quinta-feira, 23 de julho de 2020
segunda-feira, 6 de julho de 2020
COMENTÁRIOS A LUCAS 1-1;4
Meus amados, confesso
aos queridos que já conto com quase 18 anos de vida cristã, porém nunca havia
me atentado para o estilo de narrativa com o qual o evangelista Lucas inicia
seu testemunho acerca da biografia de Cristo.
Contudo, esta
desatenção não é senão um sinal daquilo que me ensinaram em minhas primeiras
lições bíblicas. “A Palavra de Deus se renova a cada dia”. Esse fato é
corroborado pela própria Bíblia, pois as palavras inicias do versículo 12 do
capítulo 4 do livro de Hebreus, testificam: “Porque a palavra
de Deus é viva, e eficaz...”. Desse modo, vemos que esse renovo que,
dentre outras coisas, caracteriza a essência da Bíblia Sagrada é o mesmo que
afirmar que, diariamente, as Santas Escrituras tem o poder de nos ensinar algo
novo.
Destarte, estas primeiras considerações, que fique claro, não
significa que o entendimento ao qual fiz referência não estava lá, mas sim que
somente agora é que o mesmo saltou aos meus olhos.
Daí, meu amado, caso o Senhor tenha lhe dado algum
entendimento, que posteriormente você venha a descobrir que já vinha sendo
cultivado por outros há muito tempo, não se envergonhe! Deus é Pai de muitos
filhos, contudo com cada um deles mantem uma relação particular. Da mesma forma
é o processo de santificação – ocorre por etapas, mas o tempo de duração de
cada uma dessas etapas depende do indivíduo, lembrando sempre que o Espírito
Santo não é invasor. Ele processa em nós a metanóia (mudança de mente) à medida
que vamos dando espaço para que ela ocorra e quando Deus quer mudar algo em nós
nunca é de forma impositiva, autoritária: primeiro Ele nos conscientiza, nos
ensina, nos exorta para só depois operar em nosso ser na proporção em que nos
permitimos ser transformados por Ele.
Compartilhar essa primeiras considerações com vocês, queridos
me fez lembrar de uma pergunta vinda de uma pessoa ainda não pertencente ao
meio evangélico: “Ju, o que a sua igreja proíbe?” Minha resposta para esta
pessoa foi: “nada”. Acho que não preciso lhes informar de que grande foi o
espanto dessa pessoa ao ouvir tal coisa. Todavia complementei minha resposta
com outro dado importante – onde fui e estou sendo criada para Jesus, o
entendimento é que a própria Palavra ensina em ICo. 6-12: “Todas as coisas me
são lícitas, mas nem todas me convém. Todas as coisas me são lícitas, mas eu
não me deixarei dominar por nenhuma delas.” Desse modo, aos educadores
Cristãos cabe o ensino da Palavra, mas aos discípulos a decisão daquilo que
deve ou não deixar por causa do evangelho.
Não posso precisar com exatidão
qual foi o grau de impacto que minha explicação operou nessa pessoa, mas posso
lhe dizer que a expressão em seu olhar me passou a mensagem de que para ela,
uma vida com Deus passou a ter outro significado, o qual a própria Palavra aponta
como sendo o verdadeiro: liberdade (Gl 5-1).
Reflexões à parte, vamos agora
nos deter a aprender quais foram as providências que o evangelista Lucas tomou
antes de enviar o seu relato a Teófilo, ao qual ele qualifica como sendo
“excelente”. O dicionário Michaelis online traz como definição para o termo:
“que é superior ou muito bom no seu gênero; que se sobressai entre os melhores;
prime, seleto.”
Assim temos que Lucas endereçou a
parte que lhe coube na disseminação do Santo Evangelho a uma pessoa em específico
e me atrevo a afirmar que assim como considerava Lucas excelente a pessoa para
a qual ele escrevia o seu impresso, assim também quis ele demonstrar a
excelência da pessoa de Jesus Cristo a esta pessoa e para isso seguiu alguns
passos que considerou fundamentais ante de conceber o seu texto:
1- Pesquisa
de campo. Veja o verso 2 do capítulo primeiro de Lucas. Claramente ali está
demonstrado de que o evangelista foi a campo em busca de informações acerca
daquilo que se propôs a relatar, não se contentando apenas com o seu próprio
conhecimento sobre a pessoa e os feitos de Jesus (vide parte final do verso 3).
Vemos também da leitura do fragmento que sua fonte mais abundante foi a oitiva
de diversas testemunhas e, melhor! Essas testemunhas não ouviram falar de
Cristo pela boca de terceiros e sim conforme os termos encontrados no próprio
texto: “...segundo nos
transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio e foram ministros
da palavra...”;
2- Ordenação dos fatos. Essa providência está expressa no verso
1 e no verso 3. Após o trabalho em campos Lucas se preocupou em ordenar,
cronologicamente, o quanto coletado com vistas a facilitar o entendimento do
leitor;
3- O porquê dos passos 1 e 2. Perceba que da análise do verso 4, o
próprio Lucas nos responde ao questionamento: “Para que conheças a certeza das
coisas de que já estás informado.” O autor do terceiro evangelho não
menosprezou o conhecimento prévio de seu interlocutor, mas sim contribuiu para
adicionar credibilidade aos fatos dos quais Teófilo já estava ciente e assim
certificar a verdade neles contida.
Os que já professam a fé em Jesus
Cristo frequentemente enfrentam diversas oposições como por exemplo o argumento
de que a Bíblia é um compilado de conhecimentos totalmente desvinculado de
qualquer valor científico.
Entretanto, somente pelos
comentários supra vemos que não há verdade nesse arrazoado. Deixo o amigo
leitor a vontade para pesquisar acerca da metodologia utilizada pelos
pesquisadores, o que na faculdade a gente estuda com o nome de MTC –
Metodologia do Trabalho Científico. O que Lucas fez, foi pura MTC!
A bíblia
é um livro extraordinário e Glórias sejam dadas ao nosso Deus e Pai por ter nos
presenteado com tamanho tesouro! As Santas Escrituras é realmente a bússola do
cristão, pois nos capacita não só para a caminhada cristã, mas também para o
cumprimento da carreira em nossa vida secular.
REFERÊNCIAS
http://michaelis.uol.com.br/.
Acesso em 17 de mai. 2020.
www.bible.com.
Acesso em 17 de mai.
