer enfermidade que tem empurrado a coletividade ao abismo, não precisaria inventar nenhum vocábulo novo. Tratava-se de hedonismo e nada mais.

Cansada de fazer inferências, a mulher de estatura mediana decidiu deixar a janela, porém deteve-se mais um pouco por conta de escutar alguém gritar o seu nome. Seu rosto irradiou-se ao ver que se tratava de sua vizinha da frente que, após as gentilezas de praxe, perguntou-lhe quais seus planos para aquela noite, entretanto tomar ciência dos mesmos causou-lhe espanto, pois não entendeu o que levou a outra a marcar um compromisso daquela natureza bem na hora da novela.

sábado, 4 de maio de 2013

Hoje

Hoje eu estou assim, hoje estou eu; amanhã, eu não sei, só Deus.
Hoje estou com vontade de mim, vontade de tudo, vontade de momento... só hoje.
Hoje eu te quero, amanhã não vai mudar; o hoje me quer assim,
Hoje eu estou cheia, meu coração idem, cheio do que minha boca fala, cheio do bem.
Hoje a saudade fala, amanhã saudade é passado; hoje feliz, amanhã mais ainda;
Hoje há esperança, amanhã - bonança. Hoje choro, amanhã celebro.
Hoje estou Juliana, amanhã - Juliana melhor.
Hoje estou Narciso, daqui a pouco, te amo; amanhã, amo você e me amo todos os dias.
Hoje o tempo corre, hoje preciso do tempo, hoje - tempo pra ti; hoje te carrego aqui;
Hoje - amanhã carregarei o seu fruto. Hoje nasci para ti, amanhã serás feito para mim.
Hoje te pertenço, amanhã serás meu, pra sempre seremos nós, dois mais dois, igual a nós.
Hoje eu sou só eu, amanhã, alguém serei mais alguém, alguém - você
Hoje eu não me envergonho, amanhã sequer me constrangerei, pois
Hoje eu sei quem sou eu, e amanhã, mais conhecimento.
Hoje me fortifico na graça, amanhã - graça pelas graças.
Hoje estou nem aguá nem lua, hoje estou mar, estou litoral, literal...
Hoje original, amanhã tradução, transcrição; ipsi litteris...


quarta-feira, 1 de maio de 2013

A romancista


Sentada à beira do batente de mármore, uma moça borda. De letra em letra, segue ela a tecer seu folhetim. Os meninos passam e fazem troça; a preta enxerida se aproxima e espicha o olho. Margaridinha abraça o manuscrito e faz careta. A cativa se ofende e amaldiçoa-a por todos os seus deuses. A donzela de pele de porcelana, contudo, desdenha e após um muxoxo ergue-se empinando ainda mais o fidalgo nariz. Depois disso, toma a direção dos fundos da propriedade em busca de um novo retiro e escolhe então refugiar-se debaixo de um ipê lotado pela primavera de cachos de flores amarelas, sua cor preferida. Aos seus pés repousa uma relva verdinha onde a moçoila se acomoda. Suas finas feições são de menina, mas de seus poros emana um “quê” de mulher.

Ocupada?! Sempre! Seus delicados dedos, constantemente manchados pelo nanquim não paravam quietos. Somente ela conhecia o conteúdo daquelas páginas: o seu mundo, só seu. Aprendeu Margaridinha com seu querido avô que cada pessoa é responsável pela lavratura de seu destino e desde então se ocupava de tal intento. Ambicionava construir o seu próprio conto de fadas e dentro dele encarcerar-se toda vez que sua dura realidade feminina assim o requeresse. O quanto já dispendera de seu tempo com vistas a concluir o ofício não se sabia, entretanto Margaridinha não tinha pressa. Em quase uma década e meia de vida já perdera a conta de quantas vezes resolvera começar do zero, por capricho ou por simplesmente entender a diferença entre o correto e o corrigido.

Antes da lição aprendida, a donzela ambicionava estudar e tornar-se um bacharel, como seu irmão mais velho, enviado à Europa para tal fim. Porém seus sonhos foram por água abaixo quando sua mãe revelou-lhe que tal regalia era de gozo exclusivo dos nascidos sob o sexo masculino e que às fêmeas nada mais restava senão empreender com maestria nos assuntos domésticos. Margaridinha ficou triste por dias a fio e só voltou a alimentar-se por imposição paterna, que se valeu ainda da séria ameaça de encerra-la em um convento.

