segunda-feira, 6 de julho de 2020

COMENTÁRIOS A LUCAS 1-1;4



Meus amados, confesso aos queridos que já conto com quase 18 anos de vida cristã, porém nunca havia me atentado para o estilo de narrativa com o qual o evangelista Lucas inicia seu testemunho acerca da biografia de Cristo.
Contudo, esta desatenção não é senão um sinal daquilo que me ensinaram em minhas primeiras lições bíblicas. “A Palavra de Deus se renova a cada dia”. Esse fato é corroborado pela própria Bíblia, pois as palavras inicias do versículo 12 do capítulo 4 do livro de Hebreus, testificam: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz...”. Desse modo, vemos que esse renovo que, dentre outras coisas, caracteriza a essência da Bíblia Sagrada é o mesmo que afirmar que, diariamente, as Santas Escrituras tem o poder de nos ensinar algo novo.
Destarte, estas primeiras considerações, que fique claro, não significa que o entendimento ao qual fiz referência não estava lá, mas sim que somente agora é que o mesmo saltou aos meus olhos.
Daí, meu amado, caso o Senhor tenha lhe dado algum entendimento, que posteriormente você venha a descobrir que já vinha sendo cultivado por outros há muito tempo, não se envergonhe! Deus é Pai de muitos filhos, contudo com cada um deles mantem uma relação particular. Da mesma forma é o processo de santificação – ocorre por etapas, mas o tempo de duração de cada uma dessas etapas depende do indivíduo, lembrando sempre que o Espírito Santo não é invasor. Ele processa em nós a metanóia (mudança de mente) à medida que vamos dando espaço para que ela ocorra e quando Deus quer mudar algo em nós nunca é de forma impositiva, autoritária: primeiro Ele nos conscientiza, nos ensina, nos exorta para só depois operar em nosso ser na proporção em que nos permitimos ser transformados por Ele.
Compartilhar essa primeiras considerações com vocês, queridos me fez lembrar de uma pergunta vinda de uma pessoa ainda não pertencente ao meio evangélico: “Ju, o que a sua igreja proíbe?” Minha resposta para esta pessoa foi: “nada”. Acho que não preciso lhes informar de que grande foi o espanto dessa pessoa ao ouvir tal coisa. Todavia complementei minha resposta com outro dado importante – onde fui e estou sendo criada para Jesus, o entendimento é que a própria Palavra ensina em ICo. 6-12: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convém. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.” Desse modo, aos educadores Cristãos cabe o ensino da Palavra, mas aos discípulos a decisão daquilo que deve ou não deixar por causa do evangelho.
Não posso precisar com exatidão qual foi o grau de impacto que minha explicação operou nessa pessoa, mas posso lhe dizer que a expressão em seu olhar me passou a mensagem de que para ela, uma vida com Deus passou a ter outro significado, o qual a própria Palavra aponta como sendo o verdadeiro: liberdade (Gl 5-1).
Reflexões à parte, vamos agora nos deter a aprender quais foram as providências que o evangelista Lucas tomou antes de enviar o seu relato a Teófilo, ao qual ele qualifica como sendo “excelente”. O dicionário Michaelis online traz como definição para o termo: “que é superior ou muito bom no seu gênero; que se sobressai entre os melhores; prime, seleto.”
Assim temos que Lucas endereçou a parte que lhe coube na disseminação do Santo Evangelho a uma pessoa em específico e me atrevo a afirmar que assim como considerava Lucas excelente a pessoa para a qual ele escrevia o seu impresso, assim também quis ele demonstrar a excelência da pessoa de Jesus Cristo a esta pessoa e para isso seguiu alguns passos que considerou fundamentais ante de conceber o seu texto:
1- Pesquisa de campo. Veja o verso 2 do capítulo primeiro de Lucas. Claramente ali está demonstrado de que o evangelista foi a campo em busca de informações acerca daquilo que se propôs a relatar, não se contentando apenas com o seu próprio conhecimento sobre a pessoa e os feitos de Jesus (vide parte final do verso 3). Vemos também da leitura do fragmento que sua fonte mais abundante foi a oitiva de diversas testemunhas e, melhor! Essas testemunhas não ouviram falar de Cristo pela boca de terceiros e sim conforme os termos encontrados no próprio texto: “...segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio e foram ministros da palavra...”;
2- Ordenação dos fatos. Essa providência está expressa no verso 1 e no verso 3. Após o trabalho em campos Lucas se preocupou em ordenar, cronologicamente, o quanto coletado com vistas a facilitar o entendimento do leitor;
3- O porquê dos passos 1 e 2. Perceba que da análise do verso 4, o próprio Lucas nos responde ao questionamento: “Para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado.” O autor do terceiro evangelho não menosprezou o conhecimento prévio de seu interlocutor, mas sim contribuiu para adicionar credibilidade aos fatos dos quais Teófilo já estava ciente e assim certificar a verdade neles contida.
Os que já professam a fé em Jesus Cristo frequentemente enfrentam diversas oposições como por exemplo o argumento de que a Bíblia é um compilado de conhecimentos totalmente desvinculado de qualquer valor científico.
Entretanto, somente pelos comentários supra vemos que não há verdade nesse arrazoado. Deixo o amigo leitor a vontade para pesquisar acerca da metodologia utilizada pelos pesquisadores, o que na faculdade a gente estuda com o nome de MTC – Metodologia do Trabalho Científico. O que Lucas fez, foi pura MTC!
A bíblia é um livro extraordinário e Glórias sejam dadas ao nosso Deus e Pai por ter nos presenteado com tamanho tesouro! As Santas Escrituras é realmente a bússola do cristão, pois nos capacita não só para a caminhada cristã, mas também para o cumprimento da carreira em nossa vida secular.