2020.
https://www.bibliaonline.com.br/. Acesso em 17 de mai. 2020.
quinta-feira, 4 de junho de 2020
domingo, 17 de maio de 2020
ALMA DE ARTISTA
Alma de artista é casa vazia;
É mente cheia de rima;
É a tese versus a antítese, esquisitice...
Maluquice de montar palavra.
Alma de artista é fogo que arde;
É o sangue negro derramado no discurso;
É o sangue do nobre;
Azul anil que da artéria jorra.
Alma de artista é o revelado tesouro;
Saído do ventre do verso trovado;
Da prosa afiada e da crônica pura;
É a boca do artista que canta a violência da rua;
Alma de artista é o zumbido;
Estrépido som que usa o nome do inimigo;
E o nome do homicida;
É gente que anda armada da nota, da rima;
Alma de artista é instrumento;
No alento, no talento;
No deslize da pena, da estrofe e do acorde;
Alma de artista... É vida!
quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
Memórias de um dia de prova - Parte 1
Voltei à realidade com a voz do Professor Teixeira me chamando e me perguntando se eu lembrava aonde estava. Não, eu não lembrava. Minha presença ali, por tempo que não me me atrevo nem a especular, foi apenas de corpo. Meu espírito estava lá fora, na ciclovia, de onde se via o mar bem de pertinho, com os cabelos ao vento a todo vapor em minha bike, com Geninho e Beca me acompanhando.
Pedi desculpas ao educador e ele culpou a administração do colégio pela minha distração. Estávamos, dada a uma situação emergencial, instalados em uma sala que não era a nossa, desprovida de persianas e, portanto, podíamos contemplar tudo o que acontecia lá fora. Era sexta-feira e nos encontrávamos às voltas com uma complicada prova de física. Complicada mais pelo fato de o Professor Teixeira ser o ministrador da disciplina do que pela ciência em si. Ser o melhor amigo de Geninho, neste aspecto, me era por demais recompensador. Ele, que conseguia ficar tão concentrado quanto uma mosca pousada em qualquer superfície, era fera em tudo o que envolvia cálculo.
Voltei a me concentrar na folha de papel semi-preenchida em minha frente e fiz mais umas duas ou três contas, sinalizando meu raciocínio com algumas setas, mas eu não conseguia parar de pensar nas pessoas do outro lado da rua. Oh, como eu as estava invejando! Gente de todas as idades, de roupa esporte, acompanhadas ou não. Algumas senhoras seguravam os seus chapéus de modo que esses não fossem levados pela ventania. E eu ali... Física... O profº Teixeira...
Beca, o amor da minha vida desde a 5ª série, estava sentada duas fileiras depois de mim. Ela mantinha a cabeça apoiada em uma das mãos e seu olhar parecia distante. Imaginei se assim como eu aspirava ela pela liberdade. Resolvi então perguntar: ergui uma das mãos ao tempo em que proferi o nome do Teixeira em alta voz. Ele me lançou um olhar fulminante e depois ralhou comigo pelo chamado em alta voz. Realmente não havia necessidade de gritar, mas fiz de propósito, pois desejava que Beca olhasse para mim, o que funcionou.
Passado esse momento, Teixeira caminhou até mim bufando a fim de ouvir minha petição. Pus a mão à testa e solicitei que ele me tocasse com vistas a averiguar se eu tinha febre, mas para Beca o meu gesto significava saber como ela estava. Em resposta, minha amada tocou o nariz com a ponta do indicador esquerdo sinalizando que já finalizara a avaliação. Beca tinha paixão por Literatura e Biologia, nunca na galáxia acabaria tão rápido aquela prova sem ajuda. Estremeci de espanto e Teixeira julgou que eu havia tido um espasmo. Controlei-me para não sorrir satisfeito pelo sucesso do meu teatro e em resposta fiz cara de coitadinho. Pender o pescoço me deu a oportunidade de voltar minha atenção, ainda que por um breve momento, para beca que, esticando uma das pernas, deu-me a entender que a pessoa a sua frente era uma "mina", ou seja, alguém que entendia do assunto. Para meu revés a mina não era o Geninho e sim meu maior desafeto, o Fernando.
Estava claro que ele a tinha ajudado para me provocar, pois sabia que Beca era meu ponto fraco, principalmente porque seus pais eram contra o nosso namoro.
Beca, o amor da minha vida desde a 5ª série, estava sentada duas fileiras depois de mim. Ela mantinha a cabeça apoiada em uma das mãos e seu olhar parecia distante. Imaginei se assim como eu aspirava ela pela liberdade. Resolvi então perguntar: ergui uma das mãos ao tempo em que proferi o nome do Teixeira em alta voz. Ele me lançou um olhar fulminante e depois ralhou comigo pelo chamado em alta voz. Realmente não havia necessidade de gritar, mas fiz de propósito, pois desejava que Beca olhasse para mim, o que funcionou.
Passado esse momento, Teixeira caminhou até mim bufando a fim de ouvir minha petição. Pus a mão à testa e solicitei que ele me tocasse com vistas a averiguar se eu tinha febre, mas para Beca o meu gesto significava saber como ela estava. Em resposta, minha amada tocou o nariz com a ponta do indicador esquerdo sinalizando que já finalizara a avaliação. Beca tinha paixão por Literatura e Biologia, nunca na galáxia acabaria tão rápido aquela prova sem ajuda. Estremeci de espanto e Teixeira julgou que eu havia tido um espasmo. Controlei-me para não sorrir satisfeito pelo sucesso do meu teatro e em resposta fiz cara de coitadinho. Pender o pescoço me deu a oportunidade de voltar minha atenção, ainda que por um breve momento, para beca que, esticando uma das pernas, deu-me a entender que a pessoa a sua frente era uma "mina", ou seja, alguém que entendia do assunto. Para meu revés a mina não era o Geninho e sim meu maior desafeto, o Fernando.
Estava claro que ele a tinha ajudado para me provocar, pois sabia que Beca era meu ponto fraco, principalmente porque seus pais eram contra o nosso namoro.
quarta-feira, 14 de junho de 2017
A subversão da ordem institucional e a segurança jurídica
Para quem não está familiarizado com a expressão subversão
da ordem institucional, talvez a conheça como golpe de Estado. Este, por sua
vez, pode ser conceituado como o ato de depor um governo legitimamente
instalado, ou como uma ruptura institucional repentina e, para ficar mais
claro, vamos apresentar o conceito de subversão, de acordo com o Aurélio: Ato ou efeito de subverter. Insubordinação; revolta; ruína;
perversão; destruição.