Alguns meses depois, arrumaram-lhe um noivo. O rapaz era pouco atraente, mas filho de um nobre muito rico, o que para seus pais já eram atributos suficientes. Margaridinha odiava-o com todas as forças de seu coração, todavia disfarçava tal emoção sob os desmandos da etiqueta. Preferia amar o seu soldado, o homem de seus escritos, sua cria, sua sina. Seu nome, inexprimível aos lábios da amante, coxeava tal e qual sua alma ferida a vagar errante pelo mundo. Mal sabia ele que a romancista estava prestes a cruzar o seu caminho com o de sua heroína, aquela que estava fadada a recebe-lo em seus braços, afagar-lhe os escuros cabelos e assegurar-lhe que a noite se foi e, com ela, o choro, entretanto o vivido homem, a princípio não crerá ser alguém de tão tenra idade aquela que irá lhe prestar os devidos méritos as suas virtudes. Resistirá ele bravamente ao que lhe ordena o coração e os encantos de sua amada, ora lhe serão aprazíveis, ora repugnantes. Margaridinha deveras emocionou-se quando sua fértil imaginação a remeteu a citada sinopse, contudo a tempestade que antecederia a bonança não a impedia de invejar a protagonista. Punha-se em seu lugar toda vez que a inspiração a tomava, entretanto cada retorno à realidade era doloroso.

O ecoar de seu nome arranca a jovem de seus devaneios. Ela se põe de pé após suspirar impacientemente e se põe a caminhar a passos lentos. A mesma serviçal que a amaldiçoara veio anunciar-lhe a chegada de seu futuro marido. Margaridinha não expressa emoção alguma. Aguardava-o todas as quartas àquele horário da mesma forma que Prometeu esperava a águia que vinha diariamente lhe devorar o fígado.

Indivíduos proativos e reativos: perfil ou treinamento?


Certa feita, me encontrava eu em uma clínica aguardando o término da impressão da guia de consulta que eu deveria assinar quando adentrou o recinto um casal. Eles se dirigiram ao mesmo funcionário que me atendia e lhe mostraram um documento. A folha, que parecia estar há muito tempo guardada, tinha um pequeno rasgo em uma de suas marcas de dobra. O jovem atendente a examinou por um curto espaço de tempo ao passo que o senhor que se apresentou como sendo o marido da paciente ia lhe dizendo o porquê de estarem ali. Passado esse instante, o funcionário devolveu-lhe o papel e alegou que o atendimento não seria possível por causa do dito rasgo. O homem protestou e eu me senti tentada a sair em sua defesa já que, em minha opinião e experiência (pois recepcionista de clínica tinha sido meu primeiro emprego) não havia nada ali que não pudesse ser resolvido com um pedaço de fita adesiva. Terminado o protesto, o jovem lamentou e afirmou que nada podia ser feito e aquilo fez com que o marido da paciente voltasse a reclamar e a cada intervalo, o atendente lhe oferecia, roboticamente, a mesma resposta. Novamente tive ímpetos de intervir, porém me contive pelos motivos óbvios.

No decorrer do dia, toda vez que me lembrava do ocorrido, a parte que mais retinia em minha mente era a maneira mecânica com a qual o jovem afirmava que nada podia ser feito e provavelmente alguém me lê nesse instante deve ter mentalmente exclamado: “que sujeito reativo!” Isso mesmo! Que sujeito reativo! Se alguém aí julgar o indivíduo passível de outro adjetivo, fique a vontade para tacha-lo na seção reservada aos comentários.

Na sei se isso acontece com todo bacharelando, mas minha mente se entremeteu numa viagem pela Administração, bem como pelas ciências que a auxiliam a fim de que qualquer uma delas me respondesse ao dilema que intitula esse relato. Afinal de contas, indivíduos reativos e proativos assim o são por perfil ou treinamento? É claro que treinar alguém não anula o que ele traz de berço, contudo ninguém pode negar a eficácia de uma boa orientação mas, para deixar as coisas bem mais claras, vamos a alguns conceitos:
Indivíduos proativos são aqueles que, espontaneamente, buscam por mudanças em seu ambiente de trabalho, solucionando e antecipando problemas. Já os reativos são aqueles que pensam e atuam de acordo com padrões de causa e efeito. No episódio que citei no início do texto, um individuo proativo teria, como falei, resolvido a situação com um pedaço de fita adesiva ou pelo menos acionado seu superior imediato com o intuito de que este lhe apresentasse uma solução ou que pelo menos o orientasse para tanto. Agora vejamos: quem é proativo já “nasceu” assim ou foi treinado para tal? Cabe o mesmo questionamento no que tange aos reativos.