REFERÊNCIAS

http://michaelis.uol.com.br/. Acesso em 17 de mai. 2020.
www.bible.com. Acesso em 17 de mai. 2020.
https://www.bibliaonline.com.br/.  Acesso em 17 de mai. 2020.

domingo, 17 de maio de 2020

ALMA DE ARTISTA


Alma de  artista é casa vazia;
É mente cheia de rima;
É a tese versus a antítese, esquisitice...
Maluquice de montar palavra.

Alma de artista é fogo que arde;
É o sangue negro derramado no discurso;
É o sangue do nobre;
Azul anil que da artéria jorra.

Alma de artista é o revelado tesouro;
Saído do ventre do verso trovado;
Da prosa afiada e da crônica pura;
É a boca do artista que canta a violência da rua;

Alma de artista é o zumbido;
Estrépido som que usa o nome do inimigo;
E o nome do homicida;
É gente que anda armada da nota, da rima;

Alma de artista é instrumento; 
No alento, no talento;
No deslize da pena, da estrofe e do acorde;
Alma de artista... É vida!
 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Memórias de um dia de prova - Parte 1

Voltei à realidade com a voz do Professor Teixeira me chamando e me perguntando se eu lembrava aonde estava. Não, eu não lembrava. Minha presença ali, por tempo que não me me atrevo nem a especular, foi apenas de corpo. Meu espírito estava lá fora, na ciclovia, de onde se via o mar bem de pertinho, com os cabelos ao vento a todo vapor em minha bike, com Geninho e Beca me acompanhando.

Pedi desculpas ao educador e ele culpou a administração do colégio pela minha distração. Estávamos, dada a uma situação emergencial, instalados em uma sala que não era a nossa, desprovida de persianas e, portanto,  podíamos contemplar tudo o que acontecia lá fora. Era sexta-feira e nos encontrávamos às voltas com uma complicada prova de física. Complicada mais pelo fato de o Professor Teixeira ser o ministrador da disciplina do que pela ciência em si. Ser o melhor amigo de Geninho, neste aspecto, me era por demais recompensador. Ele, que conseguia ficar tão concentrado quanto uma mosca pousada em qualquer superfície, era fera em tudo o que envolvia cálculo.

Voltei a me concentrar na folha de papel semi-preenchida em minha frente e fiz mais umas duas ou três contas, sinalizando meu raciocínio com algumas setas, mas eu não conseguia parar de pensar nas pessoas do outro lado da rua. Oh, como eu as estava invejando! Gente de todas as idades, de roupa esporte, acompanhadas ou não. Algumas senhoras seguravam os seus chapéus de modo que esses não fossem levados pela ventania. E eu ali... Física... O profº Teixeira...

Beca, o amor da minha vida desde a 5ª série, estava sentada duas fileiras depois de mim. Ela mantinha a cabeça apoiada em uma das mãos e seu olhar parecia distante. Imaginei se assim como eu aspirava ela pela liberdade. Resolvi então perguntar: ergui uma das mãos ao tempo em que proferi o nome do Teixeira em alta voz. Ele me lançou um olhar fulminante e depois ralhou comigo pelo chamado em alta voz. Realmente  não havia necessidade de gritar, mas fiz de propósito, pois desejava que Beca olhasse para mim, o que funcionou.

Passado esse momento, Teixeira caminhou até mim bufando a fim de ouvir minha petição. Pus a mão à testa e solicitei que ele me tocasse com vistas a averiguar se eu tinha febre, mas para Beca o meu gesto significava saber como ela estava. Em resposta, minha amada tocou o nariz com a ponta do indicador esquerdo sinalizando que já finalizara a avaliação. Beca tinha paixão por Literatura e Biologia, nunca na galáxia acabaria tão rápido aquela prova sem ajuda. Estremeci de espanto e Teixeira julgou que eu havia tido um espasmo. Controlei-me para não sorrir satisfeito pelo sucesso do meu teatro e em resposta fiz cara de coitadinho. Pender o pescoço me deu a oportunidade de voltar minha atenção, ainda que por um breve momento, para beca que, esticando uma das pernas, deu-me a entender que a pessoa a sua frente era uma "mina", ou seja, alguém que entendia do assunto. Para meu revés a mina não era o Geninho e sim meu maior desafeto, o Fernando.

Estava claro que ele a tinha ajudado para me provocar, pois sabia que Beca era meu ponto fraco, principalmente porque seus pais eram contra o nosso namoro.


quarta-feira, 14 de junho de 2017

A subversão da ordem institucional e a segurança jurídica

Para quem não está familiarizado com a expressão subversão da ordem institucional, talvez a conheça como golpe de Estado. Este, por sua vez, pode ser conceituado como o ato de depor um governo legitimamente instalado, ou como uma ruptura institucional repentina e, para ficar mais claro, vamos apresentar o conceito de subversão, de acordo com o Aurélio: Ato ou efeito de subverter. Insubordinação; revolta; ruína; perversão; destruição.

Feitas estas considerações iniciais, vamos a uma rápida aula de história: desde o início de nossa trajetória como República em 1889, registramos nove episódios, aos quais os historiadores, contempladas as respectivas características, consideraram como espécies de golpes de Estado. O primeiro deles ocorreu em 1823, e é denominado como “Noite da Agonia”.

Dado pelo próprio imperador, D. Pedro I, contra a primeira Assembleia Geral Constituinte Brasileira. Essa Assembleia, eleita e instalada em 3 de maio de 1823, tinha o objetivo de confeccionar o primeiro texto constitucional. O principal motivo para o golpe foi as disputas políticas internas dos constituintes, que se dividiam entre liberais e conservadores e assim o imperador, à época, optou pela dissolução da Assembleia, o que ocorreu na madrugada do dia 12 de novembro de 1823.

Nosso segundo exemplo aconteceu 17 anos mais tarde em 1840, durante o período regencial. Trata-se do Golpe da Maioridade.