Feitas estas considerações iniciais, vamos a uma rápida aula
de história: desde o início de nossa trajetória como República em 1889,
registramos nove episódios, aos quais os historiadores, contempladas as
respectivas características, consideraram como espécies de golpes de Estado. O
primeiro deles ocorreu em 1823, e é denominado como “Noite da Agonia”.
Dado pelo próprio imperador, D. Pedro I, contra a primeira Assembleia
Geral Constituinte Brasileira. Essa Assembleia,
eleita e instalada em 3 de maio de 1823, tinha o
objetivo de confeccionar o primeiro texto constitucional. O principal motivo para o
golpe foi as disputas políticas internas dos constituintes, que se dividiam
entre liberais e conservadores e assim o imperador, à época, optou pela
dissolução da Assembleia, o que ocorreu na madrugada do dia 12 de novembro de 1823.
Nosso
segundo exemplo aconteceu 17 anos mais tarde em 1840, durante o período
regencial. Trata-se do Golpe da Maioridade.
Após a Abdicação
de D. Pedro I, em 1831, o herdeiro do trono, D. Pedro II, era apenas
uma criança. Dessa forma, a chefia do país teve que
ser confiada a regentes, entretanto, esse período perfazia-se complicado,
politicamente, vez que a disputa entre liberais e conservadores estava no auge.
Um grupo de deputados e senadores, então, juntaram-se e formaram um clube
chamado “Clube Maiorista” que, após certo interstício temporal contou com a
adesão do próprio Pedro II. Frente a isso, Dom Pedro II ascendeu ao trono em 23
de julho de 1840, antes de atingir a maioridade.
O
terceiro golpe foi a Proclamação da República. Datado de 15 de novembro de
1889, foi na verdade um golpe militar que pôs
fim ao regime monárquico no Brasil. O movimento republicano no Brasil remontava
à época colonial, mas se tornou realmente intenso na época do Segundo Reinado.
Mas para que o golpe contra a monarquia fosse bem-sucedido, os
republicanos necessitavam do apoio da principal autoridade militar da época: o marechal Deodoro da Fonseca.
Para
convencer Deodoro a “proclamar a República”, os conspiradores tiraram proveito dos
prejuízos que as decisões do então ministro de Pedro II, Visconde de Ouro Preto,
acarretavam ao Exército. Além disso, disseram ao marechal que, em lugar de Ouro
Preto, seria nomeado um antigo inimigo pessoal seu: Gaspar da Silveira Martins.
Diante
dessa situação, Deodoro reuniu algumas centenas de soldados e marchou sobre a
cidade do Rio de Janeiro com o objetivo de derrubar o ministério de Ouro Preto.
Esse gesto, desprovido de participação popular, deu início ao regime
republicano no país.
Nosso
golpe de nº 04, datou-se de 03 de novembro de 1891. O monarquista que proclamou a república (!)
ficou encarregado de chefiar interinamente a nação até que esta tivesse uma Constituição. Em 14 de fevereiro de 1891, o texto constitucional ficou
pronto e Deodoro da Fonseca foi eleito indiretamente o Presidente da
República, ficando a vice-presidência sob a égide do também marechal Floriano Peixoto.
Deodoro
passou o primeiro ano de seu governo sofrendo pressão dos oposicionistas e, por
causa disso ,dissolveu, via decreto, o Congresso Nacional em 3 de novembro de 1891. Em seguida, para completar o golpe, instaurou, com
outro decreto, Estado de Sítio
no Brasil.
O próximo fato histórico aqui a ser narrado, assim creio eu, provocará
sinestesia nos leitores: vinte dias após o golpe de 03 de novembro Deodoro da Fonseca renunciou ao cargo
de presidente, diante da reação da marinha brasileira, que ameaçou bombardear a
cidade do Rio de Janeiro caso o presidente continuasse no cargo. Essa reação
ficou conhecida como Primeira Revolta da Armada.
O assento
presidencial foi ocupado pelo vice, Floriano Peixoto, porém,
a Constituição da
época previa a convocação de novas eleições presidenciais, vez que Deodoro
governara por período inferior a um ano. Floriano, no entanto, não convocou as
novas eleições com a justificativa de que a Constituição de 1891 determinava a
convocação de novas eleições só se o presidente tivesse sido eleito diretamente
pelo povo, o que não ocorreu no caso de Deodoro da Fonseca. Essa “brecha” na Lex Mater sustentou Floriano no poder.
Sexto golpe: a Revolução
de 1930. De cunho civil-militar, este movimento foi encabeçado por
lideranças dos estados da Paraíba, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, que juntas
lutaram contra todo o restante do país.
Seu estopim foram
as eleições presidenciais daquele ano. Por intermédio de um resultado
fraudulento, o candidato da situação, Júlio Prestes, indicado como sucessor do então presidente Washington Luís,
foi eleito o novo presidente, mas, ao contrário do que ocorria antes, nos áureos anos da
Primeira República, a oposição não aceitou o ardil e partiu para o
enfrentamento físico.
O governo impopular perante as massas sucumbe facilmente e
Getúlio, então candidato da Aliança Liberal, assume o poder, em caráter
provisório, a 3 de novembro de 1930. Dá-se assim início à “Era Vargas”.
O sétimo lugar
de nossa lista vai para o golpe intitulado como “Estado Novo”. Em 1934, Vargas
é confirmado no poder elegendo-se, indiretamente, Presidente da República. O
estadista lidou com diversos problemas. O principal deles foi a chamada Intentona Comunista, todavia as forças do governo não
tiveram dificuldade em sufoca-la.
Esse gesto, no
entanto, não afastou os fantasmas do comunismo e do tenentismo a ele
associados. Essas duas frentes, por sua vez, eram forças a serem suprimidas,
segundo a ótica dos militares e das lideranças civis contrárias a Getúlio.
Em 1937, foi
descoberto um suposto plano de uma revolução comunista a ser executado no
Brasil, o chamado Plano Cohen. Esse plano teria sido forjado pelo capitão Olímpio Mourão Filho (conhecido membro do Integralismo,
grupo que, no início da década, apoiava o então presidente) com o
objetivo de provocar alarde na opinião pública e justificar um golpe de Estado
e a formação do Estado Novo. Vale salientar que a adesão/simpatia
popular ao golpe não ocorreu de
forma instantânea, mas de uma ação estatal que perdurava desde 1935. O Governo
Federal, por intermédio da propaganda, foi implantando no seio da sociedade (qualquer
semelhança...) o quanto era “letal” o comunismo, fazendo com que a sociedade se
amedrontasse e o repelisse caso houvesse uma tentativa de implanta-lo no país. Por
fim, o Sistema político, de caráter ditatorial, iniciado em 10 de
novembro de 1937, conhecido como Estado Novo
perduraria até o ano de 1945.