Acredito que, assim como a lei da Gravidade é aquela que nos mantem com os pés fincados no chão, ser reativo é a tendência de todo ser humano. Quando nascemos, só somos capazes de realizar aquilo que já, por assim dizer, nascemos “sabendo” (instinto). Por exemplo, chorar. Um bebê quando chora é porque está com fome, com frio, com dor, calor e por aí vai. Há mães que afirmam (e eu concordo) que existe um tipo de choro para cada situação, mas o fato é que o bebê já nasce ciente de que, através do choro, suas necessidades serão entendidas e atendidas. Nesse aspecto, um administrador deve ter a consciência de que, tal como ele, seus subordinados também trarão consigo algo de berço e esses, por assim dizer, dados não podem ser quantificados sendo essa análise pertencente ao campo da subjetividade e é aí que entra o valor e a atenção que se dá ao processo de recrutamento e seleção de um novo empregado. Há gestores que escolhem um novo colaborador apenas levando em consideração a complexidade das tarefas a serem realizadas e acabam contratando, por exemplo, “gente que não gosta de gente para trabalhar com gente” e o resultado disso é um péssimo atendimento com reflexo nos lucros, porém acredito que não só eu, mas uma boa gama de pessoas poderia enumerar a existência de vários estabelecimentos empresariais cujo atendimento é péssimo, contudo recebem um bom número de pessoas por dia e quanto a isso o que posso afirmar-lhes é que este tipo de lugar tem fregueses e não clientes. O freguês é aquele que frequenta e/ou compra em um determinado lugar em razão de sua localidade. Já o cliente é aquele que desenvolve com o estabelecimento uma relação de fidelidade a seu produto e/ou serviço sem levar em consideração a sua localidade ou grau de dificuldade a que está sujeito para ter acesso aos mesmos. Assim sendo, meus caros, estabelecimentos que não estão nem aí para o quesito qualidade por achar que “o queijo nunca irá se acabar” (e quem quiser melhor entender o que essa expressão significa recomendo a leitura do livro ‘Quem mexeu no meu queijo’) podem ficar cientes de que os fregueses sumirão a partir do momento que tiverem outra opção.

A reatividade, como já observado, pode ser considerada como intrínseca ao homem, mas o treinamento pode mudar isso. Treinar uma pessoa é educa-la a curto prazo com o fito de que esta adquira conhecimentos, habilidades e, o mais importante: atitudes! Meus caros, na humilde opinião desta bacharelanda, funcionário reativo é funcionário mal treinado. Ainda vigora no mundo empresarial a ideia enganosa de que treinamento é despesa, mas não, treinamento é investimento! Seu objetivo primaz é contribuir para as metas finais da organização. Administrar é gerir pessoas e processos e não há nada que melhor contribua para o sucesso de um empreendimento senão o fator humano e por que não concordar com os que defendem que os recursos humanos é o mais valioso ativo do qual uma organização pode dispor?
 
O episódio narrado no início deste artigo teria tido outro final se alguém tivesse se preocupado em melhor preparar aquele jovem para uma ocasião como esta, inclusive concedendo-lhe certa margem de autonomia. Contratar um indivíduo com perfil proativo é bom, todavia treina-lo com esse intuito é melhor ainda.  

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Salmo Matutino


Bendizei ao Senhor, vós que sois os Seus santos;
Que brote de vossos lábios o perfeito louvor;
O sacrifício, agora não mais com o sangue de bodes ou de bois,
Mas seja a vossa adoração notória na tribulação.
Louvemos ao Senhor porque Ele nos deu um Espírito mui excelente,
De conhecimento, de sabedoria e de revelação,
A fim de que seja o nosso canto sem murmúrio,
E valentes segundo o Seu coração enalteçamos o Seu Santo Nome;
Nos montes e nos vales, pois o Senhor é o Guarda, é o Sentinela de Israel,
Aquele que não dorme e não tosqueneja.
Bendizei ao Senhor Santos de toda a Terra porque Ele é bom,
 E sua misericórdia dura para sempre.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Filosofia da fé


A filosofia da fé é por ela mesma viver e não por vista. É o firme fundamento daquilo que se espera e a certeza das coisas que não se veem porque, ora, pois, esperança acerca daquilo que se vê não é esperança.

Por seu intermédio, alcança-se testemunho e por suas obras, justiça. Pela fé, de Deus o crente torna-se amigo e, por consequência, galardoado. A fé origina o temor, que por sua vez, o arrependimento e este, a novidade de vida; a fé nasce do ouvir e o ouvir, a Palavra.