Após a Abdicação de D. Pedro I, em 1831, o herdeiro do trono, D. Pedro II, era apenas uma criança. Dessa forma, a chefia do país teve que ser confiada a regentes, entretanto, esse período perfazia-se complicado, politicamente, vez que a disputa entre liberais e conservadores estava no auge. Um grupo de deputados e senadores, então, juntaram-se e formaram um clube chamado “Clube Maiorista” que, após certo interstício temporal contou com a adesão do próprio Pedro II. Frente a isso, Dom Pedro II ascendeu ao trono em 23 de julho de 1840, antes de atingir a maioridade.

O terceiro golpe foi a Proclamação da República. Datado de 15 de novembro de 1889, foi na verdade um golpe militar que pôs fim ao regime monárquico no Brasil. O movimento republicano no Brasil remontava à época colonial, mas se tornou realmente intenso na época do Segundo Reinado. Mas para que o golpe contra a monarquia fosse bem-sucedido, os republicanos necessitavam do apoio da principal autoridade militar da época: o marechal Deodoro da Fonseca.  

Para convencer Deodoro a “proclamar a República”, os conspiradores tiraram proveito dos prejuízos que as decisões do então ministro de Pedro II, Visconde de Ouro Preto, acarretavam ao Exército. Além disso, disseram ao marechal que, em lugar de Ouro Preto, seria nomeado um antigo inimigo pessoal seu: Gaspar da Silveira Martins.

Diante dessa situação, Deodoro reuniu algumas centenas de soldados e marchou sobre a cidade do Rio de Janeiro com o objetivo de derrubar o ministério de Ouro Preto. Esse gesto, desprovido de participação popular, deu início ao regime republicano no país.

Nosso golpe de nº 04, datou-se de 03 de novembro de 1891.  O monarquista que proclamou a república (!) ficou encarregado de chefiar interinamente a nação até que esta tivesse uma Constituição. Em 14 de fevereiro de 1891, o texto constitucional ficou pronto e Deodoro da Fonseca foi eleito indiretamente o Presidente da República, ficando a vice-presidência sob a égide do também marechal Floriano Peixoto.

Deodoro passou o primeiro ano de seu governo sofrendo pressão dos oposicionistas e, por causa disso ,dissolveu, via decreto, o Congresso Nacional em 3 de novembro de 1891. Em seguida, para completar o golpe, instaurou, com outro decreto, Estado de Sítio no Brasil.

O próximo fato histórico aqui a ser narrado, assim creio eu, provocará sinestesia nos leitores: vinte dias após o golpe de 03 de novembro Deodoro da Fonseca renunciou ao cargo de presidente, diante da reação da marinha brasileira, que ameaçou bombardear a cidade do Rio de Janeiro caso o presidente continuasse no cargo. Essa reação ficou conhecida como Primeira Revolta da Armada.

O assento presidencial foi ocupado pelo vice, Floriano Peixoto, porém, a Constituição da época previa a convocação de novas eleições presidenciais, vez que Deodoro governara por período inferior a um ano. Floriano, no entanto, não convocou as novas eleições com a justificativa de que a Constituição de 1891 determinava a convocação de novas eleições só se o presidente tivesse sido eleito diretamente pelo povo, o que não ocorreu no caso de Deodoro da Fonseca. Essa “brecha” na Lex Mater sustentou Floriano no poder.

Sexto golpe: a Revolução de 1930. De cunho civil-militar, este movimento foi encabeçado por lideranças dos estados da Paraíba, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, que juntas lutaram contra todo o restante do país.

Seu estopim foram as eleições presidenciais daquele ano. Por intermédio de um resultado fraudulento, o candidato da situação, Júlio Prestes, indicado como sucessor do então presidente Washington Luís, foi eleito o novo presidente, mas, ao contrário do que ocorria antes, nos áureos anos da Primeira República, a oposição não aceitou o ardil e partiu para o enfrentamento físico.

O governo impopular perante as massas sucumbe facilmente e Getúlio, então candidato da Aliança Liberal, assume o poder, em caráter provisório, a 3 de novembro de 1930. Dá-se assim início à “Era Vargas”.

O sétimo lugar de nossa lista vai para o golpe intitulado como “Estado Novo”. Em 1934, Vargas é confirmado no poder elegendo-se, indiretamente, Presidente da República. O estadista lidou com diversos problemas. O principal deles foi a chamada Intentona Comunista, todavia as forças do governo não tiveram dificuldade em sufoca-la.

Esse gesto, no entanto, não afastou os fantasmas do comunismo e do tenentismo a ele associados. Essas duas frentes, por sua vez, eram forças a serem suprimidas, segundo a ótica dos militares e das lideranças civis contrárias a Getúlio.

Em 1937, foi descoberto um suposto plano de uma revolução comunista a ser executado no Brasil, o chamado Plano Cohen. Esse plano teria sido forjado pelo capitão Olímpio Mourão Filho (conhecido membro do Integralismo, grupo que, no início da década, apoiava o então presidente) com o objetivo de provocar alarde na opinião pública e justificar um golpe de Estado e a formação do Estado Novo. Vale salientar que a adesão/simpatia popular ao golpe não ocorreu de forma instantânea, mas de uma ação estatal que perdurava desde 1935. O Governo Federal, por intermédio da propaganda, foi implantando no seio da sociedade (qualquer semelhança...) o quanto era “letal” o comunismo, fazendo com que a sociedade se amedrontasse e o repelisse caso houvesse uma tentativa de implanta-lo no país. Por fim, o Sistema político, de caráter ditatorial, iniciado em 10 de novembro de 1937, conhecido como Estado Novo perduraria até o ano de 1945.

Em penúltimo lugar, está a deposição de Vargas em 1945. O grande paradoxo (ou o engraçado) é que os mesmos militares que facilitaram sua ascensão ao poder providenciaram a sua queda.

O mundo aspirava ao fim da Segunda Guerra Mundial e Vargas, assim dizem as más línguas, era simpatizante do fascismo europeu tendo, inclusive, se aproximado da Alemanha nazista no início do Estado Novo, mas dela afastou-se nos meados do conflito (por pressão dos americanos, segundo alguns historiadores, temendo sermos invadidos por estes) passando a apoiar as potências aliadas, como EUA, Inglaterra e URSS, que foram vencedoras da guerra.