Em penúltimo lugar, está a deposição de Vargas em
1945. O grande paradoxo (ou o engraçado) é que os mesmos militares que facilitaram sua ascensão
ao poder providenciaram a sua queda.
O mundo
aspirava ao fim da Segunda
Guerra Mundial e Vargas, assim dizem as más línguas, era simpatizante do fascismo europeu tendo, inclusive, se aproximado da
Alemanha nazista no início do Estado Novo, mas dela afastou-se nos meados do
conflito (por pressão dos americanos, segundo alguns historiadores, temendo
sermos invadidos por estes) passando a apoiar as potências aliadas, como EUA,
Inglaterra e URSS, que foram vencedoras da guerra.
O
cenário pós-guerra veio então impregnado de mensagens de paz, democracia e
direitos humanos e essa nova roupagem com a qual se guarnecia o mundo fez com
que o Estadista se convencesse de que não teria cabimento continuar um regime
nos moldes do Estado Novo. Iniciou então um processo de abertura democrática
que visava nada mais que sua permanência no poder.
O
estadista gaúcho aproximou-se tanto do PCB, bem como das bases operárias
urbanas acreditando que ali estava o apoio necessário para conseguir seu
intento. Essa aproximação resultou no Queremismo e no aumento do descontentamento das
lideranças liberais e militares para com o Chefe de Estado. A “gota d'água” veio
com o afastamento do então chefe de
polícia do Distrito Federal João Alberto Lins de Barros. Em resposta, tropas se
mobilizaram no Distrito Federal. Gaspar Dutra e outros militares, procurando evitar
derramamento de sangue, propuseram a Vargas que assinasse um documento de
renúncia ao cargo. Passado esse momento, Getúlio refugiou-se em sua cidade
natal, São Borja.
Chegamos então ao final da primeira parte deste
postulado apresento-lhes o item derradeiro de nossa lista: O Golpe Militar de 1964. Seus principais fatos são:
João Goulart, nos anos de 1963 e 1964,
apresentava uma postura polêmica ao incitar militares de patente baixa, como
sargentos, a se insubordinarem contra a hierarquia militar;
Além
de apoiar as reivindicações de reformas dentro da estrutura militar, Goulart
também tinha propostas de reformas de base em outros setores, como o setor
agrário.
Em
meio a essa ambiência, na madrugada de 31 de março, o general Olímpio Mourão Filho (sim, ele
mesmo!) mobilizou
suas tropas de Juiz de Fora contra o governo. Ao mesmo tempo, no Rio de
Janeiro, Costa e
Silva liderou outra ofensiva,
independente da de Mourão. Goulart, no dia seguinte a essas ações, não havia
ainda se manifestado.
No
dia 2 de abril, o Congresso Nacional, pensando que o presidente havia se
exilado, declarou a presidência vaga. O presidente do Congresso, Ranieri Mazzili, assumiu
o posto. Goulart ainda não havia saído do país, mas já era tarde: a decisão do
Congresso estava tomada e, a dos generais, idem. Estes instalaram o Supremo Comando Revolucionário e escolheram, por meio do Ato Institucional
nº 1, um novo presidente para o Congresso.
Ante
a exposição acima, o que se concluí? O Brasil parece fadado a repetir
ciclicamente seus acontecimentos históricos. Recomendo assistirem aos filmes
“Mauá – o Imperador e o Rei” e o também brasileiro “Eles não usam Black tie” para
depois refletir: mudou alguma coisa em nosso país? E nesse ponto alguém me
pergunta: “Juliana, cadê a segurança jurídica?” Afirmo-lhes que a mesma é um
princípio constitucionalmente garantido não de maneira expressa, mas implícita
e para que a mesma exista pressupõe-se uma ordem jurídica em que se
garantam importantes instrumentos para a defesa dos particulares em face do
Estado e seu poder de império. Em cenários politicamente instáveis, esta fica
ameaçada e sua manutenção comprometida, pois geralmente cometem-se atos travestidos
de legalidade com propósitos outros que não o alcance da justiça.
Em Direito, além da adequação da norma ao caso concreto, existe a preocupação
com os precedentes, ou em outras palavras com a jurisprudência, entretanto o
verbete precedente expressa melhor o entendimento que devemos ter agora e me atrevo
a afirmar que uma vez alcançada tal meta, sua profundidade será de cunho
paradoxal. A resposta está na leitura
das entrelinhas, contudo nossa mente tenderá a vasculhar a fim de encontrar o porque
da construção de um arcabouço jurídico tão voltado a nos proteger das
vicissitudes dos perfis ditatoriais e coronelistas se ao final lançar mão das,
por assim dizer, ferramentas destes regimes parece mais célere e eficiente.
É triste perceber o abalo que os alicerces trazidos pela Constituição de
1988 vem sofrendo. Ordem e progresso é o que diz a nossa flâmula e não o
contrário.
REFERÊNCIAS
FERNANDES, Cláudio. "Quantos golpes de
Estado houve no Brasil desde a Independência?"; Brasil Escola. Disponível em
<http://brasilescola.uol.com.br/historia/quantos-golpes-estado-houve-no-brasil-desde-independencia.htm>.
Acesso em 23 de agosto de 2016.
http://www.infoescola.com/politica/golpe-de-estado/. Acesso
em 23/08/2016.
https://dicionariodoaurelio.com/.
Acesso em 23/08/2016.
http://www.infoescola.com/historia-do-brasil/revolucao-de-1930/.
Acesso
em 29/08/2016.
http://www.infoescola.com/brasil-republicano/estado-novo/.
Acesso em 29/08/2016.
domingo, 31 de julho de 2016
sábado, 16 de julho de 2016
Cristão – quem é você
A
palavra de Deus, no livro de Oséias, cap. IV, verso VI, primeira parte, diz: “O
meu povo foi destruído, porque lhe
faltou o conhecimento.” Dessa passagem se depreende o entendimento de que é
importante para o cristão crescer também em conhecimento, pois esse é um dos
ramos do poder.