A fé é uma vitória e a vitória que vence o mundo; virtude poderosa, mas não maior do que o amor, seu companheiro, parceiro de longa jornada. Suas qualidades se confundem com as do primeiro, uma vez que é de igual maneira paciente, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. Seu tamanho não se mensura, é abstrata; concreta; eficaz. Se do grão de mostarda é a sua dimensão, pode lançar montes ao mar. É a lógica do Criador e loucura para o mundo, sabedoria de Deus com vistas a confundir os sábios cujo deus é o próprio ventre.

A verdadeira fé instrui em justiça, prepara para a boa obra. Sobre ela, já discorreram os doutos, alguns em reconhecimento, outros para sua própria condenação. A fé não tem lógica, haja vista ser ela a própria lógica; racional, com entendimento, onde cinco mais dois é igual a cinco mil, onde a virtude se libera por um toque. A fé chama o morto para fora e por ela a glória se revela, a tudo tornando possível.
Pela fé se sabe que tudo quanto foi feito, pelo logos se fez e houve descanso ao sétimo dia. Pela fé, enxerga-se de longe as promessas, com abraço e confissão. Pela fé, o crédulo se mantém de pé diante do invisível.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Direitos de Filho


“Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome.” (Jo. 1-12).

Amados, graças sejam dadas ao Senhor Todo-Poderoso, ao Forte de Israel, que mais uma vez falou conosco através da Sua Santa palavra.

É sabido de toda a gente que aquele que recebe o Senhor Jesus Cristo como Salvador recebe a salvação e, para esse fato, há respaldo na Palavra de Deus em Rm 10-9;10. Mas, você sabe realmente o que significa ser filho de Deus, tal como nos atesta a passagem bíblica que antecede o início deste relato? Se sua resposta for sim, louvado seja o Senhor por sua vida, caso contrário, convido-o a tomar posse de sua herança. Pois sim! Você é co-herdeiro de Cristo e isso não sou eu quem digo e sim as santas escrituras. Veja o que diz Rm 8-17: “E se, nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados.” Vês?! Grandes coisas faz o Senhor por nós e por isso estamos alegres! Ele é o Pai Celestial que sabe dar bens a Seus filhos (Mt.7-11).

É muito perigoso para um cristão permanecer na ignorância e por esta razão não é vão se formos advertidos “zilhões” de vezes a fazer da leitura, estudo e meditação na Palavra de Deus uma constante. Ficar ignorante acerca de nossos direitos de filho, por exemplo, nos deixa passíveis de levarmos uma vida espiritual de forma semelhante ao irmão do filho pródigo: sempre na casa do Pai e com tudo o que é d´Ele ao seu alcance, porém, aparentemente, sem usufruir de nada (releia a parábola e deixa Deus falar contigo a respeito). Não é isso que Deus deseja para nós, lembremos que Seus pensamentos não são como os nossos (Is 55-8;9). Ele deseja o melhor para nós (Jr. 29-11). O único interessado em que permaneçamos inconscientes de quem somos e daquilo que temos em Deus e em Cristo é o diabo, pois sabe que a ignorância pode nos levar a perecer (Oséias 4-6).

Quem é filho de Deus, também é irmão de Jesus (Rm.8-29) e, desse modo, membro de Sua família também quando passa a fazer a vontade do Pai (Mt.12-49;50). Quando eu era mais jovem, odiava que a minha irmã mexesse nas minhas coisas ou usasse o que é meu (ok, confesso, eu ainda me incomodo um pouquinho!), mas Jesus, não! Ele divide o que é d’Ele conosco. Aprecie o que diz Lc 10-19 e, nessa mesma linha de raciocínio, o que atesta Mc. 16-17; 18:

“Eis que vos dou poder para pisar serpentes, e escorpiões, e toda força do inimigo, e nada vos fará dano algum”.

“E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome, expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão”.

Gostou?! Então agora visualize o que mais esse nosso Irmão Maravilhoso faz por nós:

Ele é nosso intercessor (Hb 7-25);
Se compadece de nossas fraquezas (Hb 4-15);
É nosso advogado (IJo.2-1);
Nos deu a vida eterna (Jo.3-16);
Nos deu a glória (Jo.17-22).

Eu poderia continuar a dar vários outros exemplos como estes, contudo tenho certeza que você meu querido leitor, os descobrirá por si mesmo com a ajuda do Santo Espírito do Senhor. Considere o presente estudo como um aperitivo. O povo de Deus é uma nação privilegiada. Temos a promessa do Pai de que nenhuma ferramenta jorjada contra nós prospera (Is 54-17), que sobre a nossa tenda não vale encantamento (Números 23-23), isso sem falar na coroa da vida (Ap.2-10). Continuemos a crescer em graça e sabedoria a fim de que alcancemos um coração entendido. Deus abençoe a todos!

Deus Atende Desejos ou Necessidades?