"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Alma de Artista

É um troço assim, meio estranho;
Que vê beleza no nada e que cheira a saudade;
É doideira constante, que contraria, Psicologia,
E na tristeza produz. É aquela que afirma ouvir
A orquestra das rosas e com elas faz coro.

É um troço assim, meio surreal, psicodélico.
É a delinquente da gente, maluquice, sandice;
É melhor que a revolta, não disse?
É de quem a possui e em ninguém se pode plantar
É de nascença de berço, de começo,
Sem fim, mas de recomeço.

É um troço assim, meio falido, rico, de um ouro
Que não reluz, mas é fonte, nascente, poente e crescente,
De quem sente e em verbo traduz.

É da velha e da senhora, da fada e da criatura;
A verdade da caverna ou da ira futura, censura
Remédio não cura, bisturi não extrai, não sai;
Fica e complica, implica, isola, faz menção.

É um troço assim, abençoado, "amaldiçoado", isolado
De trocadilhos, de centavos e outros grados.
É um troço assim, meio eu, meio você, meio nós...

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