Um
cristão que bem maneja a Palavra da Verdade (2Tm 2-15) é um cristão mais
difícil de ser ludibriado pelo inimigo, não propenso, dentre outras coisas, a
dar ouvidos a doutrina de demônios (1Tm 4-1). Desse modo, o presente estudo tem
o objetivo de revelar cinco pontos integrantes da identidade cristã, fazendo a
ressalva de que tal rol é exemplificativo e não taxativo, uma vez que nosso
Deus é fonte inesgotável de sabedoria e tesouros e assim, portanto, fomos
agraciados por estas e por muitas outras coisas nas regiões celestiais (Ef
1-3).
Primeiro ponto:
você é filho de Deus (Jo 1-12). Recebeu, ou melhor, reconheceu Cristo como
Salvador e Senhor de sua vida? Parabéns! Você se tornou filho de Deus e olhe o
que diz ainda o versículo: “... deu-lhes o poder de serem feitos filhos de
Deus...”. Perceba: ser filho de Deus é
um direito e também um poder que o próprio Deus nos concede;
Segundo ponto:
você é irmão de Jesus (Rm 8-29). A compreensão deste segundo ponto decorre do
primeiro. Uma vez feito membro da família de Deus (Ef 2-19), Cristo torna-se
seu irmão;
Terceiro ponto:
você é coerdeiro com Cristo (Rm 8-17). Este ponto, tal como o anterior, guarda
relação com o primeiro. Acompanhe – filhos, logo herdeiros e coerdeiros de
Cristo. Em outras eras, apenas o primogênito herdava os bens da família. Na
atualidade, todos os filhos são herdeiros, não importando se detentores ou não da
primogenitura. Cristo, conforme a Palavra,é o primogênito entre muitos irmãos,
porém o que é Dele também é nosso;
Quarto ponto:
você tem autoridade sobre as forças do mal (Lc 10-19). Os quatro evangelhos são
ricos em passagens que corroboram a divindade de Jesus e, portanto, sua
autoridade sobre os espíritos malignos. Nessa passagem, em especial, vemos que
Ele revestiu a Sua Igreja com este mesmo poder;
Quinto ponto:
Cristo é o dono da casa e você é o doméstico (Mt 10-25). Em algumas traduções
bíblicas, ao invés da expressão “dono da casa” encontramos a expressão “pai de
família”, mas isso não muda ou sequer atrapalha entendermos que Jesus é Senhor
sobre nós, já que Ele é o Cabeça da Igreja (Ef 5-23). Isso significa dizer que
estamos suscetíveis a padecer as mesmas aflições, calúnias, injustiças e/ou
perseguições pelas quais Ele passou durante Seu ministério terreno. Em outras
palavras, ser cristão é ser parecido com Cristo e assim, tal como somos
convidados a alcançar a estatura do Varão Perfeito (Ef 4-11;14), imprescindível
é que nos conscientizemos que isso implica, inclusive, padecermos por amor de
Seu nome (MT 10-22).
Como
considerações finais, temos que a pessoa, uma vez feita sua manifestação de fé
em Cristo, reconhecendo Seu sacrifício expiatório; investida na família de Deus,
e herdeira das coisas do Céu, não é mais a mesma, e muito menos pertence mais a
este mundo (Jo 15-18; 19 e 17-14;16).
O viver
pelo Espírito (Rm 8-5) e Nele frutificar (Gl 5-22) passam a ser as diretrizes
do seu viver, não significando estar apartado, necessariamente, das coisas
dessa terra, mas estas se tornam secundárias (Mt 6-33), inclusive, em seu
coração (Lc 12-34).
terça-feira, 12 de julho de 2016
Primeiro Quinquênio
O mês de junho veio, se foi, porém é válido o registro de que, foi
neste dito interstício de tempo que concretizei a ideia de inaugurar este
espaço. Lembro-me como se fosse hoje minhas dúvidas, medos e incertezas de como
seria a recepção de meu público, aliás, eu não sabia nem se teria um público!
Mas, o que outrora foi um turbilhão de emoções conflitantes, agora
é o júbilo de um coração palpitante de alegria e uma alma cheia de gratidão ao
Deus dos Céus por ter me concedido esse dom. Deixei-o enterrado por vários anos
e quando resolvi exercita-lo novamente cheguei a questionar o que faria com tal
coisa, uma vez que vivo em um país onde a maioria da população é analfabeta
funcional. Foi daí que alguém me disse: “Escreva!” e assim o fiz, tal como
Moisés ouviu o comando do Senhor: “... Diga ao povo que marche”.
Enfim, cinco anos, cinco mil e vinte e três (e contando)
visualizações de página. É o Blog Ju Passinho comemorando seu primeiro quinquênio
de existência, com a certeza de que ainda há um longo caminho a percorrer e
muito ainda para se aprimorar, contudo basta a cada dia o seu mal.
Deixo aqui o meu abraço e o meu muito obrigado a você, querido
leitor, sem o qual, esse labor seria vão. Felicidades a nós e que venham mais
cinco!
quinta-feira, 30 de junho de 2016
Ideias e Oportunidades de Negócio
Diferentemente do que parece ser,
nem toda ideia é uma oportunidade de negócio. As ideias são bastante genéricas.
As oportunidades de negócio, não. Para exemplificar, o que você escolher para
presentear o seu amor ou até mesmo o que vier a sua mente como cardápio para o
jantar, são ideias, porém, em tese, não significa que essas abstrações podem
ser transformadas em oportunidades de negócio. Complicado? Então prepare-se,
pois a coisa só piora (brincadeirinha): nem toda ideia, aparentemente uma boa
oportunidade de negócio, deve ser posta em prática, mas calma! Vamos esclarecer
as coisas.
A priori, destaquemos a diferença
entre as duas expressões:
Ideia – existe em maior
quantidade. Pode ser uma abstração; intuição; plano. Toda oportunidade de
negócio surge através de uma ideia, mas não o inverso.
Oportunidade de negócio – é a
ideia economicamente viável, mas cuidado! Negócios, a princípio, economicamente
viáveis não são sinônimos de boas oportunidades de negócio. Tem que haver um
filtro e, neste caso, a ferramenta ideal é um estudo de mercado, seguido de um
bom plano de negócio.
Feitas estas considerações
iniciais, aqui vai um importante conselho: não queime etapas, tampouco tenha
pressa em concluí-las, principalmente se a etapa em questão for a de
planejamento. Tenha em mente que o planejamento será a causa do sucesso ou do
fracasso do seu empreendimento, isso sem falar na ingerência, mas isso é
assunto para outra hora.