O cenário pós-guerra veio então impregnado de mensagens de paz, democracia e direitos humanos e essa nova roupagem com a qual se guarnecia o mundo fez com que o Estadista se convencesse de que não teria cabimento continuar um regime nos moldes do Estado Novo. Iniciou então um processo de abertura democrática que visava nada mais que sua permanência no poder.

O estadista gaúcho aproximou-se tanto do PCB, bem como das bases operárias urbanas acreditando que ali estava o apoio necessário para conseguir seu intento. Essa aproximação resultou no Queremismo e no aumento do descontentamento das lideranças liberais e militares para com o Chefe de Estado. A “gota d'água” veio com o afastamento do então  chefe de polícia do Distrito Federal João Alberto Lins de Barros. Em resposta, tropas se mobilizaram no Distrito Federal. Gaspar Dutra e outros militares, procurando evitar derramamento de sangue, propuseram a Vargas que assinasse um documento de renúncia ao cargo. Passado esse momento, Getúlio refugiou-se em sua cidade natal, São Borja.

Chegamos então ao final da primeira parte deste postulado apresento-lhes o item derradeiro de nossa lista: O Golpe Militar de 1964. Seus principais fatos são:

João Goulart, nos anos de 1963 e 1964, apresentava uma postura polêmica ao incitar militares de patente baixa, como sargentos, a se insubordinarem contra a hierarquia militar;
Além de apoiar as reivindicações de reformas dentro da estrutura militar, Goulart também tinha propostas de reformas de base em outros setores, como o setor agrário.

Em meio a essa ambiência, na madrugada de 31 de março, o general Olímpio Mourão Filho (sim, ele mesmo!) mobilizou suas tropas de Juiz de Fora contra o governo. Ao mesmo tempo, no Rio de Janeiro, Costa e Silva liderou outra ofensiva, independente da de Mourão. Goulart, no dia seguinte a essas ações, não havia ainda se manifestado.

No dia 2 de abril, o Congresso Nacional, pensando que o presidente havia se exilado, declarou a presidência vaga. O presidente do Congresso, Ranieri Mazzili, assumiu o posto. Goulart ainda não havia saído do país, mas já era tarde: a decisão do Congresso estava tomada e, a dos generais, idem. Estes instalaram o Supremo Comando Revolucionário e escolheram, por meio do Ato Institucional nº 1, um novo presidente para o Congresso.

Ante a exposição acima, o que se concluí? O Brasil parece fadado a repetir ciclicamente seus acontecimentos históricos. Recomendo assistirem aos filmes “Mauá – o Imperador e o Rei” e o também brasileiro “Eles não usam Black tie” para depois refletir: mudou alguma coisa em nosso país? E nesse ponto alguém me pergunta: “Juliana, cadê a segurança jurídica?” Afirmo-lhes que a mesma é um princípio constitucionalmente garantido não de maneira expressa, mas implícita e para que a mesma exista pressupõe-se uma ordem jurídica em que se garantam importantes instrumentos para a defesa dos particulares em face do Estado e seu poder de império. Em cenários politicamente instáveis, esta fica ameaçada e sua manutenção comprometida, pois geralmente cometem-se atos travestidos de legalidade com propósitos outros que não o alcance da justiça.

Em Direito, além da adequação da norma ao caso concreto, existe a preocupação com os precedentes, ou em outras palavras com a jurisprudência, entretanto o verbete precedente expressa melhor o entendimento que devemos ter agora e me atrevo a afirmar que uma vez alcançada tal meta, sua profundidade será de cunho paradoxal.  A resposta está na leitura das entrelinhas, contudo nossa mente tenderá a vasculhar a fim de encontrar o porque da construção de um arcabouço jurídico tão voltado a nos proteger das vicissitudes dos perfis ditatoriais e coronelistas se ao final lançar mão das, por assim dizer, ferramentas destes regimes parece mais célere e eficiente.

É triste perceber o abalo que os alicerces trazidos pela Constituição de 1988 vem sofrendo. Ordem e progresso é o que diz a nossa flâmula e não o contrário.


REFERÊNCIAS


FERNANDES, Cláudio. "Quantos golpes de Estado houve no Brasil desde a Independência?"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/historia/quantos-golpes-estado-houve-no-brasil-desde-independencia.htm>. Acesso em 23 de agosto de 2016.


https://dicionariodoaurelio.com/. Acesso em 23/08/2016.



sábado, 16 de julho de 2016

Cristão – quem é você


A palavra de Deus, no livro de Oséias, cap. IV, verso VI, primeira parte, diz: “O meu povo  foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento.” Dessa passagem se depreende o entendimento de que é importante para o cristão crescer também em conhecimento, pois esse é um dos ramos do poder.

Um cristão que bem maneja a Palavra da Verdade (2Tm 2-15) é um cristão mais difícil de ser ludibriado pelo inimigo, não propenso, dentre outras coisas, a dar ouvidos a doutrina de demônios (1Tm 4-1). Desse modo, o presente estudo tem o objetivo de revelar cinco pontos integrantes da identidade cristã, fazendo a ressalva de que tal rol é exemplificativo e não taxativo, uma vez que nosso Deus é fonte inesgotável de sabedoria e tesouros e assim, portanto, fomos agraciados por estas e por muitas outras coisas nas regiões celestiais (Ef 1-3).