A carga tributária brasileira é
muito alta. O Estatuto das Micro e Pequenas Empresas veio para facilitar as
coisas, mas mesmo assim o fardo a carregar é pesado para o iniciante. Além disso,
é imprescindível que aquele que deseja empreender entenda que, apesar de ter se
tornado seu próprio patrão, terá jornadas de trabalho bastante excedentes à que
se submete o trabalhador formal e que terá que abdicar, inclusive, de seus
finais de semana e feriados. Mesmo que seu capital inicial seja suficiente, até
mesmo, para contratação de mão-de-obra, a presença do dono é primordial, pois
como diz aquele ditado: “o olho do dono é que engorda o gado”.
Dando continuidade ao presente
postulado e, aqui acreditando que a ideia principal do que seja uma ideia e uma
oportunidade de negócio foi absorvida, importante salientar que a oportunidade
de negócio e o empreendedor não podem estar desarmonia. Significa dizer que a
oportunidade deve se ajustar ao empreendedor. Não é recomendável que uma pessoa
resolva ingressar em um mercado que não lhe atrai e aqui não estou falando de
lucro. Dinheiro não é tudo! Verdade é que a oportunidade pode ser também
definida como aquilo que gera lucro, todavia há outras questões envolvidas,
tais como perfil individual, know-how
e motivação. Geralmente, o que leva um indivíduo a empreender é a possibilidade
de trabalhar para si e, principalmente, trabalhar com o que gosta e é sobre
este último que versa este parágrafo. De fato, não há nada que proíba uma
pessoa a enveredar por certo negócio face ao alto lucro que este venha a
render, mas quem assim procede corre o risco de após algum tempo descobrir que
não se identifica com aquilo, mas aí não mudará de ramo porque “o aquilo está dando
dinheiro” e, a depender da situação, há a possibilidade desse dinheiro ser
gasto com terapia e antidepressivos.
Outrossim, e, como já dito em
parágrafos anteriores, o que vai separar a ideia da oportunidade de negócio é o
estudo de mercado e, posteriormente, a confecção de um plano de negócio. Saliento,
contudo que a construção deste último só ocorrerá após o empreendedor decidir
qual será o seu produto ou serviço. Com referência ao primeiro, a pesquisa
mercadológica pode acompanha-lo, todavia com aquele não se confunde. O estudo
de mercado possibilita a identificação da demanda ou a criação desta, como
também analisa e antevê problemas conexos. A pesquisa mercadológica, do produto
ou serviço, por sua vez, é que irá prover o administrador de dados qualitativos
e quantitativos, que podem ser relativos à idade, sexo, hábitos de compra, etc.
Por fim, o uso das ferramentas
acima é o que possibilita, como já dito, ao empreendedor diferenciar a ideia da
oportunidade de negócio e assim revelar informações importantíssimas tais como
a existência ou não de concorrentes, quais as possíveis barreiras para novos
entrantes e, sobretudo, a viabilidade do negócio. Frise-se que esta tem que ser
entendida como sobrevida (inclusive no aspecto ambiental), pois há determinadas
ideias que podem ser rentáveis por certo período e depois sofrerem saturação. O
ideal é que o produto ou serviço seja concebido de forma a agregar valor ao
cliente e no decorrer de seu ciclo de vida sofra alterações com vistas a não
enfadar o consumidor. Alem disso, deve dificultar, ao máximo, a ação da concorrência.
REFERÊNCIAS
http://www.sebrae-sc.com.br/leis/default.asp?vcdtexto=5352&%5E%5E.
Acesso em 29/06/2016.
quarta-feira, 29 de junho de 2016
Frustrações de Alice
A vida adulta nos traz a
liberdade para conduzir nossos caminhos, bem como a possibilidade de tomarmos
decisões por nossos mesmos, entretanto não há bônus sem ônus. Alice aprendera
tal lição e tanta outras por intermédio de sua saudosa mãezinha.
Metade da manhã havia se
consumido. O sol brilhava tímido no céu acompanhado de nuvens esparsas e
esquálidas. O vento parecia ter se recolhido, pois não se podia visualizar seu
movimento por entre a vegetação. Plúmbeas divisórias e um mobiliário cor de
gelo eram o cenário que compunha aquele ambiente interno em que fisicamente a
balzaquiana se localizava. Sua mente, por sua vez, viajava por entre aquele
quadrado da natureza; moldura da janela cujo diâmetro lhe permitira dali partir
e misturar-se aos naturais, amigos seus não fluentes em língua portuguesa, mas
que lhe entendiam tão bem.
Alice não conhecia para a
situação que até então atravessava outro remédio senão liberar seu cognitivo
tão poderoso e veloz - saneamento melhor não existia. Frustrada estava.
Ansiosa, desgostosa. Aquele querer lhe devorava. Apaixonara-se e se deixara
arrebatar por essa paixão como há muito não se permitia, mas frustrara-se.
Agora, só o tempo lhe embalsamaria as feridas e a homeopatia daquela solidão
reflexiva, seria seu elixir.
Se sabatinada fosse, não saberia
dizer o que dera de errado. Os olhares, as gentilezas, as amabilidades e os
elogios mútuos eram típicos dos enamorados. Sua cabeça doía devido à
hiperatividade de uma gama de conhecimentos de tão pouco proveito naquele
momento. A ciência nunca pôde aprisionar qualquer emoção em um tubo de ensaio.
As coisas do coração jamais se confinariam nas paredes frias de qualquer
laboratório. Como então encontrar um culpado ou uma explicação? Teriam sido
suas ações insuficientes ou excessivas? Quem seria capaz de lhe responder tal
indagação, uma vez que o detentor de tal conhecimento é justamente o objeto de
seu rejeitado afeto?
Alice remexeu-se na cadeira e
afastou uma mecha de cabelo que lhe caía à testa para depois finalmente voltar
sua atenção a pilha de documentos a sua frente. Suspirando impacientemente,
sorveu um gole d’água. Seus lábios estavam secos, mas dos beijos dos quais não
usufruíra e seus ossos frios dos abraços que não recebeu. Depois dali
deslocar-se-ia ao habitat da escuridão e da lástima, onde um dia fora casa
adornada e pronta para o amor; e o leito antes reservado ao laço de dois corpos
envolvidos pelo torpor do prazer, servia de jazigo às lágrimas de lamúria e
desapontamento; soluços e gemidos tomaram o lugar da orquestra que entoaria o
tema dos amantes, hoje falsos amigos, fadados aos salamaleques que a boa
educação exigia.
Esse último pensamento fez com
que Alice remexe-se novamente e liberasse um novo suspiro. Precisava ser
compassiva, pois assim quem sabe seu opróbrio seria de alguma valia. O outro
lado era fina flor a desabrochar; era menino trôpego em suas primeiras
passadas, que acha que ama e achou que amou, contudo nada ainda viveu. Apenas contempla
sua face no espelho, como Narciso via-se em águas cristalinas. Pobre querido de
todas e amado de nenhuma.
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Organizações para inglês ver
Pensa que viver de aparências é
algo exclusivo da vida privada? Ledo engano. Empresas também vivem de
aparências.
Toda organização tem sua imagem,
anseia pela construção de uma ou por sua melhora. A imagem organizacional na verdade
é uma estratégia de segmentação. O ofertante de determinada demanda, a partir
de sua inserção no mercado, escolhe como deseja segmentar-se: por indústria,
também conhecida como a de não-diferenciação (abarcar o maior número de
consumidores que puder, geralmente valendo-se da estratégia do baixo preço),
por diferenciação (o número de consumidores torna-se mais restrito, uma vez que
a adição de uma singularidade em um produto ou serviço pode encarece-lo) e,
finalmente, por concentração (um segmento é escolhido como prioridade e a este
são dirigidos todos os esforços empresariais).
A imagem, no entanto, objeto de
nosso estudo no presente momento será a aparência, a embalagem, o invólucro, em
um aspecto mais interno, apesar de os termos dos quais há pouco me utilizei
darem ideia de exterior. Cultura organizacional talvez seja o termo que aqui
melhor se aplicasse, no entanto, não desejo que este postulado receba rótulo
algum senão o seu título. Em outras palavras, desejo abordar aqui as
organizações para “inglês ver” em seus diversos aspectos, seja para denúncia do
gestor que finge investir em qualificação profissional ou a exposição do
colaborador que se especializou na arte de parecer ocupado (vadiagem
sistemática). Saliento, no entanto, que quando digo denunciar e expor faço
alusão à descrição do comportamento/atitude e não a fazer menção a este ou
aquele individuo em específico.
Quando iniciei o curso de
Administração, Recursos Humanos era a área que menos me atraía, mas por
incrível que pareça, esta tendo sido o alvo de meus melhores momentos de inspiração (!). Não me considero uma
especialista, contudo me preocupo com as pessoas. Quiçá tal altruísmo tenha
origem em minhas experiências como colaboradora. Prestei serviço em lugares que
eu simplesmente odiava, porém a precisão era o que me motivava levantar da cama
todas as manhãs. Psicologicamente, era uma prisão para mim, pois além do
salário ser uma droga, as relações interpessoais eram sofríveis. Lembro-me
sempre de Drucker que, em certa ocasião, disse a um grupo de empresários de
diversos ramos que os segmentos por eles explorados se resumiam em um só:
trabalhar com pessoas. Tem líder, por sua vez, que não enxerga isso. Sua visão
se limita aos resultados da DRE’s. Lamentável...
Sem mais delongas, conceituo as
organizações para “inglês ver” como aquelas que adotam novas concepções e
conceitos da Ciência Administrativa, no entanto, tais medidas não mudam coisa
alguma. Em outras palavras, podemos dizer que tais empresas são semelhantes aos
que seguem tendências só para parecer moderninho sem, contudo transformar nada
mais que o seu exterior. Medidas assim podem até levar seus administradores
para a capa das revistas ao passo que seu passivo trabalhista aumenta
concomitantemente ao nível do absenteísmo. E como se isso já não bastasse,
vamos lá colocar um para fazer o trabalho de três, superespecializa-los ao
ponto de não ter ninguém que o substitua e aí, como dizem por aqui: “fica tudo
lindo na Bahia”.
Já ouviram falar em lucro envenenado? Pois é,
ele existe e das empresas que tenho notícia que assim galgavam degraus faliram
ou foram vendidas.
Há também organizações que são
administradas aristocraticamente. O corpo funcional divide-se em “camadas
sociais” onde os privilégios se concentram por sobre os que ocupam o topo
piramidal e na opinião desta bacharela são as que mais se encaixam no modelo
que intitula o presente postulado. A comunicação organizacional é feita em nome
da comunidade, entretanto, tal como o corpo fala, atitudes, idem. Não adianta
frases de efeito em cartões virtuais comemorativos se apenas a nata é sujeito
dos benefícios institucionais.
Fico a imaginar se recebêssemos (mais)
pressão internacional tendente a abolir a prática empresarial em tela, tal como
foi à época do Brasil Imperial quando a Inglaterra nos ameaçou, a ponta de
espada, para que a escravidão fosse abolida. Teríamos líderes mais humanos? Haveria
menos desrespeito às normas trabalhistas? Talvez, mas a questão aqui é
cultural. Enquanto as figuras do senhor de engenho, do feitor e do escravo
estiverem em nós enraizadas, árdua e quase impossível, será a tarefa de inserção de novos paradigmas
acompanhada da completa extinção dos antigos.
Pensamento do dia
A sabedoria alcança àqueles que a buscam, no entanto a estrada tem de ser ladrilhada pela perseverança e pela abdicação.
sábado, 19 de março de 2016
As vantagens e desvantagens do processo de seleção
Todo
administrador que se preze tem que saber que para toda ação há uma reação, tal
como preceitua a Terceira Lei de Newton. Em outras palavras, cada decisão
tomada acarretará em uma repercussão positiva ou negativa no âmbito
organizacional. O processo de seleção, embora menosprezado e subestimado, é
merecedor do mesmo grau de atenção a que se dispende ás decisões de médio e
curto prazo.
A abordagem
acima não surpreende quem já possui o entendimento de que o mais precioso
recurso que uma organização possui são as pessoas. Investir no capital humano
significa valorar a clientela interna e com isso crescer em vantagem
competitiva.
Ainda sob este
viés, o processo de seleção pode ser resumido como sendo a maneira pela qual se
escolhe as pessoas certas para funções e tarefas idem. Escalar, por exemplo,
quem não gosta de gente para lidar com gente é, como se diz no popular,
“procurar sarna para se coçar”, por isso, ideal é que o administrador ou gestor
entenda que a escolha, nesse campo, deve ir mais além que uma análise curricular
ou a indicação de um amigo.