Primeiro ponto: você é filho de Deus (Jo 1-12). Recebeu, ou melhor, reconheceu Cristo como Salvador e Senhor de sua vida? Parabéns! Você se tornou filho de Deus e olhe o que diz ainda o versículo: “... deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus...”.  Perceba: ser filho de Deus é um direito e também um poder que o próprio Deus nos concede;

Segundo ponto: você é irmão de Jesus (Rm 8-29). A compreensão deste segundo ponto decorre do primeiro. Uma vez feito membro da família de Deus (Ef 2-19), Cristo torna-se seu irmão;

Terceiro ponto: você é coerdeiro com Cristo (Rm 8-17). Este ponto, tal como o anterior, guarda relação com o primeiro. Acompanhe – filhos, logo herdeiros e coerdeiros de Cristo. Em outras eras, apenas o primogênito herdava os bens da família. Na atualidade, todos os filhos são herdeiros, não importando se detentores ou não da primogenitura. Cristo, conforme a Palavra,é o primogênito entre muitos irmãos, porém o que é Dele também é nosso;

Quarto ponto: você tem autoridade sobre as forças do mal (Lc 10-19). Os quatro evangelhos são ricos em passagens que corroboram a divindade de Jesus e, portanto, sua autoridade sobre os espíritos malignos. Nessa passagem, em especial, vemos que Ele revestiu a Sua Igreja com este mesmo poder;

Quinto ponto: Cristo é o dono da casa e você é o doméstico (Mt 10-25). Em algumas traduções bíblicas, ao invés da expressão “dono da casa” encontramos a expressão “pai de família”, mas isso não muda ou sequer atrapalha entendermos que Jesus é Senhor sobre nós, já que Ele é o Cabeça da Igreja (Ef 5-23). Isso significa dizer que estamos suscetíveis a padecer as mesmas aflições, calúnias, injustiças e/ou perseguições pelas quais Ele passou durante Seu ministério terreno. Em outras palavras, ser cristão é ser parecido com Cristo e assim, tal como somos convidados a alcançar a estatura do Varão Perfeito (Ef 4-11;14), imprescindível é que nos conscientizemos que isso implica, inclusive, padecermos por amor de Seu nome (MT 10-22).

Como considerações finais, temos que a pessoa, uma vez feita sua manifestação de fé em Cristo, reconhecendo Seu sacrifício expiatório; investida na família de Deus, e herdeira das coisas do Céu, não é mais a mesma, e muito menos pertence mais a este mundo (Jo 15-18; 19 e 17-14;16).


O viver pelo Espírito (Rm 8-5) e Nele frutificar (Gl 5-22) passam a ser as diretrizes do seu viver, não significando estar apartado, necessariamente, das coisas dessa terra, mas estas se tornam secundárias (Mt 6-33), inclusive, em seu coração (Lc 12-34).

terça-feira, 12 de julho de 2016

Primeiro Quinquênio




O mês de junho veio, se foi, porém é válido o registro de que, foi neste dito interstício de tempo que concretizei a ideia de inaugurar este espaço. Lembro-me como se fosse hoje minhas dúvidas, medos e incertezas de como seria a recepção de meu público, aliás, eu não sabia nem se teria um público!

Mas, o que outrora foi um turbilhão de emoções conflitantes, agora é o júbilo de um coração palpitante de alegria e uma alma cheia de gratidão ao Deus dos Céus por ter me concedido esse dom. Deixei-o enterrado por vários anos e quando resolvi exercita-lo novamente cheguei a questionar o que faria com tal coisa, uma vez que vivo em um país onde a maioria da população é analfabeta funcional. Foi daí que alguém me disse: “Escreva!” e assim o fiz, tal como Moisés ouviu o comando do Senhor: “... Diga ao povo que marche”.

Enfim, cinco anos, cinco mil e vinte e três (e contando) visualizações de página. É o Blog Ju Passinho comemorando seu primeiro quinquênio de existência, com a certeza de que ainda há um longo caminho a percorrer e muito ainda para se aprimorar, contudo basta a cada dia o seu mal.


Deixo aqui o meu abraço e o meu muito obrigado a você, querido leitor, sem o qual, esse labor seria vão. Felicidades a nós e que venham mais cinco! 

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Ideias e Oportunidades de Negócio


Diferentemente do que parece ser, nem toda ideia é uma oportunidade de negócio. As ideias são bastante genéricas. As oportunidades de negócio, não. Para exemplificar, o que você escolher para presentear o seu amor ou até mesmo o que vier a sua mente como cardápio para o jantar, são ideias, porém, em tese, não significa que essas abstrações podem ser transformadas em oportunidades de negócio. Complicado? Então prepare-se, pois a coisa só piora (brincadeirinha): nem toda ideia, aparentemente uma boa oportunidade de negócio, deve ser posta em prática, mas calma! Vamos esclarecer as coisas.

A priori, destaquemos a diferença entre as duas expressões:

Ideia – existe em maior quantidade. Pode ser uma abstração; intuição; plano. Toda oportunidade de negócio surge através de uma ideia, mas não o inverso.

Oportunidade de negócio – é a ideia economicamente viável, mas cuidado! Negócios, a princípio, economicamente viáveis não são sinônimos de boas oportunidades de negócio. Tem que haver um filtro e, neste caso, a ferramenta ideal é um estudo de mercado, seguido de um bom plano de negócio.

Feitas estas considerações iniciais, aqui vai um importante conselho: não queime etapas, tampouco tenha pressa em concluí-las, principalmente se a etapa em questão for a de planejamento. Tenha em mente que o planejamento será a causa do sucesso ou do fracasso do seu empreendimento, isso sem falar na ingerência, mas isso é assunto para outra hora.

A carga tributária brasileira é muito alta. O Estatuto das Micro e Pequenas Empresas veio para facilitar as coisas, mas mesmo assim o fardo a carregar é pesado para o iniciante. Além disso, é imprescindível que aquele que deseja empreender entenda que, apesar de ter se tornado seu próprio patrão, terá jornadas de trabalho bastante excedentes à que se submete o trabalhador formal e que terá que abdicar, inclusive, de seus finais de semana e feriados. Mesmo que seu capital inicial seja suficiente, até mesmo, para contratação de mão-de-obra, a presença do dono é primordial, pois como diz aquele ditado: “o olho do dono é que engorda o gado”.

Dando continuidade ao presente postulado e, aqui acreditando que a ideia principal do que seja uma ideia e uma oportunidade de negócio foi absorvida, importante salientar que a oportunidade de negócio e o empreendedor não podem estar desarmonia. Significa dizer que a oportunidade deve se ajustar ao empreendedor. Não é recomendável que uma pessoa resolva ingressar em um mercado que não lhe atrai e aqui não estou falando de lucro. Dinheiro não é tudo! Verdade é que a oportunidade pode ser também definida como aquilo que gera lucro, todavia há outras questões envolvidas, tais como perfil individual, know-how e motivação. Geralmente, o que leva um indivíduo a empreender é a possibilidade de trabalhar para si e, principalmente, trabalhar com o que gosta e é sobre este último que versa este parágrafo. De fato, não há nada que proíba uma pessoa a enveredar por certo negócio face ao alto lucro que este venha a render, mas quem assim procede corre o risco de após algum tempo descobrir que não se identifica com aquilo, mas aí não mudará de ramo porque “o aquilo está dando dinheiro” e, a depender da situação, há a possibilidade desse dinheiro ser gasto com terapia e antidepressivos.

Outrossim, e, como já dito em parágrafos anteriores, o que vai separar a ideia da oportunidade de negócio é o estudo de mercado e, posteriormente, a confecção de um plano de negócio. Saliento, contudo que a construção deste último só ocorrerá após o empreendedor decidir qual será o seu produto ou serviço. Com referência ao primeiro, a pesquisa mercadológica pode acompanha-lo, todavia com aquele não se confunde. O estudo de mercado possibilita a identificação da demanda ou a criação desta, como também analisa e antevê problemas conexos. A pesquisa mercadológica, do produto ou serviço, por sua vez, é que irá prover o administrador de dados qualitativos e quantitativos, que podem ser relativos à idade, sexo, hábitos de compra, etc.

Por fim, o uso das ferramentas acima é o que possibilita, como já dito, ao empreendedor diferenciar a ideia da oportunidade de negócio e assim revelar informações importantíssimas tais como a existência ou não de concorrentes, quais as possíveis barreiras para novos entrantes e, sobretudo, a viabilidade do negócio. Frise-se que esta tem que ser entendida como sobrevida (inclusive no aspecto ambiental), pois há determinadas ideias que podem ser rentáveis por certo período e depois sofrerem saturação. O ideal é que o produto ou serviço seja concebido de forma a agregar valor ao cliente e no decorrer de seu ciclo de vida sofra alterações com vistas a não enfadar o consumidor. Alem disso, deve dificultar, ao máximo, a ação da concorrência.

REFERÊNCIAS



quarta-feira, 29 de junho de 2016

Frustrações de Alice

A vida adulta nos traz a liberdade para conduzir nossos caminhos, bem como a possibilidade de tomarmos decisões por nossos mesmos, entretanto não há bônus sem ônus. Alice aprendera tal lição e tanta outras por intermédio de sua saudosa mãezinha.

Metade da manhã havia se consumido. O sol brilhava tímido no céu acompanhado de nuvens esparsas e esquálidas. O vento parecia ter se recolhido, pois não se podia visualizar seu movimento por entre a vegetação. Plúmbeas divisórias e um mobiliário cor de gelo eram o cenário que compunha aquele ambiente interno em que fisicamente a balzaquiana se localizava. Sua mente, por sua vez, viajava por entre aquele quadrado da natureza; moldura da janela cujo diâmetro lhe permitira dali partir e misturar-se aos naturais, amigos seus não fluentes em língua portuguesa, mas que lhe entendiam tão bem.

Alice não conhecia para a situação que até então atravessava outro remédio senão liberar seu cognitivo tão poderoso e veloz - saneamento melhor não existia. Frustrada estava. Ansiosa, desgostosa. Aquele querer lhe devorava. Apaixonara-se e se deixara arrebatar por essa paixão como há muito não se permitia, mas frustrara-se. Agora, só o tempo lhe embalsamaria as feridas e a homeopatia daquela solidão reflexiva, seria seu elixir.

Se sabatinada fosse, não saberia dizer o que dera de errado. Os olhares, as gentilezas, as amabilidades e os elogios mútuos eram típicos dos enamorados. Sua cabeça doía devido à hiperatividade de uma gama de conhecimentos de tão pouco proveito naquele momento. A ciência nunca pôde aprisionar qualquer emoção em um tubo de ensaio. As coisas do coração jamais se confinariam nas paredes frias de qualquer laboratório. Como então encontrar um culpado ou uma explicação? Teriam sido suas ações insuficientes ou excessivas? Quem seria capaz de lhe responder tal indagação, uma vez que o detentor de tal conhecimento é justamente o objeto de seu rejeitado afeto?

Alice remexeu-se na cadeira e afastou uma mecha de cabelo que lhe caía à testa para depois finalmente voltar sua atenção a pilha de documentos a sua frente. Suspirando impacientemente, sorveu um gole d’água. Seus lábios estavam secos, mas dos beijos dos quais não usufruíra e seus ossos frios dos abraços que não recebeu. Depois dali deslocar-se-ia ao habitat da escuridão e da lástima, onde um dia fora casa adornada e pronta para o amor; e o leito antes reservado ao laço de dois corpos envolvidos pelo torpor do prazer, servia de jazigo às lágrimas de lamúria e desapontamento; soluços e gemidos tomaram o lugar da orquestra que entoaria o tema dos amantes, hoje falsos amigos, fadados aos salamaleques que a boa educação exigia.


Esse último pensamento fez com que Alice remexe-se novamente e liberasse um novo suspiro. Precisava ser compassiva, pois assim quem sabe seu opróbrio seria de alguma valia. O outro lado era fina flor a desabrochar; era menino trôpego em suas primeiras passadas, que acha que ama e achou que amou, contudo nada ainda viveu. Apenas contempla sua face no espelho, como Narciso via-se em águas cristalinas. Pobre querido de todas e amado de nenhuma.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Organizações para inglês ver


Pensa que viver de aparências é algo exclusivo da vida privada? Ledo engano. Empresas também vivem de aparências.

Toda organização tem sua imagem, anseia pela construção de uma ou por sua melhora. A imagem organizacional na verdade é uma estratégia de segmentação. O ofertante de determinada demanda, a partir de sua inserção no mercado, escolhe como deseja segmentar-se: por indústria, também conhecida como a de não-diferenciação (abarcar o maior número de consumidores que puder, geralmente valendo-se da estratégia do baixo preço), por diferenciação (o número de consumidores torna-se mais restrito, uma vez que a adição de uma singularidade em um produto ou serviço pode encarece-lo) e, finalmente, por concentração (um segmento é escolhido como prioridade e a este são dirigidos todos os esforços empresariais).

A imagem, no entanto, objeto de nosso estudo no presente momento será a aparência, a embalagem, o invólucro, em um aspecto mais interno, apesar de os termos dos quais há pouco me utilizei darem ideia de exterior. Cultura organizacional talvez seja o termo que aqui melhor se aplicasse, no entanto, não desejo que este postulado receba rótulo algum senão o seu título. Em outras palavras, desejo abordar aqui as organizações para “inglês ver” em seus diversos aspectos, seja para denúncia do gestor que finge investir em qualificação profissional ou a exposição do colaborador que se especializou na arte de parecer ocupado (vadiagem sistemática). Saliento, no entanto, que quando digo denunciar e expor faço alusão à descrição do comportamento/atitude e não a fazer menção a este ou aquele individuo em específico. 

Quando iniciei o curso de Administração, Recursos Humanos era a área que menos me atraía, mas por incrível que pareça, esta tendo sido o alvo de meus melhores momentos  de inspiração (!). Não me considero uma especialista, contudo me preocupo com as pessoas. Quiçá tal altruísmo tenha origem em minhas experiências como colaboradora. Prestei serviço em lugares que eu simplesmente odiava, porém a precisão era o que me motivava levantar da cama todas as manhãs. Psicologicamente, era uma prisão para mim, pois além do salário ser uma droga, as relações interpessoais eram sofríveis. Lembro-me sempre de Drucker que, em certa ocasião, disse a um grupo de empresários de diversos ramos que os segmentos por eles explorados se resumiam em um só: trabalhar com pessoas. Tem líder, por sua vez, que não enxerga isso. Sua visão se limita aos resultados da DRE’s. Lamentável...  

Sem mais delongas, conceituo as organizações para “inglês ver” como aquelas que adotam novas concepções e conceitos da Ciência Administrativa, no entanto, tais medidas não mudam coisa alguma. Em outras palavras, podemos dizer que tais empresas são semelhantes aos que seguem tendências só para parecer moderninho sem, contudo transformar nada mais que o seu exterior. Medidas assim podem até levar seus administradores para a capa das revistas ao passo que seu passivo trabalhista aumenta concomitantemente ao nível do absenteísmo. E como se isso já não bastasse, vamos lá colocar um para fazer o trabalho de três, superespecializa-los ao ponto de não ter ninguém que o substitua e aí, como dizem por aqui: “fica tudo lindo na Bahia”.

 Já ouviram falar em lucro envenenado? Pois é, ele existe e das empresas que tenho notícia que assim galgavam degraus faliram ou foram vendidas.

Há também organizações que são administradas aristocraticamente. O corpo funcional divide-se em “camadas sociais” onde os privilégios se concentram por sobre os que ocupam o topo piramidal e na opinião desta bacharela são as que mais se encaixam no modelo que intitula o presente postulado. A comunicação organizacional é feita em nome da comunidade, entretanto, tal como o corpo fala, atitudes, idem. Não adianta frases de efeito em cartões virtuais comemorativos se apenas a nata é sujeito dos benefícios institucionais.


Fico a imaginar se recebêssemos (mais) pressão internacional tendente a abolir a prática empresarial em tela, tal como foi à época do Brasil Imperial quando a Inglaterra nos ameaçou, a ponta de espada, para que a escravidão fosse abolida. Teríamos líderes mais humanos? Haveria menos desrespeito às normas trabalhistas? Talvez, mas a questão aqui é cultural. Enquanto as figuras do senhor de engenho, do feitor e do escravo estiverem em nós enraizadas, árdua e quase impossível, será a  tarefa de inserção de novos paradigmas acompanhada da completa extinção dos antigos.

Pensamento do dia

A sabedoria alcança àqueles que a buscam, no entanto a estrada tem de ser ladrilhada pela perseverança e pela abdicação.

sábado, 19 de março de 2016

As vantagens e desvantagens do processo de seleção

Todo administrador que se preze tem que saber que para toda ação há uma reação, tal como preceitua a Terceira Lei de Newton. Em outras palavras, cada decisão tomada acarretará em uma repercussão positiva ou negativa no âmbito organizacional. O processo de seleção, embora menosprezado e subestimado, é merecedor do mesmo grau de atenção a que se dispende ás decisões de médio e curto prazo.

A abordagem acima não surpreende quem já possui o entendimento de que o mais precioso recurso que uma organização possui são as pessoas. Investir no capital humano significa valorar a clientela interna e com isso crescer em vantagem competitiva.

Ainda sob este viés, o processo de seleção pode ser resumido como sendo a maneira pela qual se escolhe as pessoas certas para funções e tarefas idem. Escalar, por exemplo, quem não gosta de gente para lidar com gente é, como se diz no popular, “procurar sarna para se coçar”, por isso, ideal é que o administrador ou gestor entenda que a escolha, nesse campo, deve ir mais além que uma análise curricular ou a indicação de um amigo.

Antes de nos aprofundarmos mais no assunto, necessário se faz diferenciar a seleção do recrutamento de pessoal: a seleção de pessoal consiste na escolha, entre os candidatos recrutados, daqueles mais adequados aos cargos existentes na empresa, visando manter ou aumentar a eficiência e desempenho do pessoal enquanto que o recrutamento é o conjunto de procedimentos que visa atrair candidatos potencialmente qualificados e capazes de ocupar cargos dentro da organização. Nesse aspecto, quero chamar a atenção para uma palavrinha ajudante da composição do conceito de recrutamento ora apresentado: “capazes “. A capacitação não é o objeto de nossa análise nesse instante, todavia a expressão deriva do substantivo capacidade, que por sua vez significa poder de execução, produção, rendimento. Por isso, a seleção é o processo onde ocorrerá a triagem e filtragem dos candidatos recrutados para uma posterior escolha daquele que mais se encaixa no perfil desenhado para o cargo.

Da leitura do parágrafo anterior, depreende-se o entendimento de que a seleção se inicia pelo recrutamento e este pode ser de dois tipos: interno ou externo. Interno é aquele que privilegia o preenchimento da vaga através dos recursos internos da empresa. O externo é mais abrangente. Busca-se a captação de recursos humanos no próprio mercado de trabalho e assim, a oferta de candidatos à vaga é maior.

Tanto uma quanto outra modalidade apresenta suas vantagens e desvantagens, tal como exposto no quadro a seguir:


RECRUTAMENTO INTERNO


VANTAGENS


DESVANTAGENS
Mais econômico;

Exige que os novos empregados tenham potencial de desenvolvimento para poder ser promovidos, e se isso não acontecer poderá ocorrer desmotivação ou desligamento;

Mais rápido, pois a transferência pode se dar de forma imediata;
Pode gerar problemas com aqueles que não têm potencial de crescimento, levando-os a escolher subordinados fracos ou boicotar os que podem crescer;

Mais seguro;

Quando administrado incorretamente pode levar a situação conhecida como “Princípio Peter”.

Fonte de motivação.

RECRUTAMENTO EXTERNO


VANTAGENS


DESVANTAGENS
“Sangue novo” e experiências novas para a empresa;
Mais caro e mais demorado que o recrutamento interno;
Aproveita os investimentos em preparação e o desenvolvimento de pessoal efetuado em outras organizações ou pelo próprio candidato.

Em princípio é menos seguro que o recrutamento interno, pois os candidatos são desconhecidos;

Pode desmotivar o pessoal interno;

Pode afetar a política salarial da empresa, influenciando as faixas salariais.


Percebe-se que, seja qual for a modalidade escolhida, haverá um preço a ser pago. Cabe ao responsável pelo processo avaliar os prós e os contras de forma a escolher o menos oneroso ao empreendimento, uma vez que há fatores que influenciam no processo, tais como os fatores tempo e custo. A necessidade de contratação pode advir de um momento em que a empresa não esteja em condições de terceirizar a demanda, bem como a reposição ser tão urgente que não se dê para aguardar o término de todo o processo. Entretanto, importante se faz que o absenteísmo não seja uma constante no meio organizacional e para quem não está familiarizado com o termo o mesmo define a tendência dos colaboradores de uma organização de se defender das deficiências do ambiente corporativo, como por exemplo, faltar ao trabalho por motivos de saúde. É claro que não devemos tomar tal ato como genérico, tampouco interpretar as ausências como adesão ao fenômeno, contudo ficar alerta ao número de ocorrências é prudente, pois o absenteísmo é venenoso – uma vez instalado, aumenta os custos organizacionais e atravanca o processo de persecução dos objetivos empresariais.

Superada a fase do recrutamento, inicia-se a seleção de pessoal propriamente dita. O processo baseia-se fundamentalmente na análise comparativa entre as exigências do cargo e as características do candidato. Essa comparação acontece por intermédio de entrevistas (estruturadas ou não) e testes de aferição variados, que objetivam examinar aspectos que vão do prático ao psicológico.

A dinâmica de grupo, por sua vez, também é largamente utilizada, principalmente quando o cargo a ser preenchido exija que seu detentor tenha iniciativa, bem como seja capaz de tomar decisões sensatas, ainda que sob pressão.

Finalizada a seleção, um laudo é confeccionado. É a síntese de todo o processo. O requisitante receberá um parecer contendo o perfil de cada um dos finalistas, juntamente com o respectivo posicionamento em razão dos testes realizados. Passada essa fase, os finalistas serão submetidos a uma entrevista técnica, ficando a cargo do requisitante a escolha final.

Tal como afirmado em nossas considerações iniciais, o assunto em tela tende a ser menosprezado e subestimado, porém quando executado em todas as suas etapas e minúcias, traz benefícios à organização - possivelmente em longo prazo, mas nem por isso desvantajosos. Outrossim, confira abaixo alguns exemplos dos erros mais cometidos no processo de contratação:

1 – Buscar um clone” do empregado anterior;
2 – Fazer as coisas no desespero, sem ter um banco devidamente abastecido de currículos;
3 – Omitir a parte ruim do cargo ou prometer coisas inexistentes na tentativa de segurar um bom candidato;
4 – Síndrome do “vai esse mesmo”;
5 – Exigências descabidas para determinados cargos;
6 – Assumir sozinho a contratação de alguém;
7 – Não levar em consideração a Cultura da empresa.

Do exame do texto, pôde se extrair as vantagens de se adotar o processo seletivo em sua íntegra. As desvantagens, por sua vez, consistem no que aqui podemos chamar de “acidentes de percurso” onde estão presentes, de igual forma, diversas variáveis incontroláveis. Além disso, o certame ocorre quase que integralmente no campo da subjetividade, onde os instrumentos de mensuração não são infalíveis, bem como o resultado obtido não pode ser tomado como verdade absoluta. Chamo a atenção, no entanto, para o quanto afirmado no início: todo administrador que se preze tem que saber que para toda ação há uma reação e que cada decisão tomada acarretará em uma repercussão positiva ou negativa no âmbito organizacional. Desse modo, seguir o protocolo, guardando as proporções, é mais seguro do que queimar etapas que posteriormente impliquem em maior ônus.

REFERÊNCIAS


VIEIRA, Gilson. Gestão de Pessoas. Salvador, 2012. (Apostila).

Deus Atende Desejos ou Necessidades?