Antes de nos
aprofundarmos mais no assunto, necessário se faz diferenciar a seleção do
recrutamento de pessoal: a seleção de pessoal consiste na escolha, entre os
candidatos recrutados, daqueles mais adequados aos cargos existentes na
empresa, visando manter ou aumentar a eficiência e desempenho do pessoal
enquanto que o recrutamento é o conjunto de procedimentos que visa atrair
candidatos potencialmente qualificados e capazes de ocupar cargos dentro da
organização. Nesse aspecto, quero chamar a atenção para uma palavrinha ajudante
da composição do conceito de recrutamento ora apresentado: “capazes “. A
capacitação não é o objeto de nossa análise nesse instante, todavia a expressão
deriva do substantivo capacidade, que por sua vez significa poder de execução,
produção, rendimento. Por isso, a seleção é o processo onde ocorrerá a triagem
e filtragem dos candidatos recrutados para uma posterior escolha daquele que
mais se encaixa no perfil desenhado para o cargo.
Da leitura do
parágrafo anterior, depreende-se o entendimento de que a seleção se inicia pelo
recrutamento e este pode ser de dois tipos: interno ou externo. Interno é
aquele que privilegia o preenchimento da vaga através dos recursos internos da
empresa. O externo é mais abrangente. Busca-se a captação de recursos humanos
no próprio mercado de trabalho e assim, a oferta de candidatos à vaga é maior.
Tanto uma quanto outra modalidade
apresenta suas vantagens e desvantagens, tal como exposto no quadro a seguir:
|
RECRUTAMENTO
INTERNO
|
|
|
VANTAGENS
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DESVANTAGENS
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Mais econômico;
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Exige que os novos empregados tenham potencial de
desenvolvimento para poder ser promovidos, e se isso não acontecer poderá
ocorrer desmotivação ou desligamento;
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|
Mais rápido, pois a transferência pode se dar de
forma imediata;
|
Pode gerar problemas com aqueles que não têm potencial de
crescimento, levando-os a escolher subordinados fracos ou boicotar os que
podem crescer;
|
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Mais seguro;
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Quando administrado incorretamente pode levar a situação
conhecida como “Princípio Peter”.
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Fonte de motivação.
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RECRUTAMENTO
EXTERNO
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|
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VANTAGENS
|
DESVANTAGENS
|
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“Sangue novo” e experiências novas para a
empresa;
|
Mais caro e mais demorado que o recrutamento
interno;
|
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Aproveita os investimentos em preparação e o desenvolvimento de
pessoal efetuado em outras organizações ou pelo próprio candidato.
|
Em princípio é menos seguro que o recrutamento interno, pois os
candidatos são desconhecidos;
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|
Pode desmotivar o pessoal interno;
|
|
|
Pode
afetar a política salarial da empresa, influenciando as faixas salariais.
|
|
Percebe-se que,
seja qual for a modalidade escolhida, haverá um preço a ser pago. Cabe ao
responsável pelo processo avaliar os prós e os contras de forma a escolher o
menos oneroso ao empreendimento, uma vez que há fatores que influenciam no
processo, tais como os fatores tempo e custo. A necessidade de contratação pode
advir de um momento em que a empresa não esteja em condições de terceirizar a
demanda, bem como a reposição ser tão urgente que não se dê para aguardar o
término de todo o processo. Entretanto, importante se faz que o
absenteísmo não seja uma constante no meio organizacional e para quem não está
familiarizado com o termo o mesmo define a tendência dos colaboradores de uma
organização de se defender das deficiências do ambiente corporativo, como por
exemplo, faltar ao trabalho por motivos de saúde. É claro que não devemos tomar
tal ato como genérico, tampouco interpretar as ausências como adesão ao fenômeno,
contudo ficar alerta ao número de ocorrências é prudente, pois o absenteísmo é
venenoso – uma vez instalado, aumenta os custos organizacionais e atravanca o
processo de persecução dos objetivos empresariais.
Superada a fase
do recrutamento, inicia-se a seleção de pessoal propriamente dita. O processo baseia-se fundamentalmente na análise comparativa entre as exigências do
cargo e as características do candidato. Essa comparação acontece por
intermédio de entrevistas (estruturadas ou não) e testes de aferição variados,
que objetivam examinar aspectos que vão do prático ao psicológico.
A dinâmica de grupo, por sua
vez, também é largamente utilizada, principalmente quando o cargo a ser
preenchido exija que seu detentor tenha iniciativa, bem como seja capaz de
tomar decisões sensatas, ainda que sob pressão.
Finalizada a
seleção, um laudo é confeccionado. É a síntese de todo o processo. O
requisitante receberá um parecer contendo o perfil de cada um dos finalistas, juntamente
com o respectivo posicionamento em razão dos testes realizados. Passada essa
fase, os finalistas serão submetidos a uma entrevista técnica, ficando a cargo
do requisitante a escolha final.
Tal como
afirmado em nossas considerações iniciais, o assunto em tela tende a ser
menosprezado e subestimado, porém quando executado em todas as suas etapas e
minúcias, traz benefícios à organização - possivelmente em longo prazo, mas nem
por isso desvantajosos. Outrossim, confira abaixo alguns exemplos dos erros
mais cometidos no processo de contratação:
1 –
Buscar um “clone” do empregado anterior;
2 –
Fazer as coisas no desespero, sem ter um banco devidamente abastecido de currículos;
3 –
Omitir a parte ruim do cargo ou prometer
coisas inexistentes na tentativa de segurar um bom candidato;
4 – Síndrome
do “vai esse mesmo”;
5 –
Exigências descabidas para determinados cargos;
6 –
Assumir sozinho a contratação de alguém;
7 –
Não levar em consideração a Cultura da empresa.
Do exame do
texto, pôde se extrair as vantagens de se adotar o processo seletivo em sua
íntegra. As desvantagens, por sua vez, consistem no que aqui podemos chamar de
“acidentes de percurso” onde estão presentes, de igual forma, diversas variáveis
incontroláveis. Além disso, o certame ocorre quase que integralmente no campo
da subjetividade, onde os instrumentos de mensuração não são infalíveis, bem
como o resultado obtido não pode ser tomado como verdade absoluta. Chamo a atenção,
no entanto, para o quanto afirmado no início: todo administrador que se preze
tem que saber que para toda ação há uma reação e que cada decisão tomada
acarretará em uma repercussão positiva ou negativa no âmbito organizacional. Desse
modo, seguir o protocolo, guardando as proporções, é mais seguro do que queimar
etapas que posteriormente impliquem em maior ônus.
REFERÊNCIAS
VIEIRA, Gilson.
Gestão de Pessoas. Salvador, 2012. (Apostila).